IBGE: medo da fome cresce, mas cai nº de pessoas que não têm o que comer

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, no Rio

Pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgada nesta quinta-feira (18) revela que, em nove anos, cresceu o número de domicílios no Brasil onde há preocupação ou incerteza quanto à aquisição e consumo de alimentos. No entanto, o número de pessoas que efetivamente passam fome caiu no últimos nove anos: segundo o estudo, em 2013 eram 2,1 milhões de lares e 7,2 milhões de pessoas sem ter o que comer em casa todos os dias.

A insegurança alimentar grave, que, segundo os critérios utilizados pelo IBGE, diz respeito à privação de alimentos para adultos e crianças, estava calculada em 6,9% dos domicílios no ano de 2004 (15 milhões de pessoas em 3,6 milhões de domicílios). Cinco anos depois, o indicador chegou a 5% (11,2 milhões de pessoas em 2,9 milhões de domicílios). Já na última Pnad, o ritmo de queda se manteve e o indicador atingiu 3,2% dos domicílios brasileiros.

Em 2004, 9,4 milhões de chefes de família afirmaram ter medo da fome em suas casas. No ano passado, a "insegurança alimentar leve", termo utilizado pelo IBGE para designar o indicador, esteve presente em 9,6 milhões de domicílios.

Por outro lado, o estudo Suplemento de Segurança Alimentar, que tem como base os dados da Pnad 2013 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), mostra que, apesar de o tema ser motivo de preocupação para muitos brasileiros, a insegurança alimentar vem caindo em todos os níveis.

Nos últimos quatro anos, o percentual de domicílios que se encontravam em algum grau de insegurança alimentar caiu de 30,2%, em 2009, para 22,6%, no ano passado, atingindo 52 milhões de pessoas residentes em 14,7 milhões de domicílios.

Curva

De acordo com o IBGE, apesar da diferença de mais de 200 mil pessoas na comparação entre 2004 e 2013, os dados sobre domicílios que têm preocupação ou incerteza quanto à aquisição e consumo de alimentos são positivos. Isso porque, há quatro anos, a diferença era bem maior.

Na Pnad 2009, o número de domicílios onde havia medo da fome foi de pouco mais de 11 milhões. Ou seja, houve redução de 1,4 milhão no período entre 2009 e 2013. A queda foi impulsionada pelos domicílios situados nas áreas urbanas.

Já nas áreas rurais, houve um leve aumento percentual dos domicílios que se encontravam em algum tipo de insegurança alimentar. Entre 2009 e 2014, mais de 90 mil domicílios passaram a ter medo de passar fome.

Níveis de insegurança alimentar
  • Insegurança alimentar leve
    Preocupação ou incerteza quanto acesso aos alimentos no futuro: qualidade inadequada dos alimentos resultante de estratégias que visam não comprometer a quantidade de alimentos
  • Insegurança alimentar moderada
    Redução quantitativa de alimentos entre os adultos e/ou ruptura nos padrões de alimentação resultante da falta de alimentos entre os adultos
  • Insegurança alimentar grave
    Redução quantitativa de alimentos entre as crianças e/ou ruptura nos padrões de alimentação resultante da falta de alimentos entre as crianças; fome (quando alguém fica o dia inteiro sem comer por falta de dinheiro para comprar alimentos)
Fonte: O IBGE utiliza a classificação da Ebia (Escala Brasileira de Insegurança Alimentar)

Como faz?

Pela primeira vez, a Pnad investigou qual a estratégia utilizada pelas famílias em situação de insegurança alimentar. Comprar fiado foi a principal atitude adotada (43,3%), seguida por pedir alimentos emprestados a parentes, vizinhos e/ou amigos (27,8%); deixar de comprar alimentos supérfluos (7,2%); pedir dinheiro emprestado (5,0%); comer menos carnes (3,5%); receber alimentos da comunidade, vizinhos, parentes e amigos (3,3%), prestar pequenos serviços a parentes e amigos em troca de alimentos (2,8%) ou outras atitudes (7,1%).

Nas grandes regiões, comprar fiado foi a principal atitude no Nordeste (53,8%), Norte (50,2%) e Centro-Oeste (37,3%). Pedir alimentos emprestados a parentes, vizinhos e/ou amigos foi a principal atitude no Sul (34,2%) e Sudeste (33,5%).

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