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Rodoviários de seis cidades da Baixada Fluminense aderem à greve de ônibus

O transporte alternativo ajudou no deslocamento da população, mas moradores de Nova Iguaçu esperaram mais de duas horas - Douglas Viana/Agência O Dia/Estadão Conteúdo
O transporte alternativo ajudou no deslocamento da população, mas moradores de Nova Iguaçu esperaram mais de duas horas Imagem: Douglas Viana/Agência O Dia/Estadão Conteúdo

Carolina Mazzi

Do UOL, no Rio

14/05/2014 09h13Atualizada em 14/05/2014 11h58

Os motoristas e cobradores de ônibus de seis cidades da Baixada Fluminense aderiram à greve de rodoviários do Rio de Janeiro desde a 0h desta quarta-feira (14), com duração prevista de 24 horas. A paralisação começou na capital do Estado, na noite de terça (13), e se estendeu aos municípios vizinhos. As reivindicações são as mesmas dos rodoviários do Rio: aumento salarial de 40%, cesta básica de R$ 400 e fim da dupla função de motorista e cobrador.

A empresa Nossa Senhora da Penha, situada em Nova Iguaçu, com frota de aproximadamente 400 ônibus, contou com apenas 20 veículos nas ruas. Já pela empresa Salutan, nenhum ônibus circulou.

O transporte alternativo ajudou no deslocamento da população, mas moradores do bairro da Posse, por exemplo, esperaram mais de duas horas nos pontos. A Transônibus, que representa 36 empresas de ônibus de seis municípios – Nova Iguaçu, São João de Meriti, Belford Roxo, Nilópolis, Japeri e Queimados--, afirma, no entanto, que a paralisação atingia apenas 20% da frota e que a expectativa é que todos os veículos já estejam operando até o final da manhã.

O secretário municipal de Transportes de Nova Iguaçu, Rubens Borborema, disse que a adesão à greve é baixa, com 85% da frota do município operando. "A probabilidade é que nas próximas horas tenhamos 100% da frota operando. Estamos em contato também com a Polícia Militar para que não haja baderna, não haja tumulto, e a situação aparentemente é bem tranquila".

O presidente do Sindicato dos Rodoviários de Nova Iguaçu, Joaquim Graciano da Silva, afirma que a paralisação foi organizada por um grupo "dissidente" e que a instituição não apóia nem aderiu ao movimento. "Como vou convocar greve, sem antes convocar uma assembléia, negociar, fazer uma proposta e receber uma contra-proposta? Esta paralisação é de um grupo dissidente. Eu estou fazendo negociação, está bem avançada a negociação de reajuste salarial", afirmou. "Não vejo problema em manifestar, como fizeram, mas esses caras botaram os pés pelas mãos."

No fim da tarde de terça-feira, cerca de 200 rodoviários de Nova Iguaçu saíram do terminal rodoviário, no centro da cidade, percorreram a Via Light e foram até a prefeitura protestando por melhores condições trabalhistas. Por volta das 8h30 desta quarta, rodoviários de Nova Iguaçu iniciaram uma manifestação no viaduto da Posse.

Rio de Janeiro

No Rio, onde a paralisação está em seu segundo dia, os trens, metrôs e barcas que atendem à população da cidade operam com capacidade máxima nesta quarta. No entanto, ainda assim muitos passageiros enfrentam dificuldade para se deslocar pela cidade, principalmente em regiões cuja única opção de transporte público é o ônibus.

De acordo com o secretário municipal de Transportes, Alexandre Sansão, o panorama hoje é muito melhor com vários ônibus voltando às ruas, com motoristas voltando a trabalhar. A fim de minimizar o impacto, a Prefeitura do Rio informou que a Secretaria Municipal de Transportes vai manter em operação o plano de contingência elaborado nesta semana. Porém, voltou a vigorar a proibição da circulação de carros de passeio nos corredores BRS e na faixa seletiva da avenida Brasil.

Já a Polícia Militar vai reforçar a segurança nas áreas onde estão situadas as garagens das empresas de ônibus, para evitar que sejam realizados piquetes. Guardas municipais e funcionários da Seop (Secretaria Especial de Ordem Pública) também estarão de prontidão.

Os trabalhadores reivindicam aumento salarial de 40% (e não os 10% acordados entre o sindicato da categoria e as empresas de ônibus), o fim da dupla função e reajuste no valor da cesta básica –de R$ 150 para R$ 400. A convocação é feita por um grupo dissidente, que diz não se sentir representado pelo Sintraturb.

A greve de 48 horas entrou em seu segundo dia hoje. Na terça, a Justiça concedeu liminar que determina a manutenção em serviço de pelo menos 70% do efetivo total de motoristas e cobradores durante a paralisação. À imprensa, no entanto, o comando de greve da categoria informou não ser possível cumprir a ordem judicial.

Transtornos

Na terça-feira, quem tentou se deslocar pela cidade encontrou filas nos pontos de ônibus, veículos lotados, preços abusivos cobrados por vans e dificuldade no acesso ao metrô. Os passageiros que mais enfrentaram transtornos são os que tentaram deixar a zona oeste da cidade.

Apenas coletivos de linhas intermunicipais circularam. As vans legalizadas, que circulam dentro do bairro, chegaram a cobrar R$ 10. A tarifa normal é a mesma dos ônibus, isto é, R$ 3. Com a paralisação, havia nos pontos de ônibus na região da Central do Brasil, no centro da cidade, quem esperasse caronas de colegas de trabalho.

A linha Cocotá-Praça 15, das Barcas S/A, bateu o recorde de passageiros. Segundo a concessionária, normalmente a circulação é de 4.000 a 4.400 pessoas por dia. Ontem, foram 9.200 pessoas transportadas.

Pelo menos 158 ônibus foram depredados, segundo informou o Rio Ônibus (sindicato das empresas de ônibus). A Polícia Militar informou que dez pessoas foram detidas por tentarem impedir a circulação dos coletivos. (Com Estadão Conteúdo e Agência Brasil)

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