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Barulho influencia no aumento da violência urbana das grandes cidades, diz fonoaudióloga

Gabriela Fujita

Do UOL, em São Paulo

01/05/2012 06h00

O barulho em São Paulo é constante e pode alterar o comportamento das pessoas e aumentar a violência urbana. Essa é a opinião da fonoaudióloga Alice Penna de Azevedo Bernardi, da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia. "Em uma cidade como São Paulo você tem aumento da violência e da agressividade por conta dessa exposição continuada”, diz.
 
O transporte público, o trânsito e os locais de lazer acabam sendo fontes de ruído acima do recomendável pela prefeitura e pelas leis trabalhistas. Ônibus e motos em aceleração, por exemplo, ultrapassam os limites recomendados. Para se ter ideia, em uma rápida medição na rua, Alice verificou índices próximos a 90 decibéis produzidos por motores de ônibus, e superiores a isso no caso de buzinas de motos. Uma balada com música pode representar um “ataque” aos ouvidos entre 110 e 115 decibéis. “Não é à toa que a gente percebe até um problema de comportamento, as pessoas estão mais estressadas", diz.

Ônibus e motos são vilões do ruído no trânsito de São Paulo

UOL Notícias

Até mesmo as opções de lazer devem ser escolhidas considerando o perigo que representam. Jovens e adolescentes não devem deixar de frequentar locais com música alta, até mesmo porque a batida e o ritmo podem ser prazerosos, mas o ideal seria fazer pausas de 15 a 20 minutos, em ambientes mais silenciosos, após uma hora de exposição ao ruído. “Isso precisa deixar de estar na moda, e para isso vai ser necessário ter legislações mais duras. Mas, antes de elas aparecerem, a gente vai precisar ter uma consciência social do quanto isso é prejudicial para a saúde de todos”, diz a fonoaudióloga.

O programa Psiu, da prefeitura, fiscaliza estabelecimentos comerciais e obras em São Paulo. De 2010 para 2011, o número de reclamações caiu cerca de 4% e o número de atendimentos teve redução por volta de 2%. Já o número de bares lacrados e multados por funcionarem após a 1h -- o que não é permitido -- ou por emitirem ruído acima do previsto em lei cresceu quase 10% (de 603 bares, em 2010, para 661 bares, em 2011). Em 2012, até o mês de fevereiro, o programa recebeu 4.879 reclamações, realizou 5.426 atendimentos, lacrou e multou 94 bares e autuou outros sete.