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"Polícia Rodoviária Federal teve que se esconder de balas da PM", diz secretário do governo federal atingido em reintegração

Camila Campanerut

Do UOL, em Brasília

23/01/2012 19h59

O secretário nacional de articulação social da Secretaria Geral da Presidência da República, Paulo Maldos, concedeu na noite desta segunda-feira (23) uma entrevista coletiva na qual contou como ocorreu a ação da Polícia Militar na reintegração de posse da área conhecida como Pinheirinho, em São José dos Campos (97 km de São Paulo). Ele estava no local durante a ação, realizada no domingo (22).

“A Polícia Rodoviária Federal teve que se esconder de balas da Polícia Militar do Estado de São Paulo”, disse o secretário do governo federal, que foi atingido na perna esquerda quando tentava entrar na comunidade.


“[Estou] Extremamente indignado. Não por mim, mas pela questão simbólica da federação. Houve uma agressão ao pacto federativo”, completou, criticando a atuação da polícia do Estado comandado pela oposição, o PSDB de Geraldo Alckmin.

Maldos foi enviado pela secretaria, que tem status de ministério, para conversar com a comunidade e ajudar os envolvidos a fechar uma proposta de consenso entre as partes. No entanto, segundo ele, mesmo avisando a polícia de que era funcionário do governo federal, os policiais disseram para ele se afastar do local senão eles atirariam.

“Fiquei ali conversando com as pessoas da comunidade e de repente, começaram a voar bombas de gás na nossa direção. E eu afirmo que não houve nenhum tipo de provocação por parte daquelas pessoas”, conta.

“Eu não gostaria de usar estes adjetivos [covardes, truculentos], mas gostaria de dizer que estou indignado, foi uma ação absolutamente imprópria [da polícia]. Eu gostaria de colocar a minha questão pessoal em relevo, mas a comunidade Pinheirinho foi agredida de forma brutal ao longo de todo o dia de ontem e na manhã de hoje”, completou.

Briga de poder

Maldos afirmou ainda que, quando tentou entrar na comunidade seguindo um grupo de jornalistas, foi impedido por um policial. “Você não vai entrar e, se você quiser, você pede para sua presidente falar comigo. Esta foi a frase do oficial que levou os jornalistas para dentro do local”, relatou o secretário, sem saber citar o nome do policial em questão.

O secretário reiterou que o governo federal não pretende puxar o comando das ações na região para si, mas que continua “à disposição” para manter o diálogo, que inclui a desapropriação e a construção de prédios para os moradores.

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