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Aparecida espera que visita do papa Francisco bata recorde de fiéis

Larissa Leiros Baroni

Do UOL, em Aparecida (SP)

01/07/2013 06h00

Com a visita do papa Francisco, marcada para o dia 24 de julho, Aparecida (SP) espera bater o recorde de fiéis no maior templo católico do país. A previsão é que o público supere inclusive o total alcançado nas passagens dos papas Bento 16 (2007) e João Paulo 2º (1980) pela cidade do interior paulista.

"Estamos calculando por baixo que ao menos 200 mil pessoas venham à Aparecida acompanhar a Santa Missa que será realizada pelo pontífice", disse dom Raymundo Damasceno Assis, arcebispo de Aparecida e presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). Ele não descarta, porém, a possibilidade de esse número ser ainda maior.

O vice-prefeito da cidade, Ernaldo César Marcondes, é mais otimista e diz que espera receber de 350 mil a 400 mil fiéis durante a breve visita do papa Francisco à Aparecida. "Meses de outubro, novembro e dezembro, por exemplo, o munícipio recebe por final de semana cerca de 180 mil a 230 mil pessoas. Dez vezes mais o número de moradores."

O maior público já registrado no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, segundo a assessoria de imprensa do templo, foi no dia 14 de novembro de 2010, quando 245 mil devotos foram à cidade.  O número é superior aos 200 mil fiéis que acompanharam a visita do papa João Paulo 2º, no dia 4 de julho de 1980.    

A passagem do papa Bento 16 pelo município em 13 de maio de 2007 atraiu cerca de 150 mil fiéis. Visita que, segundo alguns jornais internacionais, foi um "fracasso de público".  O periódico argentino "La Nación" chegou a comparar o então pontífice com o seu antecessor para justificar a falta de atratividade: "Bento 16 não é João Paulo 2º - um monstro de vitalidade que atraía as massas e criava um clima de fervor impactante."

Mas, mesmo com um número de fiéis inferior ao previsto, dom Damasceno afirma não considerar a visita de Bento 16 um fracasso. "Havia até receio da visita do pontífice alemão ao Brasil diante da possibilidade de manifestações contrárias. Não aconteceu nada disso. Ele foi aclamado por todos aqueles que foram ao seu encontro tanto em São Paulo como em Aparecida", relatou o cardeal. Ainda assim dom Damasceno citou o carisma do papa Francisco como potencial para a atração de um público bem maior.

"Não será um público jovem, que provavelmente estará no Rio de Janeiro acompanhando a Jornada Mundial da Juventude. Aqui virão as famílias, crianças e as pessoas mais idosas", descreveu ele, que condicionou a possibilidade do recorde de visitação em Aparecida à atitude da mídia. "O que acontece aqui nas grandes manifestações, não só quando vem um papa: os meios de comunicação começam a falar do engarrafamento, que Aparecida não tem condições de receber esse número de turistas, que os restaurantes não dão conta, que não há segurança, que não há atendimento médico. Toda uma propaganda negativa que afasta os romeiros."

A cidade, segundo ele, está acostumada a receber multidões. Em 2012, 11,6 milhões de turistas visitaram Aparecida. O número representa uma média de 223 mil devotos por final de semana. "O público é quase 480% maior do que os 38 mil habitantes do município", afirma Marcondes, que diz que a segurança nesses finais de semana comuns é garantida exclusivamente com os policiais locais e do governo do Estado. "Com a visita do papa, essa segurança será reforçada pela Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Exército, Aeronáutica, Polícia Científica, além da Polícia Militar, Civil e Municipal."

Marcondes também diz que a rede hoteleira da cidade está pronta para abrigar os fiéis que quiserem vir acompanhar a visita do papa Francisco. "Nós temos mais leitos de hotel do que leitos em residências. Ou seja, se a população todinha de Aparecida resolvesse sair de sua residência e ir para o hotel teria leito para todo mundo", brincou ele. 

Aparecida, segundo o Sinhores (Sindicato dos Hotéis, Bares e Restaurantes de Aparecida e Vale Histórico), tem 33 mil leitos distribuídos em 175 meios de hospedagens. "Um pouco menos de 25% das vagas ainda estão disponíveis para o período em que o papa Francisco vem à cidade. Os melhores hotéis, no entanto, já estão lotados", relata o presidente do sindicato, Ernesto Elache. Ele recomenda como reforço a rede hoteleira de Guaratinguetá, Cunha, Lorena, Cachoeira Paulista e Pindamonhangaba. "São cidades que ficam a um raio de 30 a 35 km de Aparecida e que podem dar o suporte necessário para acomodar todos os turistas."

As empresas de alimentação da região, na opinião de Elache, também têm condições de atender a demanda prevista para o dia 24 de julho. "A cidade tem 55 estabelecimentos, entre lanchonetes e restaurantes, que passam a ganhar reforço com os 175 hotéis espalhados pelo município, já que todos eles oferecem todos os tipos de alimentação", aponta.

Ainda assim, segundo o presidente do Sinhores, a cidade que está no roteiro religioso mundial está estagnada. "É carente de placas informativas em pelo menos dois idiomas, de calçadas com acessibilidade, de estacionamento e de mobilidade urbana."

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