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Paralisação fecha 15 terminais e afeta 30% das linhas de SP

Do UOL, em São Paulo

20/05/2014 14h11Atualizada em 21/05/2014 00h14

A paralisação de ônibus iniciada por motoristas e cobradores na manhã desta terça-feira (20) em São Paulo já atinge 15 terminais da cidade, segundo a SPTrans. Ruas e avenidas importantes das zonas oeste, sul e do centro foram fechadas pelos manifestantes. Por conta da paralisação, o rodízio municipal de veículos foi suspenso. Às 19h, lentidão na capital paulista bateu o recorde do ano, com 261 km de vias congestionadas.

Os motoristas iniciaram a paralisação no largo Paissandu, no centro de São Paulo, por volta das 9h50. À tarde, a paralisação se estendeu aos terminais Bandeira, Princesa Isabel, Amaral Gurgel, Mercado, Parque Dom Pedro (centro), Pinheiros, Lapa, Barra Funda, Butantã (zona oeste), Casa Verde, Pirituba, Santana, Cachoeirinha (zona norte), Sacomã e Varginha (zona sul). Todos os terminais ainda estão bloqueados. A cidade tem 28 terminais de ônibus administrados pela SPTrans e mais de 20 terminais sob responsabilidade do Metrô.

Ao todo, mais de 380 linhas foram afetadas, o que representa cerca de 30% do total de linhas que circulam na capital (cerca de 1.300). Em entrevista à Band, o secretário municipal dos Transportes de São Paulo, Jilmar Tatto, afirmou que a paralisação de ônibus prejudica cerca de 230 mil usuários.

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Anônimos, dissidentes que paralisaram ônibus querem reajuste maior

Os motoristas e cobradores que paralisaram centenas de linhas de ônibus e fecharam 15 terminais em São Paulo na terça-feira (20) pertencem a uma dissidência da atual direção do Sindimotoristas --que representa a categoria na capital paulista-- que, até agora, preferiu manter-se no anonimato.

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O pouco que se sabe do grupo dissidente é que eles exigem um reajuste maior do que os 10% propostos pelas empresas de ônibus e aprovados ontem (19) em assembleia da categoria que reuniu milhares de trabalhadores.

O motorista Denilson Roberto, que participou das paralisações, disse que os dissidentes querem reajuste de 20%. "O aumento foi muito pouco. VR muito pouco. Prometeram 20% [de reajuste], mas só deram 10%. Se a gente fizer essa manifestação, a gente não vai para lugar nenhum", disse.

Segundo José Valdevan, o Noventa, presidente do Sindimotoristas, a categoria abriu negociação com as empresas exigindo 13% de reajuste. Inicialmente, o SP Urbanuus, sindicato que congrega as empresas de ônibus, ofereceu 5,2% de reajuste, equivalente à inflação do último ano. Diante da recusa dos trabalhadores, o sindicato patronal subiu a a proposta de reajuste os 10%.

O sindicalista afirmou ainda não saber quem é o "grande mentor" da paralisação, mas disse acreditar que os líderes da dissidência trabalham nas viações Sambaíba, Gato Preto e Santa Brígida. Valdevan disse que há entre os dissidentes motoristas e cobradores que participaram da gestão anterior, à qual a atual direção fez oposição, e alguns do grupo que atualmente comanda o sindicato. "Alguém está por trás para desgastar a gente."

Ônibus passaram horas abandonados em vias importantes da capital

Até às 21h30, ao menos, era possível ver dezenas de ônibus desligados e estacionados ao longo das faixas exclusivas e corredores ao longo de grandes avenidas da zona oeste da capital, como Faria Lima, Rebouças e Eusébio Matoso.

Por volta das 22h, muitos ônibus nessas mesmas vias começavam a ser recolhidos. A maior parte deles circulava com os letreiros apagados, com apenas alguns deles rodando com a inscrição "Reservado" --que caracteriza veículos que estão a caminho das garagens.

Trânsito

Na região de Pinheiros, na avenida Faria Lima, sete ônibus fecharam totalmente a pista sentido oeste, na altura da rua dos Pinheiros, provocando lentidão na via. Por volta de 20h, a pista havia sido liberada. No largo da Batata e na rua Teodoro Sampaio, uma longa de fila de ônibus ocupou as faixas da direita das vias.

Nas avenidas Rebouças e Eusébio Matoso, os coletivos ficaram parados no corredor de ônibus. Além da lentidão, a paralisação obrigou os passageiros dos coletivos a seguir viagem a pé. Agentes da CET e policiais militares acompanham a manifestação no largo da Batata e na avenida Faria Lima.$escape.getH()uolbr_geraModulos('embed-lista','/2014/outras-greves-e-protestos-1400541987123.vm')

Houve outras manifestações na cidade ao longo do dia: professores municipais em greve bloquearam a avenida Paulista e a rua da Consolação. O grupo percorreu as ruas do centro até a prefeitura, onde o ato foi encerrado. Na Vila Olímpia (zona oeste), manifestantes do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) protestaram em frente ao prédio de uma construtora na rua Olimpíadas, na altura do Shopping Vila Olímpia, e bloquearam as faixas sentido bairro. No final da tarde, eles deixaram o local e seguiram de trem até a zona leste. 

Também houve manifestações nas avenidas Vinte e Três de Maio, Pacaembu, Cursino, Radial Leste, Francisco Morato, entre outras.

Haddad pego de surpresa

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou que a administração municipal foi pega de surpresa com o protesto. O prefeito informou que Jilmar Tatto já foi acionado para avaliar "providências cabíveis", entre elas disponibilizar uma frota adicional para substituir os ônibus em greve.

Tatto, classificou como “injustificável” a paralisação de motoristas e cobradores em São Paulo. Ele afirmou que “um pequeno grupo está sabotando” o transporte público, e disse ainda que a PM (Polícia Militar) precisa agir para garantir o direito de ir e vir das pessoas.

Em nota, a SPTrans declarou que "repudia com veemência os fatos ocorridos, como a retirada de chaves dos coletivos, impedindo sua circulação, considera os atos sabotagem ao sistema e irá agir com o rigor necessário à apuração e punição dos envolvidos e responsáveis". A empresa declarou que pedirá ao Ministério Público a investigação dos responsáveis pela paralisação. 

Rio de Janeiro e Goiânia

Na segunda-feira da semana passada, funcionários da empresa Vip bloquearam pela manhã vias da zona sul, como a estrada do M'Boi Mirim. Também na semana passada,  motoristas de ônibus do Rio de Janeiro chegaram a paralisar por 48 horas. Em Goiânia, motoristas insatisfeitos com o acordo entre o sindicato e as empresas depredaram e impediram a saída de coletivos na sexta-feira (16) e no final de semana. 

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