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Papa Francisco critica discussão sobre liberação das drogas

Guilherme Balza

Do UOL, no Rio

2013-07-24T19:23:37

2013-07-24T23:17:10

24/07/2013 19h23Atualizada em 24/07/2013 23h17

O papa Francisco criticou, em visita ao hospital São Francisco de Assis, na Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro, nesta quarta-feira (24), a discussão sobre a liberação das drogas "em vários países da América Latina".

"Não é deixando livre [o consumo e o comércio de drogas] que se conseguirá diminuir a influência da dependência química", afirmou. O papa disse ainda que o tráfico de drogas "semeia a morte". O local visitado pelo pontífice trata dependentes químicos.

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O pontífice disse ainda que na sociedade atual, em que "prevalece o egoísmo", deve haver coragem e que "é necessário enfrentar os problemas que estão na raiz do uso das drogas", afirmou. "Precisamos olhar a todos com o amor de Cristo".

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  • Arte/UOL

Dois dependentes químicos em tratamento leram textos ao papa antes do discurso dele. "Santidade, eu vivi por 17 anos me drogando. Hoje, pela graça de Deus, estou sóbrio por 11 anos e trabalhando na instituição que me acolheu", afirmou um deles. O papa os abraçou depois da leitura dos textos.

"Hoje, neste lugar de luta contra a dependência química, quero abraçar a cada um e cada uma de vocês - vocês que são a carne de Cristo – e pedir a Deus que encha de sentido e de esperança segura o caminho de vocês e também o meu", afirmou o papa em seu discurso.

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Na América Latina, o Uruguai tem um projeto prestes a ser votado para legalizar o comércio e consumo de maconha. A discussão também ocorre no Brasil, mas não há propostas em discussão no Congresso.

O papa também fez uma referência ao santo que batiza o hospital e é uma das inspirações para a escolha de seu nome papal.

"O jovem Francisco abandona riquezas e comodidades do mundo para fazer-se pobre no meio dos pobres, entende que não são as coisas, o ter, os ídolos do mundo a verdadeira riqueza e que estes não dão a verdadeira alegria, mas sim seguir a Cristo e servir aos demais", disse o papa  em seu discurso. "Mas talvez seja menos conhecido o momento em que tudo isto se tornou concreto na sua vida: foi quando abraçou um leproso".

Desafio

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Ao longo do discurso, centrado na questão da dependência química e de como a Igreja e as pessoas podem ajudar na recuperação de viciados em drogas, o papa Francisco fez apelos para que aqueles que estão em recuperação lembrem-se do "amor materno de Maria".

"A todos vocês que lutam contra a dependência química, a vocês familiares que têm uma tarefa que nem sempre é fácil: a Igreja não está longe dos esforços que vocês fazem, Ela lhes acompanha com carinho", disse o pontífice.

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Francisco ainda lembrou que a vontade do dependente é "condição imprescindível" para a recuperação. "Queridos amigos, queria dizer a cada um de vocês, mas sobretudo a tantas outras pessoas que ainda não tiveram a coragem de empreender o mesmo caminho de vocês: Você é o protagonista da subida", afirmou o papa "Você encontrará a mão estendida de quem quer lhe ajudar, mas ninguém pode fazer a subida no seu lugar. Mas vocês nunca estão sozinhos".

Considerado como o principal legado social da JMJ (Jornada Mundial da Juventude), a inauguração de um novo complexo para internação de dependentes químicos no hospital São Francisco de Assis --bancado com recursos da Conferência Episcopal Italiana-- não ficou pronto a tempo.

A ideia original era que a ala fosse inaugurada durante a visita do papa Francisco ao local, mas agora a previsão é de que o local só seja inaugurado no mês que vem. O PAI (Polo de Atenção Integral à Saúde Mental) ocupará um prédio de quatro andares no complexo hospitalar e está orçado em cerca de R$ 2,5 milhões.

Todos os 80 leitos de internação planejados deverão estar funcionando até o fim do ano, segundo a administração do hospital.

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