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Prefeitura de São Paulo vai reorganizar todas as linhas de ônibus da cidade

Pessoas se penduram em ônibus lotado em Santo Amaro, zona sul de São Paulo - Leandro Moraes/UOL
Pessoas se penduram em ônibus lotado em Santo Amaro, zona sul de São Paulo Imagem: Leandro Moraes/UOL

Marivaldo Carvalho

Do UOL, em São Paulo

09/09/2013 15h22Atualizada em 09/09/2013 18h38

Para agilizar as viagens de ônibus, a Prefeitura de São Paulo vai reorganizar as 1.331 linhas que circulam pela cidade nas quais andam 4,5 milhões de passageiros por dia. As primeiras a receber intervenções, neste ano, serão as linhas que percorrem o corredor Pirituba-São João, na zona oeste, por onde são realizadas 600 mil viagens em um dia útil.

Para os passageiros que saem da periferia, a prefeitura vai implantar em diversos pontos da cidade estações de transferência. Todos os usuários que pegam esses ônibus vão cair numa estação dessas, uma espécie de “mini-terminal” de onde vão pegar um outro ônibus que circule pelo corredor.

“A reorganização das linhas vai mexer com a cultura do passageiro que está acostumado a ter a linha direta e vai ter de fazer a integração”, diz a diretora de Planejamento da SPTrans, Ana Odila de Paiva.

Com as mudanças, diversas avenidas importantes da cidade, como Pacaembu e Sumaré, vão ganhar mais ônibus. “Na avenida Pacaembu quase não passa  ônibus. É um a cada meia hora”, afirma.

Trânsito em São Paulo
Trânsito em São Paulo
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Para o especialista em trânsito Horácio Augusto Figueira, a ideia da estação de transferência e a diminuição das linhas nos corredores é interessante, porém a prefeitura deve oferecer uma oferta maior que a demanda.

“Precisa melhorar a eficiência para o sistema funcionar de forma perfeita, senão o sistema vai para o ralo. Quando o motorista do carro olhar para o ônibus e ver que tem pouca gente em pé, que tem atrativo de conforto, ele vai deixar o carro em casa”, afirma.

Para o professora de Planejamento Urbano da FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo) da USP Marly Namur, a ideia é boa, mas precisa ver como a prefeitura vai executar. “Isso vai racionalizar o sistema, mas tem que ver se a empresas de ônibus vão aceitar. Tem interesse da população e também do empresário. Outra coisa que a prefeitura deve fazer é integrar o sistema com o metrô e o trem. Um exemplo da falta de integração é o metrô Butantã. Ali é um caos todo dia por que não foi planejado um terminal de ônibus ao lado da estação. Não dá para continuar desse jeito”, afirma.            

O objetivo da prefeitura é que as linhas da cidade funcionem em rede por meio dos chamados eixos radiais, que são vias como Rebouças, Radial Leste, Nove de Julho, onde estão os corredores de ônibus, em sintonia com os eixos perimetrais como avenidas Pacaembu e Sumaré.

“Trabalhar em rede significa ter menos linhas, porém com maior frequência. Diminuir linha não significa reduzir ônibus. É distribuir de forma diferente, utilizando melhor o sistema viário que já existe. Temos um compromisso com a qualificação. E um dos elementos de qualificação é a reserva do espaço no sistema viário”, diz Ana Odila.

A cidade tem 4.500 km de rede por onde passam cerca de 15 mil ônibus e a forma de como estão organizados está errada, segundo o secretário de Transportes da Prefeitura de São Paulo, Jilmar Tatto. “Há má distribuição das linhas na cidade. Na avenida Paulista, por exemplo, tem mais de 30 linhas de ônibus que vivem vazias”, afirma Tatto.  

Para o presidente do Sindicato dos Motoristas de São Paulo, Isao Hosogi, o Jorginho, a prefeitura está no caminho certo ao reorganizar as linhas da cidade, inclusive implantando as  estações de transferência. “É por aí mesmo. Com esse novo modelo, vai agilizar mais as viagens. Quem vai ser beneficiada vai ser a população, o trabalhador, enfim, todo mundo vai ser beneficiado com isso”, afirma Jorginho.

Região central

Outra mudança vai ser na região central da cidade, onde diversas linhas vão deixar de circular. Segundo a prefeitura, muitos ônibus que trafegam por ali não pegam nem deixam usuários. “São 500 mil usuários que passam por ali por dia, mas que não precisam [pois vão descer em outro lugar]. Um milhão de viagens que não precisa passar por ali”, afirma.

Faixas exclusivas

Este ano, a prefeitura implantou 150 km de faixas exclusivas de ônibus na cidade. Segundo a SPTrans, empresa que gerencia o transporte público na cidade, houve um aumento de 30% na velocidade dos ônibus em algumas faixas, como no corredor norte-sul.

“Uma coisa que tem que ficar clara. Tem gente falando que não tem ônibus na faixa porque está vazia. É assim que tem que funcionar para ficar bem. Quando cria fila já significa que está congestionado. Uma fila de ônibus significa que o sistema não está bom. Tem que parecer que está vazio, ele está carregando mais gente. Esse “parecer” vazio está errado na visão das pessoas, que é o caso da faixa exclusiva da 23 de Maio”, disse Ana Odila.

Cotidiano