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Aparato do Exército para ocupar Maré inclui 20 blindados e 4 helicópteros

Gustavo Maia

Do UOL, no Rio

05/04/2014 12h23

O aparato montado para a ocupação do Complexo de favelas da Maré (zona norte do Rio), na manhã deste sábado (5), no Rio de Janeiro, quase se assemelhava ao de uma guerra: 2.500 militares, do Exército e da Marinha e 200 policiais militares em 160 viaturas, 20 blindados, 32 motos e quatro helicópteros (dois do Exército, um da Marinha e um da PM).

A operação, batizada de “São Francisco”, marca a chegada do Exército na posse das dependências do complexo --um dos grandes redutos do tráfico de drogas da capital—e dará suporte à implantação, ainda sem data definida, de uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) no local --a 39º do Estado do Rio. Militares farão patrulhamento constante até o dia 31 de julho. O complexo foi efetivamente ocupado pela PM no último dia 30.

Apesar de não ter sido registrado nenhum incidente grave nesta ocupação, a ação mobilizou parte do cotidiano dos cerca de 130 mil moradores do local. Homens fortemente armados realizam revistas constantes nas entradas das favelas.

A presença de veículos de grande porte e de difícil manobra em algumas ruas estreitas das comunidades acabou atrapalhando o tráfego na região. Em alguns momentos, os militares tiveram que atuar como guardas de trânsito.

Voos de helicópteros que auxiliaram as ações em terra também chamaram a atenção de alguns moradores, que aproveitaram para tirar fotos e gravar vídeos. Outros trataram o esquema com indiferença.

Medo ainda persiste

Apesar das operações policiais que antecederam à ocupação de hoje terem começado há cerca de 15 dias e de o complexo ter sido efetivamente ocupado no último domingo (30), os anos todos de domínio do poderio do tráfico de drogas ainda calam os moradores.

A reportagem do UOL percorreu e tentou conversar com moradores sobre as operações, mas a maioria deles se limitava a falar que “não sabia de nada”, antes mesmo de as perguntas serem sequer feitas. Outros se antecipavam e se afastavam quando percebiam a presença de jornalistas.

16 mortes em 15 dias

Ontem à noite, a Seseg (Secretaria de Estado de Segurança) divulgou um balanço total da operação: em 15 dias, a PM matou 16 pessoas no local. Outras oito ficaram feridas. Um montante de 101 armas foi apreendido, além de 2.252 munições e de grande quantidade de drogas.

O relatório não fornece detalhes nem as circunstâncias específicas de cada uma das mortes, apenas adianta que houve 36 confrontos entre policiais militares e suspeitos, resultando na morte de 16 deles. 

A operação que ocupou a Maré no dia 30 contou com um efetivo de 1.500 homens, sendo 1.180 policiais militares e 130 policiais civis, com apoio de policiais federais, policiais rodoviários e de 250 fuzileiros navais.

"Isso aí é um pavão. Estão colorindo para aparecer bonito na TV. Por mim o Exército podia continuar aqui por décadas e décadas. Eles amedrontam, inibem mais [o tráfico]", disse um comerciante que não quis se identificar. "O que era ruim aqui era a ostentação, eles passavam com fuzil na mão pra cima e pra baixo", afirmou.

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