Delegado deve ser principal testemunha nesse 2º dia de júri de Mizael

Folha de S.Paulo

O julgamento de Mizael Bispo de Souza será retomado na manhã desta terça-feira com os depoimentos de mais testemunhas de acusação. A mais aguardada é o delegado Antônio Assunção de Olim, responsável pela investigação da morte da ex-namorada do réu, Mércia Nakashima.


Na segunda-feira (11), primeiro dia de julgamento, já foram ouvidas outras três testemunhas arroladas pela acusação, o irmão de Mércia, Marcio Nakashima, o biólogo Carlos Eduardo de Mattos Bicudo e o engenheiro Eduardo Amato Tolezani. Ainda deve ser ouvido Arles Gonçalves Júnior.

Ao todo, serão ouvidas no júri 11 testemunhas. As arroladas pela defesa são Renato Pattoli, perito da Polícia Técnico-Cientfica, o fotógrafo Eduardo Zocchi, o investigador Alexandre Simoni Silva, o perito particular Osvaldo Negrini, e Rita Maria de Souza, amiga de Mizael.

Já o perito da polícia, Hélio Ramacciotti, foi chamado pelo juiz Leandro Bittencourt Cano, para depor sobre o caso. A expectativa do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) é que o julgamento dure até cinco dias.

1º DIA

O primeiro dia de júri foi marcado por provocações e discussões entre as duas partes.

Uma das testemunhas ouvida foi o engenheiro Eduardo Amato Tolezani, que afirmou que que a versão de Mizael de que estava estacionado no Hospital Geral de Guarulhos (na Grande São Paulo) na hora da morte de Mércia não é possível, de acordo com os registros telefônicos do celular dele.

Mizael havia dito durante as investigações que estava com uma prostituta, em seu carro, na noite do crime. O engenheiro, no entanto, cruzou as informações enviadas pela operadora de telefonia Oi com os dados do GPS do carro do policial aposentado, o que contesta a afirmação.

O estudo, feito a pedido do Ministério Público, mostrou que, enquanto o GPS do carro apontou que o veículo estava no estacionamento do hospital, ligações feitas e recebidas pelo celular de Mizael, usavam antenas de telefonia que não atendiam aquela área.

Antes de Tolezani, prestou depoimento o biólogo Carlos Eduardo de Mattos Bicudo, que analisou os sapatos de Mizael e afirmou que havia neles a mesma alga encontrada na represa de Nazaré Paulista (a 64 km de São Paulo), onde o corpo de Mércia foi encontrado.

"O sapato analisado foi submerso na água da represa. Não há outra hipótese para essa alga estar lá", afirmou a testemunha. Apesar disso, ele afirmou que a alga existe sim em outros locais do Estado de São Paulo.

Também foi ouvido no plenário Márcio Nakashima, irmão de Mércia. Ele disse que o réu fazia ameaças e perseguia a vítima. "Quando ele não conseguia falar com ela, ele saía atrás dela. Ele gostava de controlar o que ela fazia", afirmou.

Márcio disse ainda que, mesmo após o fim da parceria profissional --eles eram sócios em um escritório de advocacia-- e do relacionamento, Mizael continuava passando em frente ao prédio da vítima. O acusado também ligava repetidamente para o celular de Mércia, o que fez com que ela trocasse o número do celular diversas vezes.

Durante o depoimento de Márcio, Mizael foi retirado do plenário a pedido do Ministério Público. De acordo com a acusação, a testemunha se sentia ameaçada pelo réu. A defesa contestou que, por ser advogado, Mizael faria sua autodefesa, porém o juiz deu seu parecer favorável à Promotoria.

 

Receba notícias do UOL. É grátis!

UOL Newsletter

Para começar e terminar o dia bem informado.

Quero Receber

Veja também

UOL Cursos Online

Todos os cursos