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Grupo de combate ao crime organizado do MP do Rio vai acompanhar caso Amarildo

Cerca de 30 policiais da Divisão de Homicídios, com auxílio de 40 bombeiros, realizam buscas pelos restos mortais do pedreiro Amarildo de Souza, 43, em represas na parte alta da favela da Rocinha - Gustavo Maia/UOL
Cerca de 30 policiais da Divisão de Homicídios, com auxílio de 40 bombeiros, realizam buscas pelos restos mortais do pedreiro Amarildo de Souza, 43, em represas na parte alta da favela da Rocinha Imagem: Gustavo Maia/UOL

Gustavo Maia

Do UOL, no Rio

11/10/2013 19h28

O MPRJ (Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro) designou que o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), que faz parte da entidade, acompanhe junto à Justiça os desdobramentos do caso do desaparecimento do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza, 43.

De acordo com o Ministério Público, a decisão do procurador-geral de Justiça Marfan Martins Vieira levou em conta o trabalho investigativo que o grupo "desenvolve em alguns dos crimes de maior repercussão no país, bem como no combate a organizações criminosas que envolvem, direta ou indiretamente, policiais corruptos, auxiliando no controle externo das polícias".

Segundo denúncia do MPRJ, Amarildo morreu após ser torturado por PMs dentro da base da unidade, localizada no alto da comunidade, em uma região conhecida como Portão Vermelho, no dia 14 de julho. Dez policiais foram presos no dia 4 sob acusação de tortura, homicídio e ocultação de cadáver.

BLOG DO MÁRIO MAGALHÃES

"A coragem que tempera o inquérito do caso Amarildo é inversamente proporcional ao destaque diminuto que as conclusões policiais receberam nos meios de comunicação: parece que se trata apenas de mais uma peça produzida pela Polícia Civil do Rio de Janeiro"

Nesta sexta-feira (11), policiais civis da DH (Divisão de Homicídios) fizeram buscas pelo corpo de Amarildo, mas não conseguiram encontrar nada. A procura pelos restos mortais do morador da comunidade começou às 10h e contou com 30 policiais civis e 40 homens do Corpo de Bombeiros, além de cães farejadores.

Asfixia, choque e ingestão de cera líquida

O relatório da Polícia Civil pede a prisão preventiva dos dez PMs indiciados e afirma que a tortura de moradores era costumeira nos contêineres da sede da UPP, no topo da favela.

Em depoimento, testemunhas relataram os tipos de agressões a que eram submetidas, segundo elas, pelos policiais comandados pelo major Edson.

Asfixia com saco plástico, choque elétrico com corpo molhado, introdução de objetos nas partes íntimas e até ingestão de cera líquida eram alguns dos "castigos" aplicados aos moradores da Rocinha, dentro e fora das dependências da UPP -- alguns depoimentos falam em sessões de tortura em becos da comunidade, incluindo o beco do Cotó.

Dez presos

Os dez policiais militares denunciados à Justiça pelos crimes de ocultação de cadáver e tortura seguida de morte do pedreiro Amarildo de Souza, na favela da Rocinha, na zona sul do Rio de Janeiro, se apresentaram na noite da última sexta-feira (4) no quartel-general da corporação, na rua Evaristo da Veiga, no centro da capital fluminense.

Entre os presos está o major Edson Santos, ex-comandante da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) Rocinha. Os demais são: Luiz Felipe de Medeiros, Jairo Ribas, Douglas Machado, Marlon Reis, Jorge Luiz Coelho, Victor Pereira da Silva, Anderson Maia, Wellington Tavares da Silva e Fábio Rocha.

Amarildo foi visto pela última vez no dia 14 de julho durante a operação policial "Paz Armada", que tinha o objetivo de desestabilizar o tráfico de drogas na Rocinha. Segundo testemunhas, ele teria sido levado por quatro dos dez policias denunciados (Machado, Coelho, Reis e Pereira da Silva).

Cotidiano