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Cotidiano

"Acusação fez uma alquimia no processo", diz advogado de Mizael

Thiago Varella

Do UOL, em Guarulhos (SP)

11/03/2013 10h00

Um dos advogados do ex-policial militar Mizael Bispo de Souza --acusado de ter assassinado a advogada Mércia Nakashima em  2010 -- reclamou nesta segunda-feira (11) que a acusação fez uma "alquimia no processo".

"Agora resolveram mudar o horário do crime de 19h30 para 20h30, apesar do que diz o pescador que foi testemunha", afirmou Ivon Ribeiro em frente ao Fórum de Guarulhos, onde Mizael começará a ser julgado na manhã de hoje.

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O crime

Mércia desapareceu no dia 23 de maio de 2010 e, 19 dias depois, foi encontrada morta dentro de uma represa na cidade de Nazaré Paulista, na Grande São Paulo.

No presídio militar Romão Gomes, onde estava preso à espera de julgamento, Mizael escreveu um livro, "Na Cova dos Leões", uma "ficção" baseada em sua história. Na publicação de 56 páginas, o ex-PM conta a história de "Márcia", uma pessoa que sentia muito ciúmes e tinha uma família preconceituosa.

O título do livro é uma alusão ao profeta Daniel, que, segundo a Bíblia, não foi morto por leões por acreditar em Deus.

O advogado do ex-PM, Samir Haddad Júnior, espera pode entregar o livro aos jurados. "Vou pedir ao juiz, ao promotor e ao assistente de acusação, pelo princípio de ampla defesa e do contraditório, que concordem com a entrega de um livro para cada jurado, até porque não consta o nome das pessoas envolvidas no processo. É uma ficção em cima de uma história verdadeira", disse.

O promotor Rodrigo Merli Antunes afirmou que o livro deveria ter sido apresentado à Justiça até a última quarta-feira (6) e que soube pela imprensa de sua publicação. Mesmo assim, ele só vai decidir sobre sua distribuição para os jurados na segunda-feira (11).

"De repente, este livro pode ter algumas coisas úteis para a acusação", disse.

Por ser advogado, Mizael decidiu que também fará sua autodefesa, podendo, até mesmo, interrogar alguma testemunha se assim quiser.

Como o julgamento será o primeiro no Brasil a ser transmitido ao vivo por emissoras de rádio, televisão e sites, o acusado pretende aproveitar para “mudar sua imagem”.

“Tinha medo de que a transmissão ao vivo pressionasse os jurados. Mas o Mizael pediu para ser transmitido ao vivo. Se os jurados podem ouvi-lo, o Brasil inteiro também pode”, disse Haddad Júnior, em entrevista para a Band.

O promotor também concordou com a transmissão, que, segundo ele, “aproximará o Judiciário da comunidade”.

“Mas garanto que, se a defesa acha que vou mudar meu estilo, que vou ser mais comedido porque está sendo filmado, está enganada. Nem vou me lembrar que existem câmeras no júri”, afirmou Antunes.

Indícios

“Poucos são os processos criminais com tantos indícios para incriminar alguém.” Desta maneira, Antunes define o júri de Mizael.

A acusação diz não ter dúvidas de que Mizael matou Mércia porque não aceitou o término do relacionamento ou, pelo menos, não queria ter uma relação aberta com a advogada. Antunes espera que Mizael seja condenado a, pelo menos, 20 anos de prisão.

Além disso, para o promotor, o ex-PM teve a ajuda do vigia Evandro Bezerra da Silva, que conhece muito bem a região de Nazaré Paulista, e o levou até a represa onde o corpo e o carro de Mércia foram jogados.

Evandro também está preso, mas, como o processo foi desmembrado, será julgado apenas em julho.

A acusação diz que, no dia do crime, Mizael rondou a casa de Mércia e da avó da advogada. Como provas, irá apresentar o rastreamento do celular de Mizael com a lista das antenas usadas pelas ligações.

O ex-PM diz que, no momento em que Mércia foi assassinada, ele estava dentro de um carro parado, em Guarulhos, com uma garota de programa.

Também como prova, o promotor irá apresentar um laudo pericial que diz que no sapato de Mizael foram encontrados sangue, fragmentos ósseos e uma alga que seria muito comum na região da represa de Nazaré Paulista.

Para a defesa, a tal alga também seria encontrada em abundância em diversos outros locais do planeta.

Testemunhas

Como testemunhas de acusação, Antunes chamou o irmão de Mércia, Marcio Nakashima, que irá dar detalhes do relacionamento de sua irmã com Mizael. O delegado Antonio Assunção de Olim, responsável pela investigação do caso na Polícia Civil, também foi convocado.

O advogado Arles Gonçalves Junior, que acompanhou o depoimento de Mizael à Justiça, será outra testemunha da acusação. Antunes também chamou dois peritos, Eduardo Amato, que irá explicar como o rastreamento das ligações do ex-PM foi feito e Carlos Eduardo Bicudo, que irá falar sobre a alga encontrada no sapato do acusado.

Já a defesa tentará desqualificar a perícia feita pelo Instituto de Criminalística (IC). Por isso, serão chamados como testemunhas o investigador do inquérito Alexandre Simoni e o perito-chefe Renato Pattoli. Haddad Júnior também convocou dois peritos independentes, Eduardo Zocchi e Osvaldo Negrini.

Outra testemunha da defesa será Rita Maria de Souza, amiga de Mizael, que irá falar da relação do ex-PM com Mércia.

A testemunha do juiz será o perito Hélio Ramacciotti, que refez o caminho entre Nazaré Paulista e Guarulhos.

Para o advogado, a melhor maneira de se rebaterem os laudos que serão usados pela acusação será por meio de documentos. "Nossa prova é técnica e documental. Não temos coelho na cartola", afirmou.

Ribeiro também reclamou do trabalho da Polícia Civil que, segundo ele, só investigou Mizael.

"Estão indo na base do 'não tem tu, vai tu mesmo'. A polícia de São Paulo é reconhecidamente a pior. De uma hora para outra, parece que poderiam disputar para papa", ironizou.

O advogado também diminuiu a importância dos depoimentos do vigia Evandro Bispo de Souza, também acusado de participação na morte de Mércia.

"Ele mudou de depoimento várias vezes. Disse que levou Mizael,que sabia do crime e depois negou. Qual declaração dele vale?", perguntou.

O crime

Mércia desapareceu no dia 23 de maio de 2010 e, 19 dias depois, foi encontrada morta dentro de uma represa na cidade de Nazaré Paulista, na Grande São Paulo.

No presídio militar Romão Gomes, onde estava preso à espera de julgamento, Mizael escreveu um livro, "Na Cova dos Leões", uma "ficção" baseada em sua história. Na publicação de 56 páginas, o ex-PM conta a história de "Márcia", uma pessoa que sentia muito ciúmes e tinha uma família preconceituosa.

O título do livro é uma alusão ao profeta Daniel, que, segundo a Bíblia, não foi morto por leões por acreditar em Deus.

O advogado do ex-PM, Samir Haddad Júnior, espera pode entregar o livro aos jurados. "Vou pedir ao juiz, ao promotor e ao assistente de acusação, pelo princípio de ampla defesa e do contraditório, que concordem com a entrega de um livro para cada jurado, até porque não consta o nome das pessoas envolvidas no processo. É uma ficção em cima de uma história verdadeira", disse.

O promotor Rodrigo Merli Antunes afirmou que o livro deveria ter sido apresentado à Justiça até a última quarta-feira (6) e que soube pela imprensa de sua publicação. Mesmo assim, ele só vai decidir sobre sua distribuição para os jurados na segunda-feira (11).

"De repente, este livro pode ter algumas coisas úteis para a acusação", disse.

Por ser advogado, Mizael decidiu que também fará sua autodefesa, podendo, até mesmo, interrogar alguma testemunha se assim quiser.

Como o julgamento será o primeiro no Brasil a ser transmitido ao vivo por emissoras de rádio, televisão e sites, o acusado pretende aproveitar para “mudar sua imagem”.

“Tinha medo de que a transmissão ao vivo pressionasse os jurados. Mas o Mizael pediu para ser transmitido ao vivo. Se os jurados podem ouvi-lo, o Brasil inteiro também pode”, disse Haddad Júnior, em entrevista para a Band.

O promotor também concordou com a transmissão, que, segundo ele, “aproximará o Judiciário da comunidade”.

“Mas garanto que, se a defesa acha que vou mudar meu estilo, que vou ser mais comedido porque está sendo filmado, está enganada. Nem vou me lembrar que existem câmeras no júri”, afirmou Antunes.

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