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Projetado por Niemeyer, teatro em Uberlândia (MG) é inaugurado 23 anos após projeto ser feito

Valter de Paula/Prefeitura de Uberlândia
Teatro Municipal de Uberlândia (MG): discussão agora é para saber quem poderá se apresentar no espaço Imagem: Valter de Paula/Prefeitura de Uberlândia

Renata Tavares

Do UOL, em Uberlândia

2012-12-20T15:23:00

20/12/2012 15h23

Quinze anos depois de a obra ter começado, o Teatro Municipal de Uberlândia (547 km de Belo Horizonte) será inaugurado nesta quinta-feira (19). A obra custou cerca de R$ 25 milhões. Em 2010, o orçamento básico do imóvel era de R$ 14 milhões e seria para a conclusão da obra. O valor previsto no início da construção não foi informado. O projeto do teatro é do arquiteto Oscar Niemeyer e foi feito em 1989. O arquiteto morreu no começo deste mês, aos 104 anos.

Em 1997, o prédio começou a ser erguido. Em 2001, segundo a Prefeitura de Uberlândia, o então prefeito Virgílio Galassi (PP) assinou um protocolo em que dizia ter entregado 40% de estrutura e infraestrutura do prédio  para o prefeito eleito na época e rival político, Zaire Rezende (PMDB).

Naquele ano, de acordo com a ex-secretária de Cultura Lídia Meireles, ao receber o projeto da antiga gestão foram encontradas irregularidades, inclusive a venda de poltronas cativas para captação de recursos, o que motivou a secretaria a solicitar alterações no projeto.

“Tendo em vista a resistência em relação às mudanças no convênio propostas por nós, tivemos que entrar com uma ação judicial. Com isso, infelizmente, perdemos dois anos."

Em 2003, segundo Lídia, o orçamento do projeto foi refeito e a proposta foi integrada à Lei Rouanet. “Antes, o projeto era aprovado por etapas de construção. Foi constituída comissão com vistas à captação de recursos, o que foi feito ainda neste ano de 2003”, disse.

Desde aquele ano, as obras seguiram em ritmo lento e, até 2009, a prefeitura ainda não tinha a escritura do terreno.

Foi então, que o atual prefeito Odelmo Leão (PP) registrou em cartório o imóvel que passou a fazer do patrimônio municipal.  Já em 2010, a prefeitura precisou fazer um novo processo licitatório para que as obras tivessem continuidade.

Inauguração

O teatro tem uma área total de 66.669,92 metros quadrados, com 5.000 metros quadrados de área construída. O espaço tem 816 poltronas, incluindo algumas especiais para deficientes físicos e obesos.

Assim como o auditório localizado no parque do Ibirapuera, em São Paulo, o teatro da cidade mineira conta com um palco reversível, que permite a realização de espetáculos voltados à área externa, para um público de aproximadamente 25 mil pessoas. Artistas e grupos de teatros locais irão estrear o palco do Teatro, que demorou 15 anos para ser concluído.

“Atraso para a cidade”

Para Carlos Guimarães, autor do livro “Nau à deriva”, que trata da história do Teatro Municipal de Uberlândia, o longo período de espera para a construção do espaço foi um "atraso para a cidade". “Foram anos de ansiedade de angústia, de espera e de oportunidades perdidas de evolução cultural. Agora é correr atrás do tempo perdido”, disse.

Segundo Guimarães, o teatro irá ocupar uma lacuna na história da cidade. “Eu já trouxe mais de 200 grandes espetáculos para cá e deixei de trazer outros tantos por que o espaço existente não era o ideal. Agora, podemos não somente colocar Uberlândia na rota de grandes espetáculos em turnê pelo país, como há a oportunidade de criar projetos para que artistas locais ocupem aquele espaço em nível profissional”, disse.

Impasse sobre o uso

Após a inauguração do espaço, a administração terá de resolver um impasse: as regras de utilização do espaço.

Na semana passada, um projeto de lei de autoria do Executivo foi enviado à Câmara. Pela proposta, “o uso do Teatro Municipal de Uberlândia, tanto a área interna quanto a externa, é voltado exclusivamente para a realização de eventos culturais e artísticos de âmbito local, regional, nacional e internacional”.

O vereador Márcio Nobre (PSDC), que é evangélico, propôs uma emenda na lei que permita eventos culturais religiosos. “Sabemos que há um preconceito com relação à peças e apresentações evangélicas. Queremos apenas resguardar nosso direito”, disse o vereador ao UOL.

A emenda causou controvérsia. O cantor Tarcísio Manuvéi, um dos representantes da classe artística na cidade, rejeitou a ideia. “O teatro é livre de preconceitos. Quando se registra a peça teatral, a dança ou qualquer evento ninguém pergunta se é evangélico ou não”, disse.

O vereador afirmou que foi mal interpretado e retirou o pedido de emenda. “Minha assessoria entendeu mal o que eu quis dizer. Eu pedi para acrescentar apenas duas palavras ‘e religioso’, nada mais que isso", disse.

As normas para o uso do espaço foram aprovadas pela Câmara, na sessão ordinária de terça-feira (19), sem a emenda do vereador. “Não quis mudar a função social do teatro. Quis apenas resguardar que não haverá preconceito com os eventos religiosos”, afirmou.

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