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PM compra canhão d'água para conter distúrbios durante manifestações no Rio

O brucutu, apelido dado ao veículo durante a ditadura militar, chegou ao quartel do Batalhão de Choque sob escolta - Roberto Moreyra/Extra/Agência O Globo
O brucutu, apelido dado ao veículo durante a ditadura militar, chegou ao quartel do Batalhão de Choque sob escolta Imagem: Roberto Moreyra/Extra/Agência O Globo

Do UOL, no Rio

25/06/2013 14h28

A Polícia Militar do Rio de Janeiro confirmou nesta terça-feira (25) a aquisição de um canhão d'água, equipamento conhecido como "brucutu", para reforçar a atuação do BPChoque (Batalhão de Choque) no controle de distúrbios civis. A tropa tem sido frequentemente acionada em face da recente onda de manifestações pela cidade.

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O equipamento consiste em uma espécie de caminhão-pipa, dotado de um propulsor de água que emite jatos com forte pressão. O canhão tem sido constantemente utilizado pela polícia turca nos protestos contra o o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, que ocorrem desde o dia 31 de maio.

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O brucutu, apelido dado ao veículo durante a ditadura militar, chegou ao quartel do Batalhão de Choque sob escolta, nesta segunda-feira (24). A assessoria da PM não divulgou os detalhes do modelo, do fornecedor e do valor pago pela corporação.

Manifestação pacífica

Por cerca de três horas, mais de mil pessoas marcharam pela avenida Rio Branco, entre a Candelária e a Cinelândia, nesta segunda-feira (24), no centro do Rio de Janeiro. Elas protestavam contra a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 37, que limita o poder de investigação do Ministério Público e situação dos fundos de pensão de empresas que foram extintas, como a Vasp, a Varig e a Transbrasil, além de pedir a cassação do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e do deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP), o fim do voto obrigatório e a investigação dos gastos com a Copa.

Pela primeira vez desde que começaram os tumultos em protestos na cidade, no último dia 10, o Rio de Janeiro teve uma manifestação pacífica, sem registros de vandalismo ou confronto entre manifestantes e a polícia.

Durante a manifestação, um homem chegou a ser detido por suspeita de roubar um iPhone. Ele foi contido por manifestantes, que tentaram linchá-lo. A PM, no entanto, interveio e levou o suspeito para a 5ª DP (Gomes Freire).

Cerca de 70 policiais militares acompanharam a passeata. Outros PMs cercaram os prédios da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio) e do Theatro Municipal.

Todo o comércio na avenida Rio Branco e nas ruas transversais fechou as portas mais cedo. Algumas lojas e agências bancárias protegeram suas fachadas com tapumes de madeira e até chapas de aço.

Vários manifestantes gritaram palavras de ordem como "sem violência" e contra a corrupção e chegaram a cantar o Hino Nacional sete vezes, um dos poucos consensos entre o grupo sui generis reunido na Rio Branco nesta noite. A diversidade podia ser vista nos cartazes. Dizeres como "Corrupção crime hediondo", "Fora Cabral e Paes" e "O gigante acordou" conviviam com "These is Sparta", "Pelo fim da pizza", "Legalize Já" e "Colocaram menthos na geração Coca-Cola".

Durante a caminhada, muitos manifestantes colocaram máscaras ou cobriram o rosto e gritaram palavras de ordem contra Pelé e Ronaldo, mas todos foram revistados pela PM e foi solicitado que deixassem o rosto à mostra. Alguns soltaram rojões na avenida e foram vaiados pelos demais, que gritavam "sem violência" e "sem vandalismo".

Entidades que lideraram os protestos anteriores, como o Fórum de Lutas contra o Aumento da Passagem, não participaram do ato desta segunda, divulgado na internet pelos grupos Nova Era Brasileira e UCC.

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