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Chefe da Polícia Civil do Rio diz que ninguém reclamou sobre perseguição a traficante

Do UOL, no Rio

07/05/2013 17h48

A chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Martha Rocha, afirmou nesta terça-feira (7) que "não houve qualquer crítica ou reclamação" sobre a operação que terminou com a morte do traficante Márcio José Sabino Pereira, o Matemático, na na noite de 11 de maio de 2012, na favela da Coreia, zona oeste da capital fluminense.

Na ocasião, o criminoso foi perseguido pelo helicóptero da instituição, e agentes efetuaram vários disparos. Casas e prédios foram atingidos durante o confronto. O piloto da aeronave, Adonis Lopes de Oliveira, foi afastado de suas funções até que a Coinpol (Corregedoria da Polícia Civil do Rio) conclua a investigação sobre a operação.

"Até agora, durante esse ano todo e após a exibição das imagens, não houve qualquer tipo de manifestação da comunidade, na verdade sufocada pelo traficante Matemático. Não houve qualquer crítica ou qualquer reclamação da Polícia Civil", afirmou Rocha, referindo-se às imagens exibidos no domingo (5) em reportagem do "Fantástico", da "TV Globo".

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Rocha, que participou nesta terça-feira (7) de uma audiência pública da Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados, afirmou aos parlamentares que a Coinpol já investigava as circunstâncias da ação quando as imagens foram divulgadas pela imprensa.

A câmera noturna registrou toda a perseguição ao traficante. Os policiais civis acompanhavam a movimentação de Matemático, a uma altura entre 900 e 1.200 metros. Num dado momento, o helicóptero desce a até 20 metros, e os policiais começam a atirar contra o carro em que estaria o traficante.

A perseguição se prolongou por nove quarteirões da comunidade. Centenas de disparos são feitos, atingindo casas e prédios da região, segundo a reportagem.

Alguns imóveis possuem marcas dos tiros até hoje. As imagens mostram que motociclistas e pedestres transitavam pela rua em meio aos disparos dos policiais.

Durante a perseguição, os policiais diziam termos como "vamos incendiar [o traficante]" e "pega, pega, pega."

A delegada Martha Rocha, chefe da Polícia Civil, classificou a operação como "desproporcional". "O papel da polícia é prender, a morte é em último caso", disse à reportagem do "Fantástico". Ainda de acordo com a matéria, o secretário de segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, afirmou em nota que o "setor especializado nessas ações tem que dar uma resposta à sociedade e quem teve a responsabilidade de agir tem que ter a responsabilidade de arcar com as consequências".

O traficante, que foi baleado pelos policiais que estavam no helicóptero, estava sendo monitorado pela Polícia Federal havia cinco meses. A Polícia Civil fez o cerco a Matemático após receber informações da PF. O traficante foi encontrado morto no dia seguinte, supostamente em uma troca de tiros com a Polícia Militar ocorrida logo após ele ter sido alvejado pelos policiais civis.

Especialistas em segurança pública ouvidos pela reportagem do "Fantástico" criticaram a operação, dizendo que ela ofereceu inúmeros riscos aos moradores. Além do traficante, ninguém foi atingido pelos disparos, segundo a Polícia Civil. O helicóptero utilizado na operação chegou a ser atingido por tiros feitos pelos suspeitos.

O piloto do helicóptero, Adonis Lopes de Oliveira, disse que a operação não ofereceu riscos aos que não tinham relação com o episódio e que a ação foi legítima.

MP reabre investigação

O procurador-geral de Justiça do Estado, Marfan Vieira, determinou hoje (6) o desarquivamento do inquérito policial que apurou a morte do traficante. Vieira fez o anúncio após ter recebido em seu gabinete um DVD com as imagens, trazido pelo deputado estadual Marcelo Freixo (Psol), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).

O inquérito que investigou a morte de Matemático foi arquivado pelo 4º Tribunal do Júri em 5 de novembro do mesmo ano, a pedido do próprio Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ). Na ocasião, foi alegado que a prova pericial não era conclusiva quanto à procedência dos tiros: se teriam partido do helicóptero ou se o traficante teria sido morto pelos próprios comparsas.

A chefe da Polícia Civil, delegada Martha Rocha, recomendou que a Divisão de Homicídios solicite ao MP a devolução do inquérito para prosseguir com as investigações.

A delegada considerou desproporcionais as ações dos agentes do helicóptero, que perseguiram e alvejaram o traficante. Segundo Martha Rocha, "o papel da polícia é prender, a morte é em último caso".

O presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Estado do Rio de Janeiro (Sinpol), Fernando Bandeira, considerou equivocada a ação da equipe na aeronave, ressaltando que ela não estava agindo sozinha, mas cumprindo ordem superior.

"O fato ocorreu no ano passado e certamente foi de conhecimento da Secretaria [de Estado de Segurança] e da chefia da Polícia Civil, mas só agora veio à tona. Essa operação foi um exagero, mas houve uma determinação [superior] para fazê-la. Foi um ato que não é correto. Poderia ter outro caminho, outra forma, de tentar prender", disse Bandeira.

As cenas de tiro contra Matemático foram captadas pela câmera instalada no próprio helicóptero da polícia, durante perseguição noturna sobre a favela da Coreia, na zona oeste da cidade. Durante a ação, vários prédios da comunidade foram atingidos pelas balas disparadas da aeronave. Apesar disso, não houve denúncia de feridos entre os moradores. (Com Agência Brasil)

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