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Justiça decreta ilegalidade da greve de PMs da Bahia; policiais dizem que vão recorrer

Heliana Frazão

Do UOL, de Salvador

2012-02-02T13:20:07

02/02/2012 13h20

A Justiça baiana decretou nesta quinta-feira (2) a ilegalidade da greve deflagrada na última terça (31) por policiais militares do Estado ligados à Associação de Policiais e Bombeiros da Bahia (Aspra). O juiz determinou a volta imediata ao trabalho.

A posição da Justiça chega no momento em que os grevistas tinha conquistado o apoio da Associação de Policiais Militares da Bahia (APPM), entidade de maior representatividade da categoria, com cerca de 8.000 filiados. São quatro as entidades que representam os PMs no Estado.

Manifestantes acamparam na Assembleia
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A decisão é assinada pelo juiz Rui Brito, da 6ª Vara da Fazenda Pública, que estipulou multa diária de R$ 85 mil caso a medida não seja acatada. O juiz argumentou que o policiamento é uma atividade indispensável e essencial à ordem pública e à segurança de todos.

“Essa decisão não vai mudar o nosso pensamento, e o departamento jurídico da entidade já está adotando as medidas cabíveis”, disse o presidente da Aspra, soldado Marcos Prisco Caldas, em resposta à liminar.

A categoria reivindica o pagamento da GAP (gratificação por atividade policial), incorporação da GAP ao soldo, regulamentação do pagamento de auxílio-acidente e adicionais de periculosidade e insalubridade, entre outros pontos.

Apesar da paralisação de parte dos militares, que estão acampados no prédio da Assembléia Legislativa do Estado, o comando da PM diz desconhecer o movimento. Para tranqüilizar a população e demonstrar que não há greve, a corporação colocou 1.200 homens fazendo a segurança de quem assistirá à tradicional festa de Iemanjá, que acontece hoje no bairro do Rio Vermelho, orla da capital baiana.

No interior o movimento também ganhou a adesão de policiais dos municípios de Jequié, no sudoeste do Estado, e de Santo Antônio de Jesus, no recôncavo baiano. Há movimentação nesse sentido também em Ilhéus, sul do Estado.

Em Feira de Santana, segunda maior cidade da Bahia, onde há policiais paralisados, na noite desta quarta-feira (1º) um grupo de grevistas tentou impedir a realização da partida de futebol entre os times do Vitória e Fluminense de Feira. O grupo visava a convencer os colegas de plantão a aderirem à paralisação.

Entre os lojistas de Salvador o clima é de insegurança por causa dos boatos que se espalham, dando conta da possibilidade de ocorrerem arrastões. Não há registro de que já tenham acontecido ações criminosas desse tipo, à exceção de cinco agências do Banco do Brasil, que foram alvejadas por vários disparos de arma de fogo, nesta madrugada.

Policiais civis

Nesta sexta-feira (3), os policiais civis se reunirão em assembléia convocada pelo sindicato da categoria, o Sindipoc, para avaliar a paralisação parcial da Polícia Militar.

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