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Garis grevistas fazem novo protesto em frente à Prefeitura do Rio

Cerca de 500 garis adeptos à greve manifestaram pelo aumento salarial, pagamento de horas extras e reajuste do auxílio refeição - Hanrrikson de Andrade
Cerca de 500 garis adeptos à greve manifestaram pelo aumento salarial, pagamento de horas extras e reajuste do auxílio refeição Imagem: Hanrrikson de Andrade

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, no Rio

07/03/2014 10h46Atualizada em 07/03/2014 14h00

Cerca de mil garis adeptos à greve da categoria no Rio de Janeiro realizam na manhã desta sexta-feira (7) uma manifestação em frente à sede da prefeitura, no centro da capital fluminense. Por volta das 12h30, os manifestantes resolveram seguir rumo à Câmara dos Vereadores. No caminho, eles fecharam a avenida Rio Branco. O protesto conta com o apoio de alguns profissionais do Sepe, sindicato que representa os professores da rede estadual.

O Batalhão de Choque da Polícia Militar reforçou o policiamento no entorno do prédio do governo municipal, conhecido como "Piranhão". A PM formou cordões de segurança com cerca de 40 homens munidos de armaduras, escudos e cassetetes ao longo da calçada principal. Pelo menos dois carros da Tropa de Choque estão posicionados na região.

Sujeira pelas ruas

Nesta sexta-feira, sétimo dia de greve dos garis, as ruas do centro do Rio amanheceram bem mais limpas do que nos dias anteriores. Mas a situação ainda é crítica em vários pontos das zonas sul, norte --especialmente na Ilha do Governador-- e oeste da cidade. As favelas da Rocinha e Pavão Pavãozinho, na zona sul, amanheceram cobertas de lixo, mas homens da Comlurb já começaram a retirada dos resíduos nos morros.

Empresários e funcionários de dois grandes pólos comerciais da zona oeste do Rio já estão sentindo os efeitos da falta de coleta de lixo e varredura nas ruas. As ruas de Bangu e Campo Grande estão tomadas pela sujeira. O efeito tem sido lojas mais vazias depois do feriadão de Carnaval.

Na rua Barcelos Domingos, em Campo Grande, uma montanha de lixo se formou em uma das poucas praças que existem na região. À frente da sujeira, a lojista Sirlei Zanetti de Lima, 51, diz que não adianta limpar a loja para tentar se livrar do cheiro insuportável que tomou conta da vizinhança.

"Esse cheiro de azedo no ar espanta qualquer freguesia. Não estamos aguentando mais isso. Minha loja virou uma grande lixeira, porque o lixo da rua está vindo parar aqui dentro", reclama a empresária que atua no ramo de bolsas e acessórios no calçadão de Campo Grande. "Além disso, os clientes não suportam esse futum, eu estou tendo prejuízos. O pior é que, ao contrário dos clientes, eu não tenho como me esquivar de ficar perto dessa nojeira. Eu trabalho aqui, não tenho como fugir."

Mais adiante, já na rua que leva o mesmo nome do bairro, uma outra montanha de lixo dificulta a passagem de pedestres pela calçada. De um lado do lixo acumulado, o sorveteiro Sérgio Murilo diz que também está vendendo pouco.

Grito de guerra

Os garis usaram a criatividade para protestar contra o prefeito Eduardo Paes (PMDB). Um grupo improvisou uma paródia do samba-enredo "Acelera, Tijuca!", da Unidos da Tijuca, escola campeã do Grupo Especial em 2014. "Acelera, Comlurb! / Eu quero ver / Esse lixo vai feder / A prefeitura / Nao deu aumento, não / E esse lixo vai ficar / Todo no chão".

Ao contrário das outras manifestações, desta vez, a maioria dos garis está vestindo o uniforme laranja da empresa. Eles exigem ser recebidos por algum representante da prefeitura para discutir a pauta de reivindicações da categoria. Os manifestantes carregam faixas com os dizeres "Estamos sendo tratados como lixo", "Chega de covardia, não somos palhaços" e "Não somos lixo".

Gari Renato Sorriso declara apoio a colegas grevistas

Diversos garis se revezam para discursar em um carro de som cedido, pelo segundo dia consecutivo, pelo Sintuff (Sindicato dos Trabalhadores da Universidade Federal Fluminense). O gari Célio Viana, um dos líderes do movimento grevista, disse que nesta sexta, 70% dos cerca de 4.000 garis da Comlurb estão parados.

"Ainda não tivemos nenhum diálogo com a prefeitura. Vamos continuar com os protestos todos os dias até sermos recebidos. Não concordamos com o acordo celebrado com o Sindicato (dos Empregados de Empresas de Asseio e Conservação do Município do Rio), porque ele não nos representa".

Os manifestantes distribuem uma carta aberta à população do Rio que diz que a culpa da greve é do prefeito Eduardo Paes (PMDB), do presidente da Comlurb, Vinícius Roriz, e do Sindicato. "Os transtornos criados em função do acúmulo do lixo na cidade são de única e exclusiva responsabilidade do prefeito Eduardo Paes e do presidente da Comlurb que se negam a negociar e atender as nossas reivindicações. São eles que devem ser cobrados por toda essa situação. Nós só queremos dignidade em nosso trabalho", diz o texto. "Essa é nossa única motivação."

Eduardo Paes é flagrado jogando lixo na rua

Segundo o presidente da Comlurb (Companhia Municipal de Limpeza Urbana), Vinicius Roriz, a paralisação atingiu entre 30% e 35% dos 4.000 garis responsáveis por varrer as ruas e fazer a coleta dos resíduos.

Na quinta (6), por determinação do prefeito Eduardo Paes (PMDB), policiais militares e guardas municipais passaram a escoltar as equipes de limpeza. A Comlurb estima que entre 65% e 70% do lixo espalhado pela cidade já tenha sido recolhido, o que equivale a 5.000 ou 6.000 toneladas de resíduos.

Os garis exigem aumento salarial, pagamento de horas extras e reajuste do auxílio refeição, entre outras reivindicações. Pelo acordo coletivo anunciado na segunda-feira (3), os garis terão 9% de aumento salarial (o piso passará de R$ 802 para R$ 874), mais 40% de adicional de insalubridade. Segundo a Comlurb, com isso, o vencimento inicial passará a ser de R$ 1.224,70. Além do aumento salarial, o acordo garantiu mais 1,68% dentro do Plano de Cargos, Carreiras e Salários, com progressão horizontal. Os garis, no entanto, consideram a proposta insatisfatória, já que pedem um piso salarial de R$ 1.200. (Com Estadão Conteúdo)

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