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"São políticos se investigando, CPI não é fundamental", diz integrante do MPL

Gabriel Mestieri

Do UOL, em São Paulo

26/06/2013 15h17

A estudante de direito Nina Cappello, integrante do Movimento Passe Livre (MPL), afirmou nesta quarta-feira (26) que a instalação de uma CPI sobre o transporte público na Câmara dos Vereadores de São Paulo não é uma prioridade do grupo. “São políticos se investigando. Não vamos entrar no jogo político e não temos a ilusão de que essa CPI é fundamental. Temos outros instrumentos para pressionar pela abertura da caixa preta dos transportes.”

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O MPL é um dos grupos que participa de um protesto em frente à Câmara Municipal de São Paulo para pressionar os vereadores a abrirem a CPI dos Transportes. A auditoria, caso seja instalada pelo Legislativo, investigará a "caixa-preta" dos gastos da Prefeitura com as empresas e as cooperativas responsáveis pelo serviço de ônibus na capital. Cerca de 20 manifestantes com uma faixa fecham uma pistas do viaduto Jacareí, em frente à Casa.

Cappello afirmou que o movimento vê com bons olhos a iniciativa do prefeito Fernando Haddad (PT) --de suspender a licitação do transporte municipal que vai escolher as empresas que operarão as linhas do ônibus da cidade pelos próximos 15 anos--, mas disse que este é apenas um primeiro passo. “É importante que o debate sobre o custo dos transportes aconteça antes que essas concessões sejam aprovadas”, disse ela.

A estudante disse ainda que o MPL quer mais transparências nos dados disponíveis sobre as contas das empresas de ônibus, que atualmente são limitados. “Foi por isso que o Ministério Público pediu uma abertura dessas planilhas.” 

O movimento quer saber como será a composição do conselho que discutirá as concessões. Em nota divulgada ontem, o grupo disse que "ninguém sabe direito o que acontece com o nosso dinheiro quando ele passa para as empresas" de ônibus. "Por que reduzir os impostos que elas pagam se elas já recebem centenas de milhões dos cofres públicos sem qualquer controle da população? Precisamos saber a verdade por trás dessa máfia dos transportes e mexer no lucro dos empresários, responsáveis pelo sofrimento cotidiano da população".

Qual deve ser o principal tema dos próximos protestos no Brasil?

Em sessão na terça-feira (25), a base governista conseguiu adiar a votação para a criação da CPI. No dia anterior, o secretário municipal dos Transportes, Jilmar Tatto, afirmou que uma CPI iria "achacar" o setor de transportes. A declaração não foi bem recebida pelos vereadores e Tatto teve de se desculpar.

"Não tem caixa-preta", disse o secretário Tatto em evento na Universidade de São Paulo (USP). "Depois da implantação do bilhete único na cidade de São Paulo, você sabe exatamente quantos passageiros pagantes tem no sistema, quantos passageiros têm gratuidade e meia-entrada, você sabe quanto exatamente o que entra de subsídio e sabe também para onde vão esses recursos." (Com Estadão Conteúdo)

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