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Cotidiano

Com paralisação de ônibus, carioca demora cinco horas para ir ao trabalho

Gustavo Maia

Do UOL, no Rio

08/05/2014 12h50

Preocupada com a notícia da paralisação dos rodoviários do Rio de Janeiro nesta quinta-feira (8), a auxiliar de serviços gerais Denise Lisboa da Silva, 30, resolveu sair de casa, em Anchieta, na zona norte da capital fluminense, às 6h20, duas horas mais cedo do que de hábito, para não chegar atrasada ao trabalho, em Rio Comprido, na região central da cidade, onde começa o expediente às 10h. Apesar da precaução, cinco horas depois, às 11h20, ela ainda esperava o segundo ônibus, em frente à Central do Brasil, na avenida Presidente Vargas.

“Geralmente, eu levo de 40 a 45 minutos pra chegar de casa até a Central e mais 15 minutos pra chegar no trabalho. Hoje eu até saí mais cedo de casa, mas não adiantou. Tive que ligar pra empresa avisando que ia me atrasar”, afirmou Denise, que já esperava o ônibus que a levaria até Rio Comprido havia 50 minutos. “O pior é que comecei lá semana passada. Tem lugar que entende, mas tem outros que não aliviam, não.”

Perto de casa, ela teve que esperar mais de uma hora pra pegar o coletivo que a levou até a Central e demorou três para chegar ao destino. “Essa paralisação prejudica demais a população. Eu saio do trabalho às sete da noite. Não sei como vou conseguir voltar pra casa”, declarou.

A paralisação dos rodoviários na cidade está prevista para durar 24 horas e se encerrar à meia-noite. O Rio Ônibus (Empresas de Ônibus da Cidade do Rio de Janeiro) informou que pelo menos 467 veículos de transporte coletivo foram depredados por grevistas em diversos bairros. Houve cenas de vandalismo principalmente na zona oeste da cidade.

Como Denise, a camareira Rosedy de Oliveira, 52, moradora de Inhaúma, zona norte do Rio, também ficou alarmada com a paralisação. “Por causa dessa greve, saí de casa às 3h. Tinha uma entrevista de emprego às 8h, aqui no Centro, no Hospital da Cruz Vermelha. Fiquei esperando ônibus até as 4h30, mas felizmente acabei chegando cedo até demais, às 6h”, contou. “E graças a Deus eu passei e não estou mais desempregada. O problema agora está sendo conseguir voltar pra casa.” Às 11h, ela já esperava ônibus havia duas horas.

Caos

Estudante de enfermaria da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), a cabo-verdense Lenisia Lima, 20, que mora na Tijuca, zona norte do Rio, desistiu de ir para a aula que teria à tarde por conta da dificuldade para pegar ônibus. Às 9h, ela chegou uma hora atrasada a uma reunião na embaixada de Cabo Verde, em Botafogo.

“Saí de casa às 6h50 e demorei mais de duas horas pra chegar à reunião. Para minha sorte, todos os funcionários também chegaram atrasados. Eu iria pra universidade, mas desisti no meio do caminho e vou voltar pra casa”, afirmou, na avenida Presidente Vargas. Ela contou ainda que quando viu a aglomeração no metrô, teve medo de tentar entrar nos vagões e por isso preferiu esperar pelo ônibus.

A dona de casa Edna Teixeira da Silva, 64, saiu de Magé, na Região Metropolitana do Rio, às 7h10, com destino à Central do Brasil, de onde pegaria outro ônibus para a Quinta da Boa Vista, para visitar o filho no presídio Evaristo de Moraes. O trajeto até a primeira parada, que geralmente leva em torno de uma hora, durou, segundo Edna, três vezes mais. Às 11h, ela ainda esperava o segundo ônibus. “É arriscado eu perder a visita. O pior é que é semanal, e a entrada é por ordem de chegada”, reclamou.

Segundo os números mais atualizados da Rio Ônibus, de 2012, 8.700 ônibus estavam em circulação pela cidade. Por dia, geralmente, os ônibus atendem a cerca de 3 milhões de passageiros. Segundo as empresas, 30% da frota está circulando. Já o líder grevista, Helio Teodoro, diz que 80% dos motoristas aderiram à greve.

A greve foi decretada durante reunião realizada na noite desta quarta-feira (7). O Sintraturb (Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus do Rio de Janeiro), que representa 40 mil trabalhadores rodoviários, disse que não organizou a greve e, em nota, afirmou que considera a paralisação "uma atividade com fundo político".

Motoristas e cobradores em greve reivindicam aumento salarial maior que os 10% acordados entre o sindicato da categoria e as empresas de ônibus, o fim da dupla função e reajuste no valor da cesta básica, de R$ 150 para R$ 400.

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