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Sob aplausos de cariocas nas ruas, garis fecham avenida do centro do Rio

Hanrrikson de Andrade/ UOL
Garis tomam a avenida Rio Branco em passeata no Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (7) Imagem: Hanrrikson de Andrade/ UOL

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, no Rio

2014-03-07T15:16:22

2014-03-07T22:24:15

07/03/2014 15h16Atualizada em 07/03/2014 22h24

Pelo menos mil garis tomaram a avenida Rio Branco, uma das principais vias do centro do Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (7), em mais um protesto em favor da paralisação da categoria. Em clima de bloco de Carnaval e sob aplausos da população, os manifestantes fecharam toda a avenida, mesmo com a orientação da Polícia Militar para que eles ocupassem apenas a faixa lateral.

Diante do entusiasmos dos grevistas, a PM não ofereceu resistência. Por volta das 14h20, a passeata chegou à praça da Cinelândia, nas proximidades do Theatro Municipal, e os manifestantes tomaram as escadarias da Câmara de Vereadores em poucos segundos. No local, eles fizeramm discursos e gritam palavras de ordem contra o prefeito Eduardo Paes (PMDB). Às 14h30, a avenida Rio Branco foi liberada para o trânsito, e os garis se dirigiram ao prédio do Ministério Público do Trabalho, onde etntam conseguir apoio para a greve.

Durante o trajeto pelas ruas do centro do Rio, houve quem achasse se tratar de um bloco de Carnaval. Com batucada e fantasias improvisadas, os garis iniciaram a caminhada na sede da Prefeitura do Rio e passaram por toda a avenida Presidente Vargas antes de chegar à Rio Branco.

O hino da passeata foi a paródia do samba "Acelera, Tijuca!", que virou "Acelera, Comlurb!" na versão dos garis. Eles também cantaram adaptações de marchinhas tradicionais do Carnaval carioca e da música "Vou Festejar", que ficou conhecida na voz de Beth Carvalho.

Sujeira nas ruas

Empresários e funcionários de dois grandes pólos comerciais da zona oeste do Rio de Janeiro já estão sentindo os efeitos da falta de coleta de lixo e varredura nas ruas. A greve dos garis, iniciada no sábado (1°) já dura sete dias e não tem previsão para acabar. Com isso, as ruas de Bangu e Campo Grande estão tomadas pela sujeira. O efeito tem sido lojas mais vazias depois do feriadão de Carnaval.

Gari Renato Sorriso declara apoio a colegas grevistas

Na rua Barcelos Domingos, em Campo Grande, uma montanha de lixo se formou em uma das poucas praças que existem na região. À frente da sujeira, a lojista Sirlei Zanetti de Lima, 51, diz que não adianta limpar a loja para tentar se livrar do cheiro insuportável que tomou conta da vizinhança.

“Esse cheiro de azedo no ar espanta qualquer freguesia. Não estamos aguentando mais isso. Minha loja virou uma grande lixeira, porque o lixo da rua está vindo parar aqui dentro”, reclama a empresária que atua no ramo de bolsas e acessórios no calçadão de Campo Grande. “Além disso, os clientes não suportam esse futum, eu estou tendo prejuízos. O pior é que, ao contrário dos clientes, eu não tenho como me esquivar de ficar perto dessa nojeira. Eu trabalho aqui, não tenho como fugir.”

Mais adiante, já na rua que leva o mesmo nome do bairro, uma outra montanha de lixo dificulta a passagem de pedestres pela calçada. De um lado do lixo acumulado, o sorveteiro Sérgio Murilo diz que também está vendendo pouco.

As ruas do centro do Rio, por outro lado, amanheceram bem mais limpas do que nos dias anteriores. Mas a situação ainda é crítica também em vários pontos das zonas sul e norte --especialmente na Ilha do Governador-- da cidade. As favelas da Rocinha e Pavão Pavãozinho, na zona sul, amanheceram cobertas de lixo, mas homens da Comlurb já começaram a retirada dos resíduos nos morros.

Parados desde o dia 1°, os garis exigem aumento salarial, pagamento de horas extras e reajuste do auxílio refeição, entre outras reivindicações. Pelo acordo coletivo anunciado na segunda-feira (3), os garis terão 9% de aumento salarial (o piso passará de R$ 802 para R$ 874), mais 40% de adicional de insalubridade.

Segundo a Comlurb, com isso, o vencimento inicial passará a ser de R$ 1.224,70. Além do aumento salarial, o acordo garantiu mais 1,68% dentro do Plano de Cargos, Carreiras e Salários, com progressão horizontal. Os garis, no entanto, consideram a proposta insatisfatória, já que pedem um piso salarial de R$ 1.200.

O gari Célio Viana, um dos líderes do movimento grevista, disse que nesta sexta, 70% dos cerca de 4.000 garis da Comlurb estão parados. Já segundo o presidente da Comlurb, Vinicius Roriz, a paralisação atingiu entre 30% e 35% dos responsáveis por varrer as ruas e fazer a coleta dos resíduos.

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