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Polícia do Rio identifica os principais suspeitos do assassinato da juíza Patricia Acioli

Hanrrikson de Andrade<br>Especial para o UOL Notícias<br>No Rio de Janeiro

26/08/2011 13h56Atualizada em 26/08/2011 14h30

A Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga a possível participação de oito policiais militares do Grupo de Ações Táticas (GAT) no assassinato da juíza Patricia Lourival Acioli, morta há duas semanas com 21 tiros, em Niterói, região metropolitana.

No mesmo dia do crime, os PMs foram punidos pela magistrada com ordem de prisão preventiva --ela analisava um caso de homicídio registrado inicialmente como auto de resistência (quando um indivíduo morre em suposto confronto com a PM). A Secretaria de Segurança Pública confirmou as informações, mas não divulgou os nomes dos suspeitos.

Segundo informações da Divisão de Homicídios (DH), Acioli pode ter sido assassinada por um simples ato de vingança. No entanto, as hipóteses de que o crime está ligado diretamente ao crime organizado da região (jogo do bicho, máfia das vans e outras atividades controladas pelas milícias) não foram descartadas.

O setor de inteligência da DH está rastreando os dados telefônicos dos suspeitos com o objetivo de descobrir se eles estabeleceram contato na semana do crime. Os peritos têm possibilidade de identificar, por exemplo, a identidade dos proprietários dos telefones celulares, além do horário e localização das chamadas. A Justiça autorizou nesta semana a quebra do sigilo.

Os oito agentes do GAT, dos quais seis já foram detidos, constam em uma lista de 91 policiais militares que eram réus em ações penais julgadas por Acioli - e que podem ter algum tipo de envolvimento na morte da juíza.

Nos últimos meses, Acioli estava investigando o envolvimento dos oito PMs, entre os quais cinco soldados, dois cabos e um tenente, na suposta execução de um jovem de 18 anos, que foi apontado pela Polícia Militar como irmão de um traficante da comunidade do Salgueiro, em São Gonçalo.

Cinco PMs afastados

Nesta quinta-feira (25) foram afastados cinco oficiais lotados no 12º Batalhão da Polícia Miltar, em Niterói, cujos nomes também integram a lista dos 91 suspeitos enviada pelo Tribunal de Justiça.

A relação dos PMs investigados, segundo o TJ, diz respeito a todos os policiais militares que eram réus em casos julgados por Acioli. Eles respondem a várias ações penais, entre os quais acusações de homicídio, envolvimento com a máfia do transporte alternativo, entre outras.

Na terça-feira (23), o comando da corporação informou que todos os policiais investigados serão transferidos. O comandante-geral da PM, coronel Mário Sérgio Duarte, já adiantou que será expulso da corporação qualquer policial cuja participação no crime for comprovada.

Escritório de bicheiro

A polícia estourou nesta semana um imóvel que era utilizado como escritório do jogo do bicho em São Gonçalo. O contraventor que administrava o local é Luís Anderson Azeredo Coutinho, o mesmo homem que, em 2009, planejara uma suposta tentativa de assassinato da magistrada e de sua família. Ele está sendo procurado pela polícia.

Os criminosos utilizavam o imóvel para negociações, contabilidade de apostas, entre outras tarefas ligadas ao gerenciamento do jogo do bicho. A diligência foi realizada por agentes da 75ª Delegacia de Polícia, que não divulgou mais detalhes em razão do suposto envolvimento de policiais em atividades ilícitas na região.

Há dois anos, interceptações telefônicas da Polícia Federal mostraram que Coutinho tramava ações "contra a vida da juíza, da sua família e que também pretendia denegrir a sua imagem junto ao Tribunal de Justiça", de acordo com o texto de um processo de homicídio aberto na 4ª Vara Criminal de São Gonçalo.

Na época, Acioli despachou uma ordem de prisão preventiva contra o bicheiro, que foi acusado de encomendar o assassinato de uma testemunha tida como fundamental nas investigações sobre a máfia do transporte alternativo em São Gonçalo.

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