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Trecho de 300 metros do Elevado da Perimetral é implodido no Rio

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, no Rio

20/04/2014 07h03Atualizada em 20/04/2014 10h22

Foi implodido na manhã deste domingo (20), feriado de Páscoa, mais um trecho do Elevado da Perimetral, na zona portuária do Rio de Janeiro. O pedaço que veio ao chão corresponde a 300 metros entre o prédio da Polícia Federal, na altura da rua Edgar Gordilho, e do 1º Distrito Naval, em frente à praça Mauá. A demolição usou 250 kg de explosivos e durou 11 segundos: oito segundos para acionar os equipamentos e três para que as dez toneladas de concreto caíssem.

"A Páscoa começa explosiva. É uma alegria muito grande ver esse espaço da cidade sendo devolvido à população. A praça Mauá é um marco histórico dessa cidade. Já temos aqui o MAR, Museu de Arte do Rio, em breve teremos o Museu do Amanhã, temos o primeiro arranha-céu da América Latina, o edifício A Noite. Tem o Mosteiro de São Bento aqui perto. Ou seja, a gente devolve para a cidade uma área muito importante com o que a gente vem fazendo aqui na Perimetral", disse o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB).

Área da perimetral demolida - Divulgação/Prefeitura do Rio
Área da perimetral demolida
Imagem: Divulgação/Prefeitura do Rio

"Praticamente toda a Perimetral já foi demolida. Há ainda um trecho mais complexo, perto da Rodoviária Novo Rio", completou ele. Segundo a prefeitura, em sua totalidade, o Elevado da Perimetral deixará de existir até o fim do ano.

O presidente da Cdurp (Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio), Alberto Gomes da Silva, afirmou que a remoção dos escombros e o processo de limpeza em geral deve durar de dez a 15 dias. A prioridade é o perímetro entre a avenida Rodrigues Alves e a rua Barão de Tefé, nos arredores do Cais do Valongo, que deve ser totalmente limpo até a próxima quarta-feira para que o trânsito seja liberado na região.

Boa parte do concreto retirado pelos agentes de limpeza da Comlurb (Companhia Municipal de Limpeza Urbana) será utilizado em outras obras da prefeitura após passar por um processo de reciclagem, informou o presidente da Cdurp. Silva disse ainda que, até a conclusão das obras de revitalização da zona portuária, não serão feitas novas detonações.

"É como se fosse um quebra-cabeça. A Perimetral ainda tem mais de 2.000 metros a serem retirados, mas os estudos que fizemos mostram que não há mais necessidade de detonação. Vamos optar pela técnica de desmonte à frio. É um trabalho dobrado porque temos duas pistas abaixo da Perimetral. Temos que remover um lado para depois começar a tirar o outro", explicou.

As edificações situadas no entorno da área de implosão foram protegidas com tapumes, telas e outros equipamentos. O MAR (Museu de Arte do Rio), fechado desde sábado (19), só voltará a abrir na próxima quarta-feira (23) por conta da intervenção. Segundo técnicos da Defesa Civil municipal, a estrutura do MAR não foi abalada pela implosão.

No ano passado, na primeira etapa do processo de demolição do viaduto, foi implodido o trecho entre as ruas Professor Pereira Reis e Silvino Montenegro, totalizando 1.050 metros. Em substituição a Perimetral, a prefeitura está construindo uma via expressa que ligará o Aterro do Flamengo, na zona sul, à avenida Brasil e à ponte Rio-Niterói. As obras só devem ficar prontas ao fim do ano que vem, de acordo com o presidente da concessionária Porto Novo, José Renato Ponte.

Às 5h deste domingo, aproximadamente 300 pessoas foram deslocadas de seus estabelecimentos, antes da detonação dos explosivos. Para a Cdurp, o número não chega a ser significativo, já que a operação foi feita em um domingo e durante um feriado, quando grande parte do comércio estava fechado.

A implosão foi controlada por "equipamentos e tecnologia de ponta", informou a Cdurp, a exemplo de sismógrafos que monitoram os efeitos da detonação. Um drone foi utilizado por uma equipe de TV contratada pela Prefeitura do Rio para registrar imagens aéreas da explosão.

Comerciantes reclamaram

Os vizinhos do Elevado afirmaram que o evento impede a tradicional "saideira", isto é, a última cerveja consumida por frequentadores de bares e casas noturnas antes da volta para casa. "O horário que vamos ter que fechar é um dos de maior movimento na semana", declarou Auricélio de Oliveira Neris, gerente do Flórida Bar, um dos mais antigos da Praça Mauá.

"Só nessas quatro horas que vou fechar, quando temos o maior faturamento da noite, vou perder em torno de R$ 4.000", completou Auricélio, que gerencia o Flórida desde 2005. O estabelecimento funciona 24 horas.

"Depois das boates, vem muita gente jogar sinuca e tomar a 'saideira'. Vamos ter prejuízo neste fim de semana", argumenta Fernando Mourão Brito, gerente do Bar JVM 53, mais conhecido como Bar do Pepé, que também funciona 24h.

Os gerentes de outros estabelecimentos estimam prejuízos menores, mas também atrasarão o horário de abertura neste domingo. É o caso da farmácia Drogarias Mundial e da Casa do Biscoito, que normalmente estão abertas a partir das 8h, mas vão abrir uma hora mais tarde: às 9h. Segundo os gerentes, o horário da manhã é o de menor movimento.

Primeira implosão

No ano passado, em novembro, a prefeitura demoliu em apenas cinco segundos o trecho do Elevado da Perimetral entre as ruas Professor Pereira Reis e Silvino Montenegro, cuja extensão é de 1.050 metros. Foram utilizados 1.200 kg de explosivo.

Na ocasião, a administração municipal utilizou 2.500 "colchões" de pneus e areia para absorver o impacto, além de instalar tapumes, telas e outros materiais nas edificações situadas no entorno.

Em entrevista coletiva logo após a implosão, o prefeito Eduardo Paes comemorou o sucesso da empreitada. "Aconteceu tudo dentro do esperado, é um dia muito importante na história da cidade. A gente reencontra o centro e a região portuária. A Perimetral representava o maior símbolo desse abandono. Ainda temos muito a fazer. Aqui novas implosões e desmontes virão. A gente superou o primeiro grande desafio", disse. (Com reportagem de Bernardo Tabak)

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