Secretário defende tiros de sub contra MST na BA; Wagner é pressionado por exoneração

Do UOL, em Maceió

  • Salvio Oliveira/MST

    O subsecretário de Segurança Pública da Bahia, Ari Pereira, fez disparos de arma de fogo para dispersar integrantes do MST que haviam invadido o prédio da secretaria em Salvador

    O subsecretário de Segurança Pública da Bahia, Ari Pereira, fez disparos de arma de fogo para dispersar integrantes do MST que haviam invadido o prédio da secretaria em Salvador

O secretário de Segurança Pública da Bahia, Maurício Barbosa, defendeu a reação e os disparos com arma de fogo feitos, na manhã desta terça-feira (10), pelo subsecretário Ari Pereira contra integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) que invadiram a recepção do prédio-sede do órgão, em Salvador.

Em fotos divulgadas pelo MST, Pereira aparece com arma em punho, apontando contra os manifestantes. Após o conflito, uma cápsula foi recolhida pelos sem terra. Uma marca de tiro ficou na parede. Instituições e autoridades se manifestaram e cobram a exoneração do subsecretário pelo governador Jaques Wagner (PT).

Em nota, a SSP confirmou o disparo. "Após tentarem tomar a arma de um soldado da guarda, já iam subir as escadas de acesso aos outros pavimentos, quando foram impedidos por um disparo de advertência", diz a nota.

O secretário defendeu a ação. "Não podemos aceitar nenhum tipo de tomada do prédio que representa e simboliza a segurança pública do nosso Estado sobre qualquer pretexto", disse Maurício Barbosa, em entrevista à Rede Bahia de Televisão, nesta quarta-feira (11).

Os disparos feitos pelo subsecretário também foram apontados como necessários pelo secretário de Segurança Pública. "De fato, nós tivemos que apelar para o uso de armas de fogo, em detrimento às inúmeras pessoas que entraram aqui com foice e facão na mão, deliberados a tomar prédio. Temos que salvaguardar a segurança de nossos servidores", afirmou.

Sobre a reivindicação dos sem terra –que pedem celeridade e rigor as investigações da morte do líder do movimento, Fábio do Santos Silva, morto em Iguaí, em abril--, o secretário garantiu que um inquérito está aberto a investigando o caso.

"Estamos bem avançados, mas temos decisões judiciais, do Ministério Público a cumprir", alegou Barbosa.

Reação e repercussão

A ação do subsecretário foi alvo de críticas de instituições e políticos, até mesmo aliados. A deputada estadual Luíza Maia (PT), integrante da base do governo, discursou nesta terça-feira na Assembleia Legislativa pedindo que o governador exonere o subsecretário. "O que esse Ari fez foi absurdo! O MST merece respeito", disse a deputada, por meio do Twitter.

O vereador Marcos Prisco (PSDB), coordenador-geral da Associação dos Praças e Bombeiros do Estado da Bahia (Aspra), também criticou a ação. "Esta não deve ser a postura de um subsecretário de segurança. A ação é reflexo do governo arbitrário que temos na Bahia. O Governo do Estado nada fará para puni-lo?", questionou.

A ação do subsecretário chegou a ganhar destaque internacional, com matéria no jornal La Stampa, da Itália. A publicação lembra "o estado da Bahia é governado por Jacques Wagner, do Partido dos Trabalhadores (PT, esquerda), o mesmo da presidente Dilma Rousseff".

Até o momento, o governador Jaques Wagner não se pronunciou sobre a ação e, segundo o governo, não há qualquer informação sobre a saída de Ari Pereira do cargo.

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