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Antigas rivais, favelas da Rocinha e Vidigal realizam protesto conjunto no Rio

Crianças moradoras da comunidade da Rocinha, no Rio, carregam faixa durante manifestação no bairro - Chistophe Simon/AFP Photo
Crianças moradoras da comunidade da Rocinha, no Rio, carregam faixa durante manifestação no bairro Imagem: Chistophe Simon/AFP Photo

Paula Bianchi

Do UOL, no Rio

25/06/2013 19h33Atualizada em 25/06/2013 23h58

Em um fato histórico e uma cena impensável há pouco tempo, cerca de 1.000 pessoas das favelas da Rocinha e do Vidigal realizam um protesto conjunto pelas ruas do Rio na noite desta terça-feira (25). As duas favelas sempre foram consideradas rivais, já que eram comandadas por facções diferentes, a Rocinha tinha comando da facção criminosa Amigos dos Amigos e o Vidigal do Comando Vermelho, mas ambas já foram pacificadas por UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora).

Os manifestantes se reuniram na subida principal do morro do Vidigal e cantaram o Hino Nacional juntos. A Rocinha é vizinha de São Conrado e o Vidigal fica do lado do Leblon, ambos bairros de classe alta da cidade.

"Não imaginava isso há dois, três anos atrás. Não esperava uma caminhada tão pacífica. É muito bom ver a Rocinha e o Vidigal unidos por uma causa que é comum", afirmou Érica Santos, 21, estudante de administração na PUC-Rio e uma das organizadores do protesto. O grupo caminha pela avenida Delfim Moreira, na orla do Leblon, um dos metros quadrados mais caros do Rio, e pretendem ir até a casa do governo do Rio de Janeiro, Sergio Cabral (PMDB).

Protestos no Rio de Janeiro
Protestos no Rio de Janeiro
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A Rocinha protesta contra a construção de um teleférico na comunidade. Uma das principais obras do PAC 2, o teleférico vai receber investimentos de R$ 1,6 bilhão do governo federal. Os moradores seguram uma faixa com as palavras "saneamento, sim; teleférico, não" à frente. Cerca de 400 PMs acompanham a manifestação. O grupo que saiu da Rocinha --de cerca de 600 pessoas-- se uniu a outro que estava no Vidigal.

A organização do ato pediu que ninguém use máscara e orientou os manifestantes a sentarem caso ocorra algum ato de vandalismo para facilitar a ação da polícia.

Mapa dos protestos

  • Clique no mapa e veja onde aconteceram os principais protestos no Brasi até agora

"As obras do PAC 1 ainda não foram finalizadas e já querem começar o PAC 2. Com teleféricos e escadas rolantes enquanto tem lugares na comunidade que não têm esgoto. Do que adianta ter um teleférico para turista ver? Ninguém nos perguntou. Precisamos de saneamento, mais médicos na UPA e mais escolas", afirmou Érica.

Ela criou uma página no Facebook, com o estudante de design Dênis Neves, 25, também da PUC-Rio. Érica e Neves são moradores da Rocinha. Antes do início da passeata, eles criticavam políticos locais que, segundo eles, tentavam tirar proveito do ato.

Aniete Correia, 61, aposentada veio à manifestação com o neto. "A Rocinha já é muito marcada pela violência, as pessoas têm medo de participar das manifestações. O teleféricos é para gringos, não para a comunidade. A gente quer mais esgoto, saúde, somos contra obras para inglês ver".

No dia 14 deste mês, a presidente Dilma Rousseff foi ao Complexo Esportivo da Rocinha para anunciar investimentos de US$ 1,6 bilhão na favela. O lançamento do PAC 2 ocorreu sem que obras do PAC 1 tenham sido concluídas na comunidade. Está prevista a construção de um teleférico com seis estações semelhante ao que existe no Complexo do Alemão, na zona norte.

Trajeto

O grupo começou a caminhada pela avenida Niemeyer, importante via de ligação entre São Conrado e o Leblon, que, segundo o Centro de Operações da Prefeitura do Rio, já ficou fechada nos dois sentidos. Eles seguiram até a favela do Vidigal e devem ir até a rua onde mora o governador Sérgio Cabral (PMDB), no Leblon.

Protesto de moradores da Rocinha

Alguns moradores de prédios vizinhos a Rocinha, em São Conrado, piscaram as luzes em apoio aos manifestantes.

O shopping Fashion Mall, que concentra lojas de luxo, está fechado para o público desde o início da tarde e portas de vidro foram cobertas com tapumes de madeira. A passeata não deverá passar perto do local.

Estabelecimentos na estrada do Galeão, na Ilha do Governador, próximo ao aeroporto internacional Antonio Carlos Jobim, também amanheceram cercados por tapumes por conta de rumores de protestos na região. (Com Band e Agência Brasil)

OS PROTESTOS EM IMAGENS (Clique na foto para ampliar)

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