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"Papai do céu está de mal comigo", diz filha sobre morte da mãe motorista

A motorista Hanna Cristina dos Santos, 26, foi enterrada nesta sexta-feira  - Rayder Bragon/ UOL
A motorista Hanna Cristina dos Santos, 26, foi enterrada nesta sexta-feira Imagem: Rayder Bragon/ UOL

Rayder Bragon

Do UOL, em Belo Horizonte

04/07/2014 17h25Atualizada em 05/07/2014 07h53

Ana Clara dos Santos, 5, foi avisada nesta sexta-feira (4) sobre a morte da mãe,  a motorista Hanna Cristina dos Santos, 26, que dirigia o ônibus atingido pela queda do viaduto em Belo Horizonte. A menina estava no veículo com a mãe no momento do acidente.

A notícia foi dada pelo pai da menina e ex-marido de Hanna, o músico Enderson Eliziano, 33. Segundo o pai contou ao UOL, a menina teria dito que “Papai do céu está de mal” com ela, “porque está levando todo mundo da família”. Ela fazia referência também, prosseguiu Eliziano, à morte de um bisavô, a quem era muito ligada.

Eliziano afirmou que o estado de saúde da filha é bom e que ela está fora de perigo. A menina sofreu apenas ferimentos leves: teve hematomas do lado esquerdo da cabeça, cefaleia e chegou a perder a consciência após o acidente.

O pai disse ter ficado em estado de choque ao saber do acidente, porque havia combinado com Hanna de buscar a filha no ponto final da linha em que ela dirigia no dia do acidente. A menina estava de férias da escola e pediu para acompanhar a mãe no trabalho.

Mais cedo, Tiago Carlos dos Santos, 28, irmão da motorista, contou o relato feito pela sua mulher, Cristina, que era cobradora na mesma linha e trabalhava com Hanna no momento do acidente. A irmã teria salvo a vida de Ana Clara.

Segundo a cobradora, quando notou que o viaduto ia cair, Hanna empurrou sua filha de cinco anos para trás, freou o ônibus e o jogou para a esquerda. Assim, contou Tiago, ela evitou a morte não apenas da filha, mas de vários outros passageiros.

O pai da Ana Clara foi casado por cinco anos com Hanna e ainda não sabe como ficará a questão da guarda da filha, que era compartilhada com a motorista. 

4.jul.2014 - A motorista Hanna Cristina dos Santos, 26, que dirigia o ônibus atingido pela queda do viaduto Batalha de Guararapes, na região da Pampulha, em Belo Horizonte, na quinta-feira (3) - Reprodução/ Facebook - Reprodução/ Facebook
Hanna Cristina dos Santos, 26, que dirigia o ônibus atingido pela queda do viaduto
Imagem: Reprodução/ Facebook

Família acionará Justiça

O pai de Hanna, o motorista aposentado José Antonio dos Santos, 61, atribuiu a morte da filha à pressa em entregar as obras da Copa.

“A pressa por causa de jogo da Copa do Mundo é que fez eles [responsáveis pela obra] tirarem o calço [escoras de sustentação] antes da hora", disse ele.

A prefeitura nega que a obra estava acelerada e diz que o tráfego só seria liberado em agosto.

Segundo José Antonio, os responsáveis estavam mais preocupados com a retirada do entulho no local, para que a via fosse liberada, do que com as vítimas.

"A dor é muito grande em saber que perdi minha filha por causa de uma irresponsabilidade", acrescentou.

A família entrará na Justiça "para que sirva de exemplo e não aconteçam mais essas irresponsabilidades", afirmou.

Analina Soares Santos, 51, mãe de Hanna, afirmou que não recebeu ajuda da prefeitura nem da construtora Cowan pagar o reboque do ônibus acidentado. O único contato com a família até o momento, segundo Analina, foi por meio do envio de uma coroa de flores ao velório pela Cowan. 

Além de Hanna, morreu no desabamento Charles Frederico Moreira do Nascimento, 25, cujo Fiat Uno foi esmagado na queda do viaduto. Outras 23 pessoas ficaram feridas.

Investigação

O prefeito de Belo Horizonte Márcio Lacerda determinou nesta sexta-feira a criação de uma comissão para investigar as causas do desabamento do viaduto.

A prefeitura convocou os envolvidos na obra para fazer um "levantamento de todos os dados que envolvem o ocorrido, elaborar um diagnóstico das causas do acidente e definir as providências que serão tomadas".

Foram convocados técnicos da Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura de Belo Horizonte, da Defesa Civil, da Cowan, empresa responsável pelas obras, e da Consol, responsável pelo projeto.

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Cotidiano