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Protestos "dão a chance de uma vovó de 79 anos falar com o mundo", diz aposentada no Rio

A aposentada Belinha Santos, 79, participa de manifestação na Candelária, no Rio de Janeiro - Julia Affonso/UOL
A aposentada Belinha Santos, 79, participa de manifestação na Candelária, no Rio de Janeiro Imagem: Julia Affonso/UOL

Julia Affonso

Do UOL, no Rio

11/07/2013 16h11

A aposentada Belinha Santos, 79, participa nesta quinta-feira (11), no centro do Rio de Janeiro, de sua terceira manifestação nos últimos meses. Ela reivindica aos idosos o mesmo salário que ganhavam quando se aposentaram.

Qual deve ser o principal tema dos próximos protestos no Brasil?

"Esses movimentos dão a chance de uma vovó de 79 anos falar com o mundo e cobrar. O governo não paga o que deveria. Os aposentados recebem uma esmola”, afirmou ela, que é natural de Barbacena, Minas Gerais, e trabalhou como babá durante boa parte da vida. “Roubar aposentado é uma covardia."

Belinha participou das manifestações do dia 20 de junho, na Candelária, centro da cidade, e de 30 de junho, na Praça Saens Peña, na Tijuca, zona norte, data da final da Copa das Confederações. Além dos protestos deste ano, ela participou também da passeata que pediu o impeachment do ex-presidente Fernando Collor.

"Votei nele nos dois turnos, mas fez "M" e eu fui para as ruas para tirá-lo. O protesto é um direito nosso de clamar pelo que o governo está nos devendo", disse Belinha.

Grupo faz fogueiras para se proteger da PM em protesto no RJ

Protesto

Pelo menos 2.000 pessoas se reúnem na Candelária, a maioria representantes das centrais sindicais UGT (União Geral dos Trabalhadores), Força Sindical, CUT (Central Única dos Trabalhadores), CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil), CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) e NCST (Nova Central Sindical dos Trabalhadores), para a manifestação prevista para começar às 17h. A informação é de policiais militares no local.

Policiais do 5º BPM informaram que cerca de 300 homens do batalhão e da Polícia de Choque foram mobilizados para acompanhar a manifestação, que devem partir em direção à Cinelândia e, depois, seguir até o Palácio Guanabara, sede do governo fluminense. Diferentemente dos demais protestos que vêm ocorrendo na capital fluminense desde o início de junho, neste quase não há presença de estudantes.

O público do ato foi fortalecido após a chegada de centenas de militantes de partidos de esquerda e de movimentos sociais, que iniciaram uma caminhada originada na Praça 15, também no centro, até a Candelária. O protesto é acompanhado por cerca de 50 policiais militares somente no local da concentração.

Em discurso, as lideranças do ato afirmaram que o dia 11 de julho marca o início de uma "mobilização em prol da greve geral no Rio", e que as autoridades teriam sido "ingênuas" ao pensarem que a paralisação em massa ocorreria nesta quinta-feira. O governador Sérgio Cabral, recentemente envolvido em uma polêmica sobre o uso de helicópteros oficiais, é o político mais hostilizado pelos manifestantes.

"Enquanto o Cabral anda de helicóptero, os moradores da Baixada andam que nem sardinha em lata. Queremos metrô na Baixada Fluminense!", afirmou um dos representantes da CGTB do alto carro de som.

Representantes da UGT, central sindical que congrega 84 sindicatos e mais de um milhão de trabalhadores no Rio, trouxeram para a passeata 100 bandeiras, 600 camisetas, 600 bonés e mil lanches que serão distribuídos na praça. Sete carros de som já estão estacionados ao lado da igreja.

Outro grupo de cerca de 50 pessoas saiu por volta das 15h30 da sede da prefeitura em passeata pela pista lateral sentido centro da avenida Presidente Vargas, que não chegou a ser interditada. Eles deverão seguir até o prédio da estação ferroviária Central do Brasil.

Os manifestantes carregam cartazes pedindo o fim do voto obrigatório e o impeachment do governador Sérgio Cabral (PMDB), entre outras reivindicações, como a desmilitarização da Polícia Militar. O grupo está sendo acompanhado por uma viatura da PM.

Para evitar depredações durante a manifestação, 60 agências bancárias do centro do Rio de Janeiro não abriram as portas, e ainda lacraram as fachadas com tapumes de madeira. De acordo com o Sindicato dos Bancários do Rio, são 1.500 funcionários da categoria parados por causa do fechamento dos bancos.

O Sindicato dos Bancários, que não reconhece a greve, informou que os bancos fecharam por causa do protesto. As agências ficam nas avenidas Rio Branco e Presidente Vargas e no entorno da igreja da Candelária, ponto de concentração das manifestações, marcadas para as 15h.

A central de distribuição dos Correios, em Benfica, na zona norte da capital, está sem receber caminhões com correspondências desde as 4h por causa do protesto de trabalhadores da categoria. Cerca de 50 caminhões foram impedidos por manifestantes de entrar no local. O depósito é responsável pelo despacho de mais de 80% das correspondências de todo o Estado.

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