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Este capítulo deve ser encerrado, diz Henry Sobel sobre roubo das gravatas

Fabiana Maranhão

Do UOL, em São Paulo

26/11/2013 01h50Atualizada em 26/11/2013 02h04

O rabino norte-americano radicado no Brasil Henry Sobel, 69, disse que quer ver encerrado o "capítulo" do roubo das gravatas. A declaração foi dara durante entrevista ao programa "Roda Viva", da TV Cultura, na noite desta segunda-feira (25).

Questionado sobre o incidente, Sobel inicialmente disse que não ter entendido a pergunta e depois afirmou "preciso pensar; você me dá uma chance para voltar [ao assunto]?".

Em outro momento do programa, ele declarou: "Eu acredito que há fatos na vida que fogem do controle da nossa própria consciência. Eu errei, me arrependi e acredito que esse capítulo deve ser encerrado".

O capítulo que o rabino que mora no Brasil desde a década de 1970 se referiu é o da sua prisão em março de 2007 em Palm Beach, na Flórida (Estados Unidos), depois de ter furtado quatro gravatas de lojas luxuosas de grife.

Ele chegou a ser detido, mas foi liberado após pagamento de fiança. À época, o então presidente do rabinato da Congregação Israelita Paulista afirmou que havia cometido o crime depois de ter tomado uma dose forte de remédios.

Mas em agosto deste ano ele desmentiu a versão e afirmou que uma falha moral o levou a furtar as gravatas. "É bom perdoar, é bom perdoar a si mesmo [...] Não estou feliz com o incidente, mas aconteceu. Peço perdão a todos os telespectadores", disse.

Sobel defende Jerusalém como capital de Israel e Palestina

Estado da Palestina

O rabino da ala liberal da comunidade judaica declarou ser a favor da existência do Estado da Palestina.

"Deve haver concessão mútua. Dois Estados para dois povos. Mas não dois Estados vivendo apenas em paz; dois Estados ajudando um ao outro. E mais: com Jerusalém como capital única de ambos", disse.

Na opinião de Sobel, a questão na região ainda não foi resolvida por falta de boa vontade e de uma liderança forte no Oriente Médio, tanto do lado israelense como do palestino.

"A liderança palestina é fraca. Não há líderes representativos com quem Israel pode dialogar. A primeira coisa que eu cobraria dos palestinos é um reconhecimento de Israel e isso inclui uma mesa de negociações porque isso enfraqueceria os radiciais de ambos os lados", falou.

Paz é cada vez mais distante entre Israel e Palestina, diz Sobel

Henry Sobel também fez críticas a Israel na busca pela paz entre os dois povos. "Eu acho que vai demorar até que haja paz por inércia. Israel está esforçando-se cada vez mais na frente interna [...] enquanto isso a paz externa fica cada vez mais longe", afirmou.

Mudança para os Estados Unidos

Após 43 anos morando no Brasil, Henry Sobel está de malas prontas para se mudar para Miami (Estados Unidos). Ela deve viajar ainda este mês para seu país de origem.

"É dificil deixar o Brasil. Eu completo 70 anos no mês que vem e achei que era tempo de me aposentar", disse.

Ele contou que pretende aproveitar o tempo em Miami para ler, contemplar a natureza e descansar. Mas ele revelou que não deve passar muito tempo longe do país.

"Pretendemos voltar para o Brasil para ajudar a nossa filha única em seu casamento em novembro do ano que vem. Depois disso, serão seis meses em São Paulo e seis meses em Miami, numa ponte aérea São Paulo-Miami", riu.

Rabino vê tendência de surgimento de regime parecido ao nazismo

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