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Vítima de racha em Campinas (SP) disputaria campeonato mundial de jiu-jítsu nos EUA

Maurício Simionato

Do UOL Notícias, em Campinas (SP)

18/11/2011 15h48

O professor de jiu-jitsu Kaio César Alvez Muniz Ribeiro, 23, que foi morto após ser atropelado durante um racha nesta madrugada de sexta-feira (18), em Campinas (93 km de SP), se preparava para disputar o campeonato mundial de jiu-jítsu nos Estados Unidos, segundo informação de seus familiares.

Ribeiro era atleta da Federação de Jiu-Jítsu do Estado de São Paulo, vice-campeão brasileiro e campeão paulista adulto. Neste fim de semana, disputaria um campeonato da luta no interior do Estado de São Paulo.

O professor foi atropelado depois que a empresária Adriane Aparecida Pereira Diniz Ignácio de Souza, 42, perdeu o controle do Audi que dirigia durante um racha, segundo informações fornecidas pela Polícia Civil.

O atropelamento aconteceu na avenida Júlio Prestes, no bairro Taquaral,  proximidades do balão da Bela Vista. O professor de jiu-jítsu foi arrastado por quase 30 metros e ficou preso nas ferragens de um portão. Ele ainda foi socorrido com vida, mas morreu no hospital municipal Dr. Mário Gatti.
 
O racha estava sendo feito entre a empresária que estava no Audi e o empresário Fabrício Narciso Rodrigues da Silva, 32, que dirigia um veículo Camaro, segundo a polícia.

No momento do acidente, o professor estava retornando a pé da casa da namorada e parou para utilizar um orelhão. Com o impacto da batida, o veículo Audi destruiu o telefone público onde ele estava e parte do muro de uma casa.

Os dois empresários foram presos em flagrante e indiciados por homicídio doloso (com intenção de matar), embriaguez ao volante e racha (corrida entre carros em alta velocidade). Segundo a Polícia Civil, eles não terão direito a pagar fiança para deixar a prisão.

O exame de bafômetro realizado na empresária constatou que ela ingeriu álcool acima do limite permitido pela legislação. Foi apontado nível de 0,42mg/l, enquanto o limite máximo permitido é até 0,3mg/l. No carro dela, a polícia encontrou duas latinhas e uma garrafa long neck de cerveja.

Já o empresário Rodrigues da Silva se recusou a fazer o teste de bafômetro, mas fez o exame de sangue. O resultado não havia sido divulgado até o início da tarde desta sexta-feira (18). Ele ainda tentou fugir do local do acidente, segundo a polícia, mas foi localizado e acabou sendo preso poucos minutos após o atropelamento.

Em depoimento à polícia, os dois empresários negaram que estavam disputando um racha, mas dois policiais militares, que faziam ronda nas imediações do acidente, disseram que os dois motoristas estavam em alta velocidade. Os PMS chegaram a ver uma lata de cerveja ser arremessada pela janela do carro do Camaro minutos antes do acidente.

O empresário que dirigia o Camaro estava acompanhado de um homem, que sofreu ferimentos leves e deixou o hospital. Ele também foi ouvido pela polícia, mas foi liberado.

Após prestar depoimento, a empresária Adriane foi encaminhada a Cadeia Feminina de Paulínia (SP). Já o empresário Rodrigues da Silva deve ser transferido para a o CDP (Centro de Detenção Provisória de Hortolândia). Ele estava detido provisoriamente na cadeia anexa do 2º DP de Campinas até o início desta tarde.

O enterro do corpo do professor está marcado para este sábado, às 8h30, no Cemitério da Saudade, em Campinas.