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Moradores de Santa Teresa querem ser recebidos por Cabral; inquérito ainda não está concluído

Julio Reis

Especial para o UOL Notícias <br> No Rio de Janeiro

27/10/2011 21h30

Dois meses após o acidente com o bonde de Santa Teresa, região central do Rio de Janeiro, que deixou seis mortos e mais de 50 feridos, cerca de 40 moradores se reuniram na noite desta quinta-feira (27) para se queixar da ausência do sistema de bondes e do que consideram falta de atenção dada pelo governo do Estado à suas demandas.

Os moradores encamparam um protesto irreverente cantando marchas de carnaval parodiando o governo e exigindo justiça e o retorno dos bondinhos. Além disso, fizeram um panelaço e confeccionaram uma faixa para marcar a quantidade de dias que estão sem o bonde. Pichações na parede e cartazes colados em pontos de ônibus também eram vistos.

A presidente da Associação dos Moradores do bairro, Elzbieta Mitkiewicz, disse que a Central, empresa do Estado que administra o bonde, não tem ouvido os moradores e pediu que o governador Sérgio Cabral os receba para que seja dada atenção às reivindicações do bairro.

"A ausência do bonde e a morte das pessoas por conta do descaso do poder público me toca”, disse Santiago José, comerciante do bairro presente no protesto, ele acrescentou ainda que a ausência do tradicional transporte afeta os negócios. “O bonde atinge a questão do transporte aqui no bairro e do turismo. Na primeira semana depois do acidente, a movimentação do comércio caiu em mais de 50%. Agora melhorou, mais ainda não está como antes. O turista vê que o bonde está fechado e não vem mais aqui”, acrescentou.

Mais cedo, às 16h, os comerciantes do bairro aderiram ao protesto e, como gesto simbólico, fecharam as portas por dez minutos.

Para a atriz Bruna Renha, o número de manifestantes foi baixo. “As pessoas estão acomodadas, mas isso é por conta da frustração de tentar, tentar e não conseguir que as coisas mudem, mas ainda existem pessoas interessadas, por isso que eu saí de casa e vim aqui hoje”, disse Renha.

Inquérito policial

Novo responsável pela 7° Delegacia de Polícia em Santa Teresa, o delegado Fabio da Costa Ferreira, que assumiu no dia 13 de outubro, diz que o inquérito continua em andamento. Ele rebateu as insinuações de que sua chegada à delegacia possam significar uma tentativa de esvaziar as investigações ou prejudicar o caso.

“Isso gera uma carga de desconfiança com o relação ao meu trabalho, mas não se pode evitar que as pessoas imaginem o que quiserem. De qualquer modo, o delegado Tarcísio Jansen (ex-delegado da 7° DP) não saiu daqui à revelia. Antes, no entanto, ele me passou todos os detalhes do caso”, disse Ferreira.

O novo delegado disse que as diligências já foram quase todas realizadas, mas que ainda aguarda um laudo complementar do Instituto de Criminalística Carlos Éboli. Ferreira, no entanto, diz que está reavaliando o inquérito para decidir se há a necessidade de depoimentos complementares.

Ele evitou falar em responsabilidades, mas não as descartou. “Como ainda estou analisando o processo, considero irregular fazer um juízo preliminar de valor de responsabilidade criminal. Mas, se ficar comprovado no inquérito que as condições técnicas e mecânicas do bonde foram determinantes para o acidente, nós temos que identificar quem seria responsável por impedir que esse transporte circulasse”, afirmou.

O delegado diz que trabalha para conseguir terminar o inquérito até o dia 9 de novembro, mas pode pedir a prorrogação por mais 30 dias.

Secretário ainda não deu esclarecimentos

O Ministério Público, que se comprometeu em instalar um procedimento interno de investigação das eventuais responsabilidades do secretário de Transportes, Júlio Lopes --após receber uma série de documentos do vereador Paulo Messina (PV) que comprovariam que o secretário não poderia alegar desconhecer a situação precária dos bondes-- disse que o secretário ainda não prestou esclarecimentos, mas que não foi estabelecido um prazo para tanto.

Nesta quarta-feira (26), a comissão de transportes da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, aprovou um requerimento adiando audiência pública previamente marcada para o dia 31 de outubro em que o secretário de Transportes é convocado a prestar esclarecimentos sobre o acidente e a situação dos bondes em Santa Teresa.

Cotidiano