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Cotidiano

Mesmo com tecnologia inteligente, armas ainda são maior atrativo em feira

Carolina Farias

Do UOL, no Rio

09/04/2013 19h40

Voltada ao setor de segurança, a feira Laad Defesa e Segurança é um parque de diversões para o público especializado. Apesar de mostrar novidades tecnológicas e inteligentes, que dispensam o uso bélico, são as armas que atraem a atenção. Estandes com testes, tiros ao alvo e demonstrações atraem a maioria do público. Uma das maiores filas estava no estande tiro virtual, da fabricante brasileira de armas Taurus. O sistema comprado pela empresa permite o treinamento de forças de segurança pública ou privada sem o uso de munição --as armas são reais, mas os disparos são de ar. Com isso, o simulador é totalmente seguro, além de mais econômico e não poluente.

"De 90% dos profissionais que treinam aqui, 98% têm aproveitamento total na rua", explica Márcio de Castro, associado da FDBR, empresa desenvolvedora do simulador adquirido pela Taurus. Segundo ele, a Secretaria de Segurança Pública de Santa Catarina e a Guarda Municipal de Campinas (SP) já treinam seus agentes com o sistema.

Apesar de especialista, José Palomanes, 49, bicampeão brasileiro de tiro defensivo e funcionário da segurança da Casa da Moeda, no Rio, estava curioso na fila para conhecer o sistema. Ele sempre participa de feiras das quais tira ideias e inovações para o trabalho. "Esse estande [de tiro virtual] pode deixar o treinamento mais em conta e com risco zero, por exemplo", disse Palomanes.

Para evitar que um tiro seja disparado ou algum outro tipo de violência seja cometida contra uma vítima, a Spacecom Monitoramento criou a tornozeleira da Lei Maria da Penha, uma referência à lei que protege vítimas de violência doméstica.

Após medida judicial, o agressor usa o equipamento e um dispositivo fica com a possível vítima. Com a aproximação dos equipamentos, ambos disparam e enviam informações de localidade para uma central de monitoramento, que avisa a polícia. O sistema já está em uso em 14 mulheres em Minas Gerais, desde o último dia 8 de março e vai ser implantado no Espírito Santo, segundo Sávio Peregrino Bloomfield, presidente da empresa. "Ao invés de construirmos penitenciárias, estamos contribuindo para a diminuição da população carcerária", disse Bloomfield ao defender que o equipamento evita que um crime seja cometido.

A empresa é a mesma que desenvolveu as tornozeleiras eletrônicas usadas por presos em regime semiaberto dos Estados de São Paulo, Minas e Acre --atualmente são 9.182 tornozeleiras nos três Estados. Segundo ele, em São Paulo, em dois anos e meio do sistema, já foram evitadas 25 mil fugas.

O presidente disse que o mesmo modelo de dispositivo que avisa a possível vítima de violência doméstica que o agressor está próximo está sendo usado pela polícia "de algum Estado" para a localização de criminosos. Isto porque o dispositivo acha o local onde está o suspeito com precisão. "Você coloca em um veículo, por exemplo, e ele identifica onde está o criminoso", explica Bloomfield sem dar detalhes de onde o equipamento é usado.

Cão com câmera

Brutus, um rotweiller de sete anos, chamou a atenção hoje na feira. Ele pode ser usado como ferramenta de tecnologia de segurança: treinado para ser vigilante, ele transportou uma câmera nas costas, que foi desenvolvida para ser usada em cães.

"Pode ser usado em catástrofes para captar imagens de onde não há acesso. No Brasil é uma novidade", afirmou Armando Rodrigues Junior, diretor da Cobham. Segundo ele, o equipamento tem capacidade para captar imagens com baixa luminosidade, em casos de áreas com escombros, por exemplo.

 

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