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Após desocupação no Maracanã, voluntários reclamam de não poder alimentar gatos

 As pessoas que afirmam alimentar os animais há anos foram impedidas de entrar desde a ação da PM que retirou os índios do local - Andréa Lambert/Divulgação
As pessoas que afirmam alimentar os animais há anos foram impedidas de entrar desde a ação da PM que retirou os índios do local Imagem: Andréa Lambert/Divulgação

Carolina Farias

Do UOL, no Rio

25/03/2013 17h09

Após a reintegração de posse e desocupação do Museu do Índio, no Maracanã, na zona norte do Rio de Janeiro, na última sexta-feira (22), voluntários dizem que cerca de 50 gatos que vivem no local ficaram "órfãos" e sem comida. As pessoas que afirmam alimentar os animais há anos foram impedidas de entrar desde a ação da Polícia Militar que retirou os ocupantes do lugar depois de confrontos. Nesta segunda-feira (25), voluntárias estiveram no local para ver a situação dos bichos, mas foram impedidas de entrar por seguranças da obra que será iniciada no museu pelo Consórcio Maracanã.

Natália Kingsbury, 44, trabalha como secretária, mas há 17 anos também gasta parte do seu tempo para alimentar os animais que vivem no complexo do Maracanã, que está em obras. Na sexta-feira, ao saber do mandado de reintegração de posse, correu ao Museu do Índio e pulou o muro para dar comida aos gatos antes da confusão.

"Moro ali perto e nunca tive problema para entrar para alimentar os gatos, nunca me impediram. Hoje vou voltar lá e vou alimentar os bichos, nem que seja sobre o muro", afirmou Natália.

Quase todos os gatos que habitam a Aldeia Maracanã, como é chamada a área do museu, além do Estádio de Atletismo Célio de Barros, que integra o complexo do Maracanã, foram castrados pela veterinária Andréa Lambert, voluntária da ONG Anida (Associação Nacional de Defesa de Implementação dos Direitos dos Animais).

Assim como Natália, a veterinária sempre visitava os animais e avaliava a saúde dos bichos. Ela diz que a saúde dos gatos que habitam o museu é boa, mas muitos animais que vivem no complexo do Maracanã sofrem com as obras e, diz Andréa, alguns já morreram. 

"Já denunciei ao Ministério Público e pedi para a prefeitura tirar os gatos do meio das obras do Célio de Barros. Desde o começo das obras no Maracanã os gatos migraram, principalmente, para o museu. Agora nossa preocupação é que lá vai ter obras também, eles podem morrer se não foram tirados de lá", disse a veterinária.

Natália e Andréa se queixam de que tanto o museu quanto o estádio de atletismo são "depósitos" de gatos. Pessoas que não desejam mais ficar com os animais os abandonam na área, dizem as voluntárias. Nesta segunda, quando foram alimentar os gatos do museu, as protetoras dos animais encontraram uma ninhada com cinco gatinhos no estádio. A veterinária conseguiu pegar quatro dos bichos e vai cuidar até que consigam adoção.

A reportagem do UOL procurou a Sepda (Secretaria Especial de Proteção e Defesa dos Animais), que informou que enviará veterinários ao local para verificar a situação dos gatos. O órgão avalia um local para abrigar todos os animais que vivem inadequadamente na região das obras do Maracanã, mas precisa saber a quantidade exata de bichos para identificar um lugar para serem abrigados.

A Secretaria de Obras informou que os funcionários do Consórcio Maracanã têm alimentado os animais desde sexta, já que a entrada no prédio não está autorizada. Ainda de acordo com a secretaria, a retirada dos gatos do local já foi solicitada à Sociedade Protetora dos Animais.

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