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Primeiro usuário de crack a dar entrada em São Paulo foi dopado e levado pela filha

Gil Alessi

Do UOL, em São Paulo

21/01/2013 13h04Atualizada em 21/01/2013 19h12

Ana Paula Mira, 33, chegou ao Cratod (Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas do Estado), no centro de São Paulo, às 12h desta segunda-feira (21), para internar seu pai, de 62 anos, contra a vontade dele. Ele, que é dependente de crack, foi o primeiro a dar entrada no local após o lançamento do programa de internação compulsória de viciados em drogas do Governo do Estado.

“Ele passou a noite inteira de ontem usando crack na rua. Consegui encontrá-lo e pedi que dormisse em casa para que fossemos a um médico fazer exames hoje. Para conseguir trazê-lo, coloquei calmante na sua comida durante o café da manhã”, conta a filha.

Ana Paula chegou com o pai e uma amiga ao Cratod em um carro particular. “Estive aqui ontem e não souberam me informar qual serviço de resgate poderia trazê-lo. Então, acabei trazendo eu mesma.”

A secretária da Justiça e da Defesa da Cidadania, Eloisa de Sousa Arruda, disse hoje, durante o lançamento do programa, que as pessoas que necessitarem de ajuda médica para um parente ou amigo podem podem ligar para o resgate (192, do Samu) em busca de auxílio, a pessoa então será encaminhada para um posto de saúde ou hospital e, caso o médico constatar que trata-se de um caso de internação para tratamento da dependência química, poderá encaminhá-la para o Cratod.

A internação, uma parceria entre o governo do Estado, Tribunal de Justiça, Ministério Público Estadual, OAB-SP e Defensoria Pública, começou hoje no Cratod.

Famílias procuram internação compulsória em meio a protesto

Grupos de agentes de saúde farão abordagens de usuários de drogas nas ruas, visando àqueles com saúde debilitada, às grávidas e às crianças. Em seguida, o resgate será acionado, e os indivíduos serão encaminhados para pronto-socorros. Lá, uma equipe médica vai avaliar a necessidade da internação. Caso o paciente se recuse, ele será encaminhado para o Cratod, onde um plantão com defensores públicos, advogados, membros do Ministério Público e agentes de saúde vai avaliar o caso. Um juiz de plantão no local deve autorizar ou não pedidos de internação compulsória.

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