PUBLICIDADE
Topo

Paulista é liberada após ter pista bloqueada em protesto

Manifestantes na avenida Paulista em protesto contra a prisão de dois ativistas  - Guilherme Balza/UOL
Manifestantes na avenida Paulista em protesto contra a prisão de dois ativistas Imagem: Guilherme Balza/UOL

Guilherme Balza

Do UOL, em São Paulo

26/06/2014 18h04Atualizada em 26/06/2014 21h35

Manifestantes de várias organizações iniciaram um ato na avenida Paulista, nesta quinta-feira (26), contra as prisões do estudante e servidor da USP (Universidade de São Paulo) Fábio Hideki Harano, 26, e o professor Rafael Marques Lusvarghi, 29.

Há cerca de 300 manifestantes para um número maior de policiais militares --o comando não informou a quantidade. O policiais são do Batalhão de Choque, da Força Tática e da chamada "tropa do braço", PMs treinados para fazer intervenções sem o uso de nenhum tipo de armamento.

Antes do começo do protesto, a PM exigiu que os manifestantes, que estavam concentrados no vão do Masp (Museu de Arte de São Paulo), apresentassem uma liderança antes de tomar as pistas da Paulista.

Os manifestantes se recusaram e, depois de muita negociação, conseguiram ocupar toda a pista da Paulista, no sentido Consolação, por volta das 18h30. A pista só foi liberada por volta das 20h30.  O ato terminou logo em seguida.

O padre Julio Lancellotti, da Arquidiocese de São Paulo,  tentou falar com o comandante da PM do Centro, tenente-coronel Marcelo Pignatari, que não cedeu ao pedido para que os manifestantes pudessem sair em passeata. "Ele [Pignatari] disse que não vai deixar acontecer a passeata se não tiver um líder e isso é um prenúncio de que a polícia pode ser violenta com os manifestantes." 

Na tarde desta quinta, a Justiça negou a soltura dos dois manifestantes e determinou a prisão provisória (até a conclusão do inquérito policial) de ambos.

O protesto foi organizado pelo coletivo "Se não tiver direitos, não vai ter Copa" --que reúne ativistas de partidos e organizações de esquerda--, pelo MPL (Movimento Passe Livre) e pelo Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP).

As organizações e os advogados dos detidos afirmam que as prisões de ambos foram "arbitrárias", baseadas em provas forjadas e que os dois estão servindo de bodes expiatórios.

Ambos foram detidos durante um protesto contra a Copa do Mundo na última segunda-feira (23) na capital paulista.

Harano e Lusvarghi foram presos por policiais civis que acompanhavam o protesto, realizado durante o jogo do Brasil com Camarões. O ato foi o primeiro após a manifestação realizada na última quinta-feira (19) pelo MPL que terminou em quebra-quebra.

Após o protesto, o secretario de Segurança Pública do Estado, Fernando Grella, criticou a atuação da PM (Polícia Militar) por ter acompanhado o protesto à distância --a pedido do MPL-- e prometeu rigor nos protestos seguintes. A SSP (Secretaria de Segurança Pública) trata Harano e Lusvarghi como os primeiros "black blocs" presos em flagrante.

Os dois respondem aos crimes de incitação à violência, resistência à prisão, desacato a autoridade, associação criminosa e porte de artefato explosivo. O servidor da USP ficou detido no CDP (Centro de Detenção Provisória) de Pinheiros e foi transferido ontem ao presídio de Tremembé (147 km de São Paulo). Já o professor passou pela carceragem do 8º DP (Brás) e agora está no CDP de Pinheiros.

Cotidiano