Greve dos Correios teve conteúdo político, diz presidente do TST

Maurício Savarese
Do UOL Notícias
Em Brasília

A paralisação de funcionários dos Correios teve “contornos inequivocamente políticos em alguns momentos” e os funcionários fizeram “greve pela greve” após sucessivas tentativas de acordo. É essa avaliação do presidente do TST (Tribunal Superior do Trabalho), João Oreste Dalazen, durante o julgamento desta terça-feira (11) que dará fim à paralisação que já dura 28 dias.

Dalazen tentou a conciliação entre as partes na semana passada e manifestou sua discordância em relação à tese do relator do caso no TST, Maurício Godinho, que buscava apenas a compensação de 24 dias úteis de paralisação, e não o desconto de pelo menos seis jornadas, conforme acordo fechado com os Correios e rejeitado pelos trabalhadores.

O presidente do TST afirmou que a falta de acordo se deveu a “uma postura de radicalização e falta de ponderação do comando de greve em relação às propostas”. Disse ainda que havia “infiltrados” entre os grevistas, impedindo a formalização de um acerto. Dalazen condenou qualquer proposta em que os funcionários que não aderiram recebam o mesmo tratamento dos grevistas.

Iniciada no dia 14 de setembro, a greve nos Correios gerou críticas à presidente Dilma Rousseff e ao ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, que foram acusados de intransigência com os funcionários da estatal.

Aproximadamente 160 milhões de correspondências deixaram de ser entregues no prazo por conta da paralisação. Em assembleias, os funcionários rechaçaram uma proposta acertada entre a direção dos Correios e sindicalistas.

Por conta do impasse, Dalazen decidiu que o dissídio coletivo seria definido em julgamento –o que pode levar os trabalhadores a arcarem com todos os dias parados.

Na segunda-feira (10), houve uma nova tentativa de diálogo. Godinho encontrou-se separadamente com diretores da empresa e da Fentect (Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios, Telégrafos e Similares). A estatal reiterou apoio a propostas feitas por conciliadores do TST, mas os sindicalistas as rejeitaram.

Os Correios afirmam que a greve atinge 20% dos seus funcionários. Os grevistas dizem que a adesão chega a 70%. Cerca de 35 mil dos 107 mil servidores da estatal estão trabalhando aos finais de semana para compensar os atrasos nas entregas.

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