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Homem apontado como chefe do tráfico na Rocinha é transferido para Bangu; Cabral quer Nem fora do Rio

Rodrigo Teixeira<br> Especial para o UOL Notícias*

No Rio de Janeiro

10/11/2011 13h46Atualizada em 10/11/2011 14h42

O traficante Antonio Bonfim Lopes, 35, já foi transferido para o presídio Complexo Penitenciário de Gericinó, onde fica Bangu 1. Conhecido como Nem, o traficante prestou depoimento na PF após ter sido preso no início da madrugada de hoje ao tentar fugir da favela da Rocinha dentro do porta-malas de um Corolla preto. Nem comandava o tráfico na comunidade, uma das maiores favelas da América do Sul.

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), no entanto, disse que Nem e todos os demais criminosos detidos serão transferidos para presídios federais fora do Estado.

Em entrevista à rádio CBN, Cabral declarou que o trabalho de pacificação prosseguirá pelos próximos dias e fez um apelo para que os traficantes que ainda estão na favela se entreguem sem resistir.

A prisão de Nem aconteceu quando o carro em que ele estava foi parado durante operação do Batalhão de Choque, na Lagoa Rodrigo de Freitas, próximo ao Clube Naval, na zona sul do Rio.

Polícia prende traficante "Nem"; assista

Os policias desconfiaram de um veículo, inicialmente identificado como pertencente ao consulado do Congo, e informaram ao motorista que o carro seria revistado. O suposto funcionário do consulado, aparentando nervosismo, negou a revista alegando imunidade. 

Os agentes, que faziam uma blitz na região e já haviam parado vários carros, disseram que iriam acompanhar o veículo até a sede da PF. No caminho, o motorista do Corolla parou o veículo e ofereceu dinheiro aos PMs em troca da liberação, mas o suborno ficou só na tentativa. A oferta começou com R$ 20 mil e chegou até a R$ 1 milhão.

Policias Federais foram chamados e, ao abrirem o porta-malas, encontraram Nem, que se entregou sem resistir.

O veículo foi escoltado por terra e também pelo ar, por um helicóptero da polícia, até a sede da Superintendência da Polícia Federal, no Rio, para onde o traficante foi levado.

  • Reprodução

    Antonio Francisco Bonfim Lopes, conhecido como Nem, ex-funcionário de uma empresa de telecomunicações, entrou no crime organizado sem querer depois de pedir dinheiro emprestado ao então chefe do tráfico da Rocinha, Lulu, para bancar o tratamento hospitalar de uma de suas filhas.

  • Apontado como chefe do tráfico de drogas na Rocinha, era procurado pela polícia por tráfico, lavagem de dinheiro, homicídios, sequestro e cárcere privado e porte ilegal de arma.

    Ele liderava a facção criminosa ADA (Amigos dos Amigos) e possuía característica incomum entre os criminosos mais procurados do Rio: nunca havia sido preso. Segundo a polícia, atuava no crime há dez anos, cinco como chefão das bocas mais rentáveis da cidade. Nem assumiu o controle do tráfico na Rocinha, juntamente com João Rafael da Silva, o Joca, após a morte do traficante Bem-te-vi, em 2005.

    Em agosto de 2010, com a ajuda de comparsas muito bem armados e com o treinamento tático, escapou de um confronto com policiais quando saía de um baile no morro do Vidigal, invadindo um hotel de luxo. No episódio, 35 pessoas foram feitas reféns. Atualmente, também era procurado pelo desaparecimento das jovens Luana Rodrigues e Andressa de Oliveira.

Além de Nem e do motorista, estava no carro também um homem que se identificou como advogado durante a abordagem policial.

Na sede da Polícia Federal, Nem teve direito a uma ligação telefônica. Falou com a mãe, a quem tranquilizou e pediu que seus filhos fossem para a escola normalmente.

"Ele tem sete filhos, dois adotados, de três mulheres diferentes, e disse que, quando sair da prisão, voltará a ter uma vida normal", afirmou o comissário de polícia, Victor Poubel.

Policiais faziam escolta para o tráfico

Nesta semana estão acontecendo operações policiais na comunidade para evitar fugas. A informação de que policiais poderiam dar proteção ao chefe do tráfico Antônio Bonfim Lopes, o Nem, levou mais cedo agentes da Corregedoria Interna da Polícia Civil à favela. 

Na noite de quarta-feira (9), a PF prendeu cinco policiais que faziam a escolta de cinco traficantes que tentavam fugir da favela da Rocinha. Foram presos três policiais civis --dois da Delegacia de Roubos e Furtos e um da Secretaria de Saúde Pública--, um policial militar reformado e um ex-policial militar.

Os presos estavam em quatro carros e foram abordados quando saíam da Rocinha, próximo a um shopping na Gávea. Eles estavam armados, mas não houve troca de tiros.

Os policiais presos são: Carlos Daniel Ferreira Dias, policial civil da Secretaria de Saúde Pública; Carlos Renato Rodrigues Tenório e Wagner de Souza Neves, policiais civis lotados na Delegacia de Roubo e Furtos de Cargas; José Faustino Silva, policial militar reformado; e Flávio Melo dos Santos, ex-policial militar.  

Além deles, foram presos os traficantes Sandro Luis de Paula Amorim, o "Peixe", chefe do tráfico no morro da Coroa --comandado pela ADA (Amigos dos Amigos), a mesma facção de Nem--; Anderson Rosa Mendonça, o "Coelho", chefe do tráfico no morro São Carlos; Varquia Garcia, o "Carré", que coordenava o tráfico na Rocinha; Paulo Roberto Lima da Luz, conhecido como “Paulinho”; e Sandro Oliveiro.  

Implantação de UPP

A polícia está monitorando a Rocinha para implantar, no próximo fim de semana, uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) na região. 

Ontem, o ministro da Defesa, Celso Amorim, assinou a permissão para a participação da Marinha na operação.

Segundo a Marinha, serão usados os carros blindados Lagarta Anfíbio, que serão operados por fuzileiros navais. 

* Com informações de Roberto de Martino e das agências Estado e AFP

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