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Carta escrita por goleiro Bruno pede a Macarrão para assumir assassinato de Eliza, diz revista

Rayder Bragon

Do UOL, em Belo Horizonte

07/07/2012 14h37

O goleiro Bruno Souza teria escrito uma carta endereçada a Luiz Henrique Romão, o Macarrão, ex-braço direito dele, pedindo para o amigo assumir o assassinato de Eliza Samudio, ex-amante do jogador desaparecida em junho de 2010. Ambos estão presos acusados de matar a jovem.

A carta teria sido interceptada por um agente da penitenciária de segurança máxima Nelson Hungria, em Contagem (MG), e foi revelada na edição desta semana da revista Veja. Bruno e mais sete réus vão a júri popular ainda sem data marcada, pelo sumiço de Eliza.

Segundo a revista, o conteúdo da correspondência sugere que o goleiro, com o envio da carta, coloca em prática uma estratégia intitulada de “plano B”, sendo que o “plano A” era negar a autoria da morte da jovem, o que os réus sempre afirmaram até o momento.

“Eu sinceramente nunca pediria isso para você, mas hoje não temos que pensar em nós somente. Temos uma grande responsabilidade que são nossas crianças”, reproduziu a revista, atribuindo a frase ao goleiro, que teria complementado: “você me disse que se precisasse você ficaria aqui e que era para eu nunca te abandonar. Então, irmão, chegou a hora”.

Ainda conforme a revista, Bruno teria pedido, por três vezes, perdão a Macarrão. Luiz Henrique não teria recebido a correspondência. Segundo Veja, a assinatura de Bruno na carta foi atestada por dois peritos.

Após assumir a defesa do goleiro, o advogado Rui Pimenta lançou a estratégia de jogar a culpa em Macarrão, a quem atribuiu ter “verdadeira adoração” pelo goleiro e ainda sublinhou uma suposta paixão homossexual do amigo pelo atleta. Segundo Pimenta, o goleiro foi envolvido no caso sem saber de nada e Macarrão seria o mentor do crime.

Acesso ao inquérito

A reportagem ainda aponta que Veja teve acesso ao inquérito produzido pela Polícia Civil de Minas Gerais sobre a morte de Eliza.

Além isso, a revista afirma ter colocado em prática uma “investigação paralela” que comprovaria a tese da acusação de que Bruno e os outros réus tramaram com bastante antecedência a morte da jovem, cujo relacionamento com Bruno veio à tona em 2009 – quando ela o acusou publicamente de espancamento e ameaça de morte, além de divulgar que o goleiro teria a obrigado a tomar remédios abortivos quando soube que ela estava grávida. O filho de Eliza nasceu em fevereiro de 2010 e seria de Bruno. 

Em um dos trechos, a reportagem diz que Eliza possuía um vídeo e ameaçava divulgá-lo. O conteúdo teria “efeito devastador sobre a reputação de Bruno”.

Ainda conforme a revista, um homem foi localizado pela reportagem em Minas Gerais e seria o responsável por apresentar o grupo de amigos de Bruno ao ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, acusado de ser o autor do crime.

Há menção a um computador utilizado pela ex-amante de Bruno em um apartamento localizado em São Paulo, onde Eliza morou nos meses que precederam seu desaparecimento.

De acordo com o texto, a memória da máquina examinada pela polícia revelou que Eliza teria trocado centenas de mensagens eletrônicas (pelo MSN) com amigos e havia demonstrado receio das investidas do goleiro, depois de ter sido agredida por ele. Nessa época, Eliza se escondeu do jogador e se recusava a dar seu endereço. “Bruno é maluco” e à “terra do Bruno vou só com passagem de ida. Vão me matar lá”, teria escrito aos amigos.

A reportagem afirma que três pessoas “ligadas a Bruno” haviam dito que Macarrão e um homem não identificado tinham ido a Santos (SP) atrás de Eliza por conta de uma informação sobre seu paradeiro.

Eliza, segundo a investigação da polícia, finalmente foi atraída a Minas Gerais com a promessa de receber um apartamento, um exame de DNA para comprovar a paternidade e uma pensão de R$ 3.500.

Com isso, ela se deslocou de São Paulo para o Rio de Janeiro, em maio de 2010, e se instalado em um hotel, na Barra da Tijuca, esperando a promessa.

Orgia

Um dos motivos apontados pela reportagem para o suposto desejo de o goleiro querer matar Eliza seria um celular, em poder da jovem, que conteria imagens dela com Bruno e Macarrão em uma orgia sexual.

Segundo a revista, mensagens trocadas com amigos na sua estada no Rio de Janeiro reforçariam a tese da existência do vídeo. Eliza teria demonstrado irritação com a demora do goleiro em cumprir o acordo.

“Estou me contendo. Vou desestabilizar o Fla”, teria escrito Eliza a Rodrigo Alvim, colega do goleiro no time de futebol carioca, no qual Bruno era o capitão.

Do hotel, segundo as investigações, Eliza foi levada para a casa do jogador, ainda no Rio e depois para Minas Gerais, no início de junho de 2010. A jovem foi conduzida por Macarrão e um primo adolescente do jogador. Eles foram acompanhados por Bruno e sua ex-amante Fernanda Castro, ré no processo, que seguiram em outro carro, de acordo com a polícia mineira.

Eliza teria ficado em cárcere privado no sítio de Bruno, localizado em Esmeraldas, na região metropolitana de Belo Horizonte, de onde saiu, no dia 10 de junho de 2010, para ser morta na casa de Bola, levada por Macarrão, Sérgio Rosa Sales e um adolescente, ambos primos do jogador.

Por fim, a revista descreve os supostos momentos finais de Eliza, que teria sido estrangulada por Bola, e o corpo levado a um cômodo, longe da vista dos demais, para ser esquartejado. A revista rebate a afirmação de que pedaços do corpo foram atirados a cães da raça rottweiller, pertencentes a Bola. Segundo Veja, a encenação teria sido armada pelo ex-policial para amedrontar as testemunhas do assassinato (Macarrão, Sergio Rosa Sales e o adolescente).

A polícia não conseguiu localizar o corpo da ex-amante do goleiro até hoje. 

O UOL tentou entrar em contato com Rui Pimenta, advogado de Bruno, e Leonardo Diniz, defensor de Macarrão, mas os celulares estavam desligados.

Cotidiano