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Habitante de favelas brasileiras ganha menos que o salário mínimo, aponta Censo

Janaina Garcia

Do UOL Notícias, em São Paulo

21/12/2011 10h00

O rendimento médio mensal de um morador em áreas de ocupação no Brasil é de R$ 510 –inferior ao salário mínimo no país, atualmente, de R$ 545. O dado consta do estudo sobre aglomerados subnormais divulgado nesta quarta-feira (21) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), material que complementa o Censo 2010 e que foca comunidades carentes originadas em ocupações e com número mínimo de 51 domicílios.

O estudo considerou o rendimento de pessoas a partir de dez anos. A média de R$ 510 mensais leva em consideração o rendimento mensal de R$ 600 para homens e de R$ 510 para mulheres.

Por regiões, o pior rendimento está nas regiões Norte e Nordeste. O Sul, com R$ 630, apresentou o rendimento mais alto –e também a maior diferença por gênero:  R$ 754 para homens contra R$ 547 de mulheres.

Tipos de aglomerados
pelo Brasil

  • No Rio de Janeiro, as favelas estão em encostas íngremes e de alta densidade populacional

  • Em Macapá (AP), as comunidades carentes ficam em baixadas permanentemente inundadas

  • Em Manaus (AM), as aglomerações ficam em áreas de igarapés

  • Em São Luís (MA), os aglomerados estão predominantemente na periferia da capital

Sudeste e Centro-Oeste também empataram –ainda que, com R$ 600 de rendimento médio mensal, estejam acima da média no país.

Por Estados, os valores mais baixos foram identificados pelos pesquisadores no Acre, Amazonas, Roraima, Pará, Amapá e Tocantins, no Norte; e no Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, na Paraíba, em Pernambuco, Alagoas, Sergipe e na Bahia, no Nordeste –em todos, média mensal de R$ 510.

No Sudeste, os rendimentos mais baixos foram em Minas Gerais (R$ 510) e no Espírito Santo (R$ 511), seguidos de Rio de Janeiro (R$ 580) e São Paulo (R$ 650). Nos Estados do Centro-Oeste, a escala segue de Goiás (R$ 510), mais baixo, ao Distrito Federal, mais alto (R$ 600).

No Sul, o rendimento mais alto foi anotado em Santa Catarina (R$ 730), seguido do Paraná (R$ 700) e Rio Grande do Sul (R$ 600).

Favelas mais populosas

É nos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Pará e no Distrito Federal que estão localizadas as 20 favelas mais populosas do Brasil, identificou o estudo.

O levantamento integra os resultados do Censo 2010, divulgado em abril deste ano, e traz a Rocinha, na capital fluminense, como a comunidade carente mais populosa do país, com 69.161 moradores. Em segundo lugar está a favela do Sol Nascente, em Brasília, com 56.483 moradores (veja quadro).

O estudo analisou o perfil dos aglomerados subnormais do país, termo usado pelo IBGE para designar áreas como favelas, invasões e comunidades com, no mínimo, 51 domicílios. São critérios ainda essas áreas serem fruto de ocupação e carentes de serviços de assistência básica adequados.

De acordo com a pesquisa, em 2010 o Brasil possuía 6.329 dessas áreas de aglomerados subnormais em 323 dos 5.565 municípios brasileiros. Entre as 20 mais populosas, além de a Rocinha ser aquela que concentra mais moradores, o Estado do Pará surge com dez localidades –nas quais vivem quase 200 mil habitantes.

Em São Paulo, Estado que concentra a maior parte dos moradores em aglomerados do tipo --2,715 milhões de pessoas--, as favelas mais populosas são as de Paraisópolis (zona oeste da capital), com 42.826 pessoas, e Heliópolis (zona sul), com 41.118.

As dez maiores favelas do Brasil

 NomeEstadoPopulação
RocinhaRJ69.161
Sol NascenteDF56.483
Rio das PedrasRJ54.793
CoroadinhoMA53.945
Baixadas da Estrada Nova JurunasPA53.129
Casa AmarelaPE53.030
PirambúCE42.878
ParaisópolisSP42.826
Cidade de DeusAM42.476
10ºHeliópolisSP41.118
  • Fonte: IBGE

11 milhões em favelas

Pelo estudo, um total de 11.425.644, o equivalente a 6% da população do país --ou pouco mais de uma população inteira de Portugal ou mais de três vezes a do Uruguai--, é o total de pessoas que vivem atualmente no Brasil em favelas.

O número foi divulgado nesta quarta-feira (21) pelo instituto. Além do mínimo de moradias, outro critério-chave para classificar essas áreas como aglomerados subnormais é carência: com origem em ocupações de locais públicos ou particulares, a maioria sofre a falta ou a inadequação de serviços públicos de qualidade, além de, em geral, estarem dispostas densa e desordenadamente.

O contingente identificado pelos pesquisadores em todo o Brasil está em pouco mais de 3,224 milhões de domicílios, a maioria, 49,8%, na região Sudeste --com destaque para os Estados de São Paulo, com 23,2% dos domicílios, e Rio de Janeiro, com 19,1%. Em toda a região, são mais de 5,580 milhões vivendo nesses aglomerados.

Em população, o território paulista apresentou um total de pouco mais de 2,715 milhões de moradores em áreas carentes, diante de aproximadamente 2 milhões no Estado do Rio. Em Minas Gerais, são 598.731 moradores nessas localidades; no Espírito Santo, 243.327.

A região Nordeste é a segunda com maior número de moradores em comunidades carentes: são 3.198.061 de pessoas ou 28,7% do total nacional; a maioria, nos Estados da Bahia (970.940) e Pernambuco (875.378). O Norte vem na sequência, com 14,4% ou 1.849.604 de pessoas --a grande maioria, 1.267.159 (10,1%), no Pará.

O Sul aparece no mapeamento como a quarta região com mais comunidades carentes, 5,3% ou 590.500, mais da metade, 297.540, no Rio Grande do Sul. Em último lugar vem o Centro-Oeste, com 206. 610 pessoas ou 1,8% do total nacional nos aglomerados subnormais –133.556, apenas no Distrito Federal.

Regiões metropolitanas

De acordo com censo das áreas carentes, a maioria esmagadora de seus domicílios está concentrada em um grupo de 20 regiões metropolitanas (RMs) --são 88,6%, ao todo, sobretudo na RM de São Paulo (596.479 pessoas), na do Rio (520.260), de Belém (291.771), Salvador (290.488) e Recife (249.432).

Segundo os pesquisadores, uma explicação possível para a presença maciça de favelas nas regiões metropolitanas com mais de um milhão de habitantes é a concentração demográfica e a maior oferta de emprego no município-núcleo --não necessariamente, ainda que na maior parte das vezes, uma capital.

O estudo

O primeiro levantamento sobre as favelas no país foi feito pelo IBGE em 1953, no estudo “As favelas do Distrito Federal e o Censo Demográfico de 1950”. O termo aglomerados subnormais, porém, só passou a ser adotado em 1987, usado no Censo de 1991 e de 2000.

É a partir do Censo 2010, contudo, que os tipos mais diversos de aglomerados são analisados, uma vez que inovações tecnológicas e de método de trabalho, de acordo com o instituto, tornaram a pesquisa mais aprimorada –sobretudo pelo uso de imagens de satélite e GPS.

Por esse motivo, explicaram os pesquisadores, não é possível comparar de forma linear o número de moradores em aglomerados do tipo em 2000, 6.535.634, com os mais de 11 milhões atuais.

Há uma década, porém, São Paulo (2.071.117 de pessoas) e Rio de Janeiro (1.387.889) já despontavam como as áreas mais populosas desses aglomerados.

Já áreas de aglomerados contíguos, localizados dentro das áreas analisadas, mas fora do padrão de um mínimo de 51 domicílios, não foram analisados. Em função disso, alertam os pesquisadores do IBGE, números de moradores de favelas divulgados por Estados ou municípios podem soar destoantes daqueles divulgados pelo Censo.

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