PUBLICIDADE
Topo

Jovens trocam shopping por parque para evitar confusão em "rolezinhos"

Jovens trocaram shopping por parque e se encontraram em "rolezinho" no Ibirapuera (zona sul de São Paulo), no último sábado (18)  - Raquel Cunha/Folhapress - 18.jan.2014
Jovens trocaram shopping por parque e se encontraram em "rolezinho" no Ibirapuera (zona sul de São Paulo), no último sábado (18) Imagem: Raquel Cunha/Folhapress - 18.jan.2014

Fabiana Maranhão

Do UOL, em São Paulo

20/01/2014 17h54

Cerca de cem adolescentes e jovens que participam de "rolezinhos" trocaram o ar-condicionado dos shopping centers pelo verde do parque Ibirapuera, na zona sul de São Paulo, no último sábado (18). A ideia de fazer o encontro fora de um centro comercial foi evitar que se repetisse a confusão registrada no fim de semana anterior em um shopping na zona leste da capital paulista.

"Fizemos no parque porque os policiais não ficam embaçando, não ficam em cima de nós", explicou Vinicius Andrade, 17, um dos "coordenadores" do encontro organizado pelas redes sociais.

"Preferimos o Ibirapuera porque lá é um espaço público e cabe mais gente", disse Deivid Santana, 18, outro organizador do "rolezinho".

Vinicius, que estuda e também trabalha como manobrista junto com o pai, reclama da forma como os participantes dos encontros são tratados nos centros comerciais. "No shopping, esses ricos 'fecham a cara' para nós. Eles pensam que todo favelado é ladrão, mas estão enganados", diz.

Ao menos oito "rolezinhos" estão agendados para o próximo fim de semana na Grande São Paulo, metade deles em espaços públicos.

A onda de "rolezinhos", que chegam a reunir milhares de jovens, começou em dezembro do ano passado em shoppings de São Paulo e se espalhou por outras cidades. Donos dos centros comerciais conseguiram, na Justiça, barrar a realização dos encontros, com multa de R$ 10 mil para quem insistisse em fazer o “rolezinho”.

No último dia 11, policiais militares usaram bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha para dispersar participantes de evento realizado no Shopping Metrô Itaquera, na zona leste.

"Rolezinho-protesto"

A repressão policial contra os participantes dos encontros foi criticada e se tornou motivo de "rolezinhos-protesto" organizados por movimentos sociais.

Na última quinta-feira (16), dois shoppings da zona sul da capital fecharam as portas para evitar que integrantes do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) protestassem dentro desses centros comerciais em apoio aos "rolezinhos".

No sábado, o grupo Uneafro (União de Núcleos de Educação Popular para Negras/os e Classe Trabalhadora) organizou ato em frente ao shopping JK Iguatemi, um dos mais luxuosos da capital paulista, contra o que o movimento classificou como “racismo das autoridades brasileiras” por conta da liminar dada ao shopping pela Justiça para proibir a realização de “rolezinhos” em seu interior.

Deivid apoia os atos. "Se for algo para ajudar meu povo, tem meu apoio", afirmou o jovem. Seu amigo de infância e parceiro dos "rolês" Vinicius, por outro lado, criticou os "rolezinhos-protesto".

"Acho uma palhaçada isso. Tantos lugares para fazer protesto, e eles fazem nos shoppings. [Os donos dos centros comerciais] pensam que são os jovens que estão fazendo isso e não nos deixam mais entrar no shopping", reclama.

Clique na imagem e teste seus conhecimentos sobre 'rolezinho'

  • Bruno Poletti/Folhapress

Espaços de lazer

Morador do Capão Redondo (região sudoeste da capital), Deivid reivindica mais espaços de lazer. "O que a gente mais deseja é ter um lugar público com muitas coisas de lazer para nós. Hoje em dia, não tem muita coisa para os jovens da periferia", declara.

Em dezembro do ano passado, ele realizou outros dois "rolezinhos", um em Itaquera e outro no Campo Limpo, na zona sul. Deivid está organizando mais um encontro para o próximo sábado (25), novamente no Ibirapuera. Até o começo da tarde desta segunda-feira (20), cerca de 2.000 pessoas tinham confirmado presença na página do evento no Facebook.

Vinicius deseja "mais liberdade nos rolezinhos". "A gente só quer se curtir", diz o adolescente que parou de estudar e trabalha vendendo borracha para aparelho ortodôntico.

Cotidiano