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Cotidiano

Manifestantes alcançam areia da praia de Copacabana e assustam peregrinos

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, no Rio

27/07/2013 23h36

Um grupo de aproximadamente 50 manifestantes conseguiu superar o bloqueio com grades e alcançou a areia da praia de Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, onde milhares de peregrinos acampam em vigília, na noite deste sábado (27).

Os ativistas ligados à Marcha das Vadias mostram cartazes em defesa dos direitos LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros) e das mulheres. Outros protestam contra o governador Sérgio Cabral ou citam o pedreiro Amarildo Souza, 42, morador da favela da Rocinha desaparecido após ser detido por policiais da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) da comunidade.

Amedrontados, alguns peregrinos desmontaram as barracas e foram para outros locais. Alguns manifestantes provocaram os católicos, fazendo alusões ao “Satã” ou dizendo que “Jesus era gay”. Não houve tumulto ou atos de violência física. Depois de cinco minutos na areia, o grupo retornou à avenida Atlântica e continuou com o protesto na via.

Vigília ao lado de prostíbulo

Peregrinos brasileiros e estrangeiros que participam da vigília da Jornada Mundial da Juventude montaram acampamento ao lado de uma conhecida área de prostituição do bairro, na altura da praça do Lido, em Copacabana.

Os fiéis vão pernoitar na calçada da avenida Atlântica, exatamente onde ficam os estabelecimentos Balcony Bar e Dolce Vita. Por conta da Jornada, poucas garotas de programa estão circulando pelo local, que é comumente frequentado por turistas estrangeiros.

O mexicano Martin Fernandez, que improvisou um saco de dormir ao lado do Balcony Bar, afirmou que não sabia que a área escolhida para vigília era frequentada por garotas de programa em dias normais. “Ia morrer sem saber”. Segundo o católico, “Deus escreve certo por linhas tortas”. “Quem sabe não podemos purificar este local”, completou.

Já o brasileiro César Muniz, peregrino de Sergipe, disse que já havia “ouvido falar” a respeito das atividades exercidas na região da praça do Lido. “Amigos meus do Rio falaram alguma coisa sobre esse lugar. Mas o acampamento não foi de propósito. Vamos respeitar o espaço de cada um.”

A cerca de 50 metros, outra casa de prostituição, conhecida como Calábria, não tem movimentação de prostitutas. O estabelecimento está comercializando o uso do banheiro. Peregrinos pagam R$ 5 para usar o sanitário do local.

Discurso do papa na vigília

No discurso durante a vigília, o pontífice disse que a mudança do evento de Guaratiba para Copacabana pode ser um recado divino e usou o futebol como metáfora para incentivar os fiéis a "reconstruírem" a Igreja.

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"Bom, penso que nós podemos aprender alguma coisa do que aconteceu esses dias: como nós tivemos que cancelar, por causa do tempo, a realização dessa vigília no Campus Fidei (Campo da Fé), Guaratiba. Não estaria o Senhor querendo nos dizer que o verdadeiro Campo da Fé não é um lugar geográfico, mas sim nós mesmos? Sim, cada um de nós, cada um de vocês e ser discípulo missionário significa saber reconhecer que somos o campo da fé de Deus", afirmou.

 

"Acho que a maioria de vocês ama os esportes. E aqui no Brasil, como em outros países, o futebol é uma paixão nacional. Ora bem, o que faz um jogador quando é convocado para jogar em um time? Deve treinar, e muito! Também é assim na nossa vida de discípulos do senhor. Jesus nos oferece algo muito superior que a Copa do Mundo! Oferece-nos a possibilidade de uma vida fecunda e feliz e nos oferece também um futuro com ele que não terá fim: a vida eterna", declarou.

 

A vigília prossegue até manhã deste domingo, com milhares de fiéis acampados na praia e nas ruas de Copacabana.

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