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Bairros das zonas norte e oeste do Rio ainda têm montes de lixo nas ruas

Lixo continua espalhado pelas rua do bairro da Penha, na zona norte do Rio, nesta segunda-feira (10) - Marcelo Piu/Agência O Globo
Lixo continua espalhado pelas rua do bairro da Penha, na zona norte do Rio, nesta segunda-feira (10) Imagem: Marcelo Piu/Agência O Globo

Maria Luísa de Melo

Do UOL, no Rio

10/03/2014 17h32Atualizada em 10/03/2014 18h30

Dois dias depois do fim da greve dos garis, a zona sul e o centro da capital fluminense estão de cara nova. As zonas norte e oeste, no entanto, ainda têm muito lixo nas ruas, apesar do trabalho dos garis.

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De acordo com informações da Comlurb (Companhia Municipal de Limpeza Urbana), a comunidade do Rio das Pedras, em Jacarepaguá, é a que tem dado mais trabalho até agora. Em outros bairros, como Oswaldo Cruz, Madureira, Penha, Andaraí e Grajaú, na zona norte, também há lixo acumulado em montes nas ruas.

Grajaú

  • Marcela Ribeiro/UOL

    O lixo continua espalhado na rua Caruaru, no Grajaú, zona norte

Nas proximidades da praça Professor Darcy Ribeiro, que ficou conhecida como a “Praça do Lixo”, no Rio das Pedras, a cozinheira Marcela de Souza, 28, diz que o volume de restos de comida, papéis e plásticos espalhados  já diminuiu bastante, mas ainda está longe de acabar.

“A quantidade de lixo diminuiu, mas ainda falta muito para terminar. Quanto menos lixo na rua, menos risco de doenças. Mas os garis ainda vão ter muito trabalho pela frente até que tudo volte ao normal”, afirmou a moradora.

Nas comunidades vizinhas, a situação também é parecida. Na favela da Muzema, no Itanhangá, a entrada da estrada do Itanhangá também está repleta de detritos.

Em Piedade, o aglomerado atrai moscas varejeiras e provoca mau cheiro. “Cheguei de viagem hoje, já passei por lugares onde está limpo, mas aqui não é o caso”, diz o agente de segurança João Rodrigues Júnior, morador do bairro.

O lixo também continua espalhado na rua Mogurari, no bairro Oswaldo Cruz, e na rua Metrovich, na Penha, próximo à avenida Brasil. O mesmo acontece nas ruas Caruaru, Marechal Jofre, Engenheiro Richard, Itabaiana e Julio Furtado, no bairro do Grajaú.

Oswaldo Cruz

  • Arion Marinho/Futura Press/Estadão Conteúdo

    Em Oswaldo Cruz, na zona norte, também há lixo acumulado em montes nas ruas

Um pouco mais longe do centro, em Quintino, bairro da Igreja de São Jorge, as imagens em homenagem ao santo estão rodeadas de lixo. Lá, o descarte, pelas residências, é feito no canteiro central das ruas, entre os dois sentidos das vias. “Está horrível, ninguém está mais aguentando. Estou com meu lixo dentro de casa e não estou aguentando as moscas”, disse a aposentada Lina de Souza.

A vizinha dela, Marluce Dias, também cobra que a coleta da Comlurb chegue ao bairro, e questiona a demora na regularização do serviço. “Quando falaram que [o caminhão do lixo] ia passar, colocamos o lixo para fora, mas não passou, e agora está tudo aí em frente”, declarou. “Acabei de comprar mais desinfetante para moscas. Eu moro ali onde está aquele muro de sacos, essa lixaiada.”

A gerente de um estabelecimento comercial, Leila Maria Lisboa Soares, relata que em Campo Grande a limpeza começou pelas áreas comerciais. “Diminuiu o lixo no centro, mas ainda falta. Em minha rua, no Jardim Nova Guaratiba, não é feita coleta desde o carnaval”, disse.

Apesar dos incômodos, os moradores apoiam o movimento grevista dos garis, que começou na sexta-feira (28), véspera de Carnaval. “Nós, de classe mais simples, vibramos quando a classe trabalhadora consegue algo melhor”, afirmou Leila Maria. "Acho que eles estavam certíssimos, porque é um absurdo um gari, que trabalha sob sol e chuva, correndo o risco de pegar várias doenças,  ganhar cerca de R$ 800.”

Rio das Pedras

  • Marcelo Piu/Agência O Globo

    Garis realizam limpeza em Rio das Pedras, na zona oeste

A Comlurb afirmou que 18,2 mil toneladas de lixo foram recolhidas no Rio de Janeiro durante o final de semana. Na noite de sábado (8), os garis da cidade decidiram terminar a greve da categoria, que já durava oito dias.

Foram mobilizados mais de 3.000 profissionais, sendo 1.800 garis, apenas no domingo (9), para recolher os resíduos acumulados durante a semana de paralisação. Foram utilizados também caminhões, basculantes, pás mecânicas e varredeiras.

Em acordo firmado no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), os garis cariocas conseguiram reajuste de 37% e o salário da categoria passou de R$ 803 para R$ 1.100. Conquistaram ainda um reajuste no tíquete-alimentação, corrigido de R$ 12 para R$ 20 por dia. (Com Agência Brasil)

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