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Cotidiano

Jovem silencia sobre rojão; "provas são contundentes", diz delegado

Gustavo Maia

Do UOL, no Rio

12/02/2014 11h06Atualizada em 12/02/2014 12h43

O suspeito de acender o rojão que matou o cinegrafista da "Band" Santiago Ilídio Andrade, Caio Silva de Souza, 23, se manteve em silêncio desde que foi preso em uma pensão em Feira de Santana (BA), na madrugada desta quarta-feira (12). Segundo o responsável pela investigação, delegado Maurício Luciano da 17ª DP (São Cristóvão), o jovem não admitiu ter soltado o rojão.

"O Caio, assim que foi preso, não esboçou reação. Disse que não falaria a respeito do fato. Agora, sendo ouvido na delegacia manteve esse posicionamento. O Caio não admitiu nem negou o que lhe é atribuído", afirmou. "Mesmo sem confissão, as provas são contundentes."

O jovem foi preso na madrugada desta quarta-feira, a cerca de 100 quilômetros de Salvador. Souza estava em uma pousada e, segundo o recepcionista Hergleidson de Jesus Moreira, deu entrada na tarde da terça-feira (11) com o nome de Vinícius Marcos de Castro, pagando uma diária.

Durante entrevista coletiva, o delegado disse não saber se o auxiliar de serviços gerais usou nome falso durante a fuga. De acordo com o delegado, a polícia ficou sabendo na segunda-feira, por meio dos canais de inteligência, que Caio saiu do Rio de Janeiro com destino a uma cidade do Nordeste. “Pedi a uma equipe minha que fosse à Rodoviária Novo Rio [na capital fluminense] e confirmamos que ele havia comprado, na segunda pela manhã, uma passagem com destino a Ipu, no Ceará (onde moram avós paternos). A partir daí, iniciamos um trabalho de monitoramento”, afirmou o titular da 17ª DP.

O delegado disse que o suspeito tem um jeito de ser na vida particular e outro quando está em grupo. Luciano acompanhou Souza no voo que o levou de Salvador para o Rio de Janeiro.

"Ele é um cara tranquilo, cumprimenta a todos. No trabalho ficaram surpresos [com o envolvimento dele]. Caio na vida particular, sozinho, tem um jeito", afirmou. "Sob efeito da multidão se transforma e passa a agir de forma extremamente violenta."

Segundo o advogado Jonas Tadeu, que representa Souza, o jovem estava indo para a casa do avô, no Ceará, foi convencido a interromper a viagem e desceu do ônibus em Feira de Santana. Em entrevista à "TV Globo", Jonas Tadeu afirmou não considerar que houve uma fuga e, sim, uma apresentação.

Veja o momento em que o cinegrafista é atingido por bomba

"Não participam de grupo nenhum [black blocks]. É um jovem miserável financeiramente, de baixo discernimento, com ideais de uma sociedade melhor. São jovens aliciados, manipulados. Esses jovens foram municiados. Aquele rojão que matou, infelizmente, o cinegrafista foi entregue por quem indiretamente alicia esses jovens", afirmou o advogado. Ele disse não poder dizer quem são os aliciadores por sigilo profissional.

O chefe da Polícia Civil, Fernando Veloso, afirmou que o inquérito será entregue à Justiça na próxima sexta-feira (14). "Há uma ordem de prisão cautelar expedida para o Caio Silva de Souza", disse. "Chegamos ao Caio via advogado. A diferença entre parar de fugir ou se entregar só o juiz vai avaliar."

O delegado Maurício Luciano disse que não pode afirmar que Caio e Fábio são black blocs. “Eles têm uma sintonia, trabalham associados. Rezam da mesma cartilha, mas não podemos dizer que eles são black blocs”, afirmou.

Segundo Fernando Veloso, há outros inquéritos em andamento para identificar se há aliciamento de pessoas durante as manifestações. “A análise das imagens mostra que as pessoas que agem nesse cenário não agem de forma isolada. Há uma frente de trabalho macro [para investigar isso] que conta com toda a estrutura da polícia. A resposta que todos querem, nós também queremos", declarou o chefe da Polícia Civil. "Não podemos fazer elucubrações com base em meras suposições. Temos que ter outros indícios, com base em um trabalho de análise. Não podemos nos antecipar.”

A mãe do jovem afirmou que o filho soltou o explosivo para fazer barulho durante uma manifestação contra o aumento das tarifas de ônibus, na última quinta-feira (6). Segundo ela, o filho não se apresentou à polícia, pois não tinha dinheiro para pagar um advogado. Ela disse ainda que fica triste pela família do cinegrafista, mas que o jovem não jogou o explosivo intencionalmente em Andrade.

"O que aconteceu foi um acidente. Poderia ter acontecido com qualquer filho de professor, de advogado liberal, com qualquer um lá. Foi um acidente e os fogos eram para fazer barulho", disse Marilene Mendonça em entrevista ao jornal "O Globo".

Segundo o delegado, a mãe do jovem está desempregada e ele mostrou preocupação. Durante a viagem, pediu a Luciano que conseguisse uma assistente social para ajudar a mãe.

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