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"Perdemos o jogo", diz pai em enterro de jovem promessa do basquete que morreu após incêndio na boate Kiss

O corpo de Matheus Rafael Raschen é velado em uma quadra de basquete em Santa Cruz do Sul (RS) - Renan Antunes de Oliveira/UOL
O corpo de Matheus Rafael Raschen é velado em uma quadra de basquete em Santa Cruz do Sul (RS) Imagem: Renan Antunes de Oliveira/UOL

Renan Antunes de Oliveira

Do UOL, em Santa Cruz do Sul (RS)

01/02/2013 19h53

O estudante Matheus Rafael Raschen, 20, jogador de basquete da seleção gaúcha juvenil e promessa para a principal, foi enterrado nesta sexta-feira (1º) às 19h30 no cemitério de sua cidade natal, Santa Cruz do Sul (a 150 km de Porto Alegre). Ele é a 236ª vítima do incêndio da boate Kiss, em Santa Maria (RS), tragédia que marcou o Brasil no último domingo (27).

Enquanto recebia pêsames da comunidade, o pai do rapaz, Nestor Raschen usava a todo momento uma metáfora do esporte: "Perdemos o jogo". Segundo dados da funerária Martin, cerca de 3.000 pessoas participaram do velório realizado no ginásio do Corinthians, o time de basquete em que Matheus atuava --o caixão foi colocado sob uma tabela e o nome dele no placar luminoso que marca os pontos da partida.

O pai disse que a morte "foi pela combinação da intoxicação por fumaça com queimaduras de segundo e terceiro graus em 40% do corpo". Pela gravidade da situação, Matheus foi um dos primeiros a ser levado de helicóptero de Santa Maria para Porto Alegre, ainda no domingo, onde foi internado no setor de queimados do Hospital de Pronto Socorro. "Meu filho era forte, mas o baque era demais para qualquer um suportar", disse Raschen.

"Em alguns momentos ele parecia melhorar", conta o pai. "A gente se enchia de esperança, vendo ele lutar". O pai disse que o filho nunca recobrou a consciência, permanecendo todo o tempo sedado. Para Raschen, a perda se soma a de outro filho, ocorrida em 2009. Matheus deixa apenas um irmão.

"Todos acompanhamos a luta de Matheus no hospital, mas os médicos sempre disseram que ele tinha poucas chances de sobreviver", disse Andréa Trojan, uma amiga da família.

Homenagem debaixo de sol

Apesar do calor de 39ºC, por 10 horas formaram-se longas filas de pessoas que foram confortar a família. Para um amigo, o pai de Matheus recontou a agonia do filho: "Ele era muito determinado, tenho certeza que lutou o quanto pôde para viver".

Os Raschen são uma família conhecida na cidade. Nestor dirige um colégio tradicional de Santa Cruz. Centenas de jovens participaram do velório. Um grupo de colegas, vestindo a camiseta do time de basquete do jovem, ajudou a carregar o caixão.

O treinador do Corinthians, Aldo Calderaro, também coordenador nas categorias de base da Seleção Brasileira, disse que "ele tinha um tremendo potencial como atleta e estava sendo preparado para ser um profissional".

Matheus estudava tecnologia de alimentos e se formaria no fim do ano, na UFSM (Universidade Federal de Santa Maria). Um ônibus da universidade trouxe os 28 colegas da turma dele para o enterro.

O estudante morreu nesta quinta-feira (31) à noite, em Porto Alegre. Seu corpo foi levado para Santa Cruz durante a madrugada. O velório começou às 8h de hoje.

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