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Chevron diz que vazamento foi controlado e que vai lacrar poço em dezembro

Sabrina Craide

Da Agência Brasil, em Brasília

24/11/2011 18h12

O presidente da Chevron para África e América Latina, Ali Noshiri, disse hoje (24) que o vazamento de petróleo no campo de Frade, na bacia de Campos, já foi controlado, restando uma mancha que corresponde a décima parte de um barril de petróleo (cerca de 16 litros). “Esperamos que ela desapareça e acreditamos que a operação foi bem-sucedida”, disse, após reunião com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão.


Segundo Noshiri, a prioridade da empresa, agora, é selar e abandonar o poço com segurança, o que deve ser feito até meados de dezembro. Ele também não quis fazer previsão de quando a empresa voltará a atuar na extração de petróleo no país. “Isso depende do governo, não seria justo se eu fizesse uma previsão”. O executivo destacou que a unidade brasileira tem um dos melhores índices de segurança entre todas as operações da companhia no mundo.

Na avaliação do executivo, a complexidade geológica da região pode ter contribuído para o acidente. “Estamos lidando com a Mãe Natureza e ela é complicada. Cada parte do reservatório é diferente, mas temos pessoal altamente qualificado trabalhando nisso. Devemos fazer uma avaliação mais detalhada para ter certeza de que não acontecerá de novo”.

Veja as imagens do vazamento divulgadas pela ANP


Sobre a possibilidade de o governo brasileiro proibir as atividade de exploração da Chevron no país, Noshiri disse que essa é uma decisão governamental e lembrou que a empresa atua em 150 países. “O Brasil é importante, mas se o governo decidir, vamos respeitar”. Segundo ele, a empresa irá revisar as multas que receber dos órgãos brasileiros e “seguir os procedimentos de acordo com regulamentação brasileira”.

Compare o acidente na bacia de Campos com o vazamento no golfo do México em 2010, o pior da história dos Estados Unidos

 EUABRASIL
 
EmpresaBP (Reino Unido)Chevron (EUA)
MultaR$ 35 bilhõesR$ 50 milhões
Litros vazados779 milhões365 mil litros*
Multa: R$/litro44,9 136,7
  • Fonte: Folha de S. Paulo
  • * Estimativa da ANP

O ministro Lobão explicou que a empresa poderá continuar operando nos outros 11 poços que explora no Campo de Frade, mas está proibida de fazer novas perfurações, conforme determinação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). “Até que a agência conclua as suas investigações e possa modificar os seus estudos e as suas determinações, eles continuarão impedidos de perfurar novos poços".

O ministro espera que a ANP “seja firme, rigorosa, porém justa” na avaliação da responsabilidade da Chevron no acidente. “O Brasil respeita os contratos, mas exige respeito às suas regras internas. Se a agência [ANP] determinou a punição temporária é porque estava no convencimento de que algo precisava ser melhor apurado”, disse o ministro.

Também participaram da reunião com o ministro o presidente da Chevron América Latina, Don Stlelling, o presidente da Chevron Brasil, George Buck, e a diretora de Desenvolvimento de Negócios da Chevron Brasil, Patricia Padol.

Cotidiano