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"O tiro tinha que ter me acertado", diz mãe de menina assassinada em Belford Roxo (RJ)

Os pais da menina Geovanna, morta na noite da última sexta-feira durante uma tentativa de assalto, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, mostram foto da filha - Luiz Ackermann/Agência O Globo
Os pais da menina Geovanna, morta na noite da última sexta-feira durante uma tentativa de assalto, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, mostram foto da filha Imagem: Luiz Ackermann/Agência O Globo

Julia Affonso

Do UOL, no Rio

21/01/2013 18h08

A família da menina Geovanna Vitória de Barros, morta na noite da última sexta-feira (18) durante uma tentativa de assalto em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, fez uma manifestação na praia de Copacabana, na tarde desta segunda-feira (21), pedindo Justiça para o caso.

Uma cruz preta de 40 metros de comprimento foi estendida na areia da praia e um cartaz foi levado com a pergunta "Quem Matou Geovanna?".

Inconsolável, a mãe de Geovanna, Priscila Silva de Barros, 27, chorava muito e pedia Justiça. "Ela morreu como se fosse bandido e era inocente e muito feliz. A minha vida acabou", disse. "A bala bateu no volante e pegou nela. Tinha que ter sido em mim".

Com medo de retaliação por parte dos bandidos, os pais deixaram a casa onde moravam com Geovanna e estão momentaneamente vivendo em outros lugares. "No sábado, nós vimos carros estranhos rondando a nossa casa e resolvemos sair de lá. A gente se sente muito ameaçado, porque o caso tomou uma repercussão grande", explicou o pai Adenildo Barros, 28.

No quarto da menina, ainda estão brinquedos fechados que ela ganhou quando completou um ano, no dia 29 de dezembro de 2012.

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"Espero que os bandidos sejam encontrados e paguem em dobro o que fizeram com a minha neta. Nossa família nunca fez mal para ninguém, para passar por tudo isso", disse o avô Reginaldo Grimoaldo.

O caso

Geovanna estava em uma cadeirinha para crianças no banco do carona do carro da mãe assistindo a um vídeo quando foi atingida por um tiro no tórax.

Priscila contou no depoimento dado hoje de manhã à 54ª DP (Belford Roxo), que reduziu a velocidade do carro para passar por um quebra-molas (lombada) quando um bandido saiu do carro e atirou contra elas. A bala pegou no volante e acertou a filha.

A menina foi levada para um hospital particular em Nova Iguaçu, mas, de acordo com a polícia, chegou morta ao local. O corpo de Geovanna foi enterrado ontem (20), no Cemitério de Nova Iguaçu. Segundo a Polícia Civil, nenhuma informação sobre as investigações será divulgada para não atrapalhar o andamento do caso. 

“Queremos que o Estado dê cobertura psiquiátrica para a família e sustente os pais, enquanto eles não puderem trabalhar, por causa do sofrimento. Se o caso tivesse sido na zona sul, se fosse uma criança num carro importado no Leblon, a cidade estava parada”, afirmou Antônio Carlos Costa, presidente da ONG Rio de Paz, entidade ligada ao Departamento de Informação Pública da ONU (Organização das Nações Unidas), e coordenador da manifestação. “Lá em Belford Roxo, as pessoas que presenciaram  o crime se recusaram a dar informações de tanto medo que elas têm do poder paralelo”.

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