Diego Herculano/AFP

Violência no Rio

Beltrame diz que ordens para ataques a favelas com UPP vêm de prisões

Gustavo Maia

Do UOL, no Rio

Um dia depois de mais um confronto entre criminosos e policiais em uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora), que terminou com uma policial militar morta na comunidade Parque Proletário, no Complexo da Penha, zona norte do Rio de Janeiro, o secretário de Estado de Segurança, José Mariano Beltrame, disse nesta segunda-feira (3) que os recentes ataques a favelas ocupadas pela PM são ordenados de dentro dos presídios.

"Essa discussão deve considerar que armas não são feitas no Rio de Janeiro. Munição não é feita no Rio de Janeiro. Droga não é feita no Rio de Janeiro", afirmou Beltrame. "As ordens vêm dos presídios. Pessoas presas por crimes voltam rapidamente às ruas, porque há leis que legitimam isso [...] Hoje foi um dia complicado pra mim. Então, se se pretende discutir esse assunto, por que só as polícias do Rio de Janeiro têm que falar sobre as consequências dessas etapas que eu acabei de narrar?", declarou.

O comandante da Polícia Militar, coronel Luís Castro, afirmou nesta segunda-feira (3) que não há crise e que os recentes conflitos ocorridos em favelas ocupadas pela PM foram "casos pontuais".

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  • Arte/UOL

"As UPPs não estão sob ataque. Se tivermos problemas, vamos atuar. Não vamos recuar", declarou Castro na Cidade da Polícia, em Jacarezinho, na zona norte da capital fluminense, durante solenidade de posse do novo chefe de Polícia Civil, o delegado Fernando Veloso.

O secretário Beltrame também negou que as Unidades de Polícia Pacificadora estejam sob ataque, justificando que os locais onde houve confrontos com criminosos recentemente são muito populosos.

"Nós temos 36 UPPs, atendemos aproximadamente 1,5 milhão de pessoas, são 9.200 policiais. Temos tido alguns incidentes, especialmente nas UPPs que têm mais de 100 mil habitantes, o que não é uma brincadeira. É maior do que 80% dos municípios brasileiros", afirmou.

O ataque ocorrido neste domingo, que resultou na morte da soldado Alda Rafael Castilho, foi classificado pelo secretário como "uma covardia". "Uma policial feminina de 22 anos, universitária, foi atingida pelas costas. Essa morte não foi somente dela. A sociedade foi atingida pelas costas, porque a sociedade quer o projeto e paga por ele. Esse incidente, sem dúvida nenhum, é muito triste", declarou Beltrame.

Sobre a situação da comunidade do Parque Proletário, onde morreu a soldado Alda Rafael Castilho durante um ataque de traficantes à sede da UPP local no domingo (2), o coronel Luís Castro afirmou que "aquele território agora é azul e branco".

"São as cores da Polícia Militar, são as cores do Estado. Não vamos recuar no domínio territorial armado. A nossa tarefa não fácil, o nosso trabalho é árduo, mas no final a gente vai conseguir alcançar a paz naquele local", declarou.

 

O policiamento foi reforçado nesta segunda-feira na comunidade. Segundo a Secretaria de Estado de Segurança, o secretário José Mariano Beltrame determinou que as polícias Civil e Militar façam operações em 12 áreas de atuação da facção responsável pela ação criminosa na UPP do Parque Proletário.

A operação foi determinada na noite de domingo, após uma reunião de Beltrame com representantes da Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança e das Inteligências das Polícias Militar e Civil para traçar as estratégias de ação para hoje.

"As ações estão sendo desencadeadas. Hoje nós atuamos em 14 comunidades do Comando Vermelho e, me permitam, mais do que isso, eu não posso e não vou falar", afirmou o secretário.

Os atiradores passaram em frente ao contêiner que serve de base da UPP num carro branco. Testemunhas disseram que outros dois carros deram cobertura à ação. Após o ataque, todos escaparam. Outras três pessoas foram atingidas pelos tiros. "Quantos marginais da lei não ficaram desempregados com a chegada das UPPs? É claro que eles não vão ver com bons olhos a nossa presença ali", declarou o comandante da PM.

Recém-empossado chefe de Polícia Civil, o delegado Fernando Veloso, que substituiu a delegada Martha Rocha, mencionou o trabalho das forças de segurança em favelas. "Tenham certeza, junto com as instituições co-irmãs, vamos contribuir para a consolidação do processo de pacificação do Governo do Estado", afirmou.

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