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Antes de inaugurar Itaquerão, Dilma se reúne com movimento sem-teto

Reprodução/Facebook/MSTS
A presidente Dilma Rousseff e o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (à dir.) se encontram com lideranças do MTST Imagem: Reprodução/Facebook/MSTS

Rodrigo Mattos e Vagner Magalhães

Do UOL, em São Paulo

2014-05-08T16:24:07

2014-05-08T17:19:07

08/05/2014 16h24Atualizada em 08/05/2014 17h19

Antes de participar de cerimônia de inauguração do Itaquerão, a presidente Dilma Rousseff se reuniu com representantes do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) por volta de 15h30 desta quinta-feira (8).

O encontro com os sem-teto ocorreu em um heliponto situado ao lado do estádio do Corinthians, que irá abrir a Copa do Mundo. Participaram da reunião o prefeito Fernando Haddad, o coordenador do MTST Guilherme Boulos, além de outras quatro lideranças da organização. A conversa durou cerca de 20 minutos.

O movimento pediu à Dilma que o movimento seja incluído como parceiro no programa "Minha Casa, MInha Vida". Segundo a assessoria de imprensa da Presidência, o ministro das Cidades, Gilberto Occhi, avaliará a possibilidade de inclusão.

O MTST organizou uma ocupação de um terreno próximo ao estádio no último sábado (3). A área possui 150 mil m² e fica a 4 km da arena, ao lado do Sesc Itaquera e do Parque do Carmo. As famílias que ocuparam o espaço dizem que o aluguel de imóveis ficou muito caro naquela região em função da presença do estádio. Os ocupantes afirmam ainda que as obras no entorno do Itaquerão prejudicam o transporte.

Na reunião de hoje, Fernando Haddad disse aos líderes do MTST que estudará a desapropriação da área. 

Alexandre Padilha, pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, acompanha a presidente na inauguração. O governador Geraldo Alckmin não apareceu. O representante do governo estadual no evento foi Julio Semeghini, secretário de Planejamento e coordenador do Comitê Paulista da Copa. 

Manifestações

A reunião da presidente com as lideranças sem-teto ocorre depois da realização de ao menos cinco manifestações de movimentos sociais na capital paulista. O MTST organizou um ato junto com o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) na sede da Odebrecht --construtora responsável pela obra do Itaquerão--, no bairro do Butantã, zona oeste de São Paulo.

Outro grupo ligado ao MTST ocupou o hall de um prédio comercial na avenida Angélica, na área central de São Paulo, onde há escritórios da OAS Construtora. No local, gritaram palavras de ordem e exibiram faixas com mensagens, como "OAS ganha bilhões com a Copa em cima do sangue de operários e do dinheiro de todos nós".

Copa do Povo, ocupação de moradores sem-teto perto do Itaquerão
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Sem-teto e sem-terra também foram até o escritório de outra construtora, a Andrade Gutierrez, na zona sul da capital paulista. Eles fizeram ato em frente ao prédio, sem chegar a entrar no local. Outro grupo, chamado Movimento Anchieta Luta por Moradia, promoveu passeata pelas ruas de Interlagos, também na zona sul.

Na tarde de hoje, manifestantes ligados à Rede Extremo Sul, que atua em bairros do Grajaú e Parelheiros, fecharam todas as faixas da avenida Paulista e da rua Brigadeiro Luís Antonio, onde fizeram um ato na sede da incorporadora HE Engenharia. Os manifestantes também protestaram em frente ao prédio da Superintendência da Caixa e do gabinete regional da Presidência da República, ambos na avenida Paulista.

Além de criticar os gastos com as empreiteiras na Copa, os movimentos sustentam que as construtoras orientam as políticas habitacionais em nível federal, estadual e municipal.

Greves e paralisações

Além dos protestos na capital paulista, moradores de grandes cidades do país foram pegos de surpresa na manhã desta quinta-feira (8) com paralisações de ônibus. Rio de Janeiro, Florianópolis, Campinas e o grande ABC amanheceram com greves de motoristas e cobradores que não foram informadas previamente.

Muitas outras capitais sofrem com greves e ameaças de paralisações. Segundo levantamento feito pelo UOL, elas acontecem em pelo menos oito Estados. Além disso, há servidores da educação superior parados em todo o país.

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