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Cotidiano

Parece praça de guerra, diz guarda sobre estrago no Parque do Ibirapuera

Ricardo Feltrin

Do UOL, em São Paulo

29/12/2014 11h50Atualizada em 29/12/2014 14h14

"Parece uma praça de guerra, parece que houve uma explosão ou que caiu uma bomba e que uma área imensa com árvores foi destruída. Só não tem o cheiro de queimado, mas o de planta molhada e podridão." Assim descreveu uma guarda municipal sobre a situação do parque do Ibirapuera, na zona sul de São Paulo, nesta segunda-feira (29).

Ela, que trabalha no local há dois anos, pediu para não ser identificada, pois poderia ser punida por seus superiores por falar com a imprensa sem ter autorização. "Eu andei menos de 500 metros no parque, entre a administração e a ladeira da Preguiça, e só nesse percurso vi mais de dez árvores caídas. Algumas são imensas e muito antigas", disse a guarda metropolitana.

Segundo ela, há dezenas de outras árvores no parque que não caíram, mas estão prestes a cair. "Por isso o parque foi fechado. Há muito risco em absolutamente qualquer lugar do parque", afirmou. "O pior é que soubemos que há risco de mais chuvas fortes hoje e nos próximos dias."

Ela disse que chegou a perguntar a colegas, mas que ninguém se lembra quando foi a última vez que o parque Ibirapuera fechou num dia normal nas últimas décadas.

Em praticamente todas as ruas ao redor e nas imediações do Ibirapuera, a reportagem do UOL flagrou na manhã desta segunda árvores caídas e atravessadas nas ruas. Algumas são imensas, como uma aparentemente saudável, e que foi arrancada pela raiz na altura do portão 4 do parque, próximo à Assembleia Legislativa.

Na República do Líbano, árvores centenárias também racharam ou caíram. Outras parecem bem enfraquecidas e chegam a parecer mais escuras, certamente de tanta água que absorveram em poucas horas de forte chuva.

Parque está infestado de cupins

Assim como outras regiões da cidade, os cupins são os maiores "auxiliares" da chuva no trabalho de destruir e derrubar árvores no parque do Ibirapuera. Esses insetos isópteros são uma praga endêmica tanto no parque quanto ao seu redor. 

Na região do parque vizinha à avenida República do Líbano, um breve passeio a pé já mostra a qualquer pessoa mais atenta que a praga está alastrada não só em árvores, mas também nas poucas construções que o parque abriga.

Em outubro de 2013, após mais de um ano e meio, o parque reabriu o Pavilhão Japonês, presenteado pelo governo daquele país à cidade de São Paulo em 1954. Após uma profunda perícia, a prefeitura e seus técnicos descobriram que o próprio pavilhão corria risco de desabar devido ao ataque de cupins.

Em março de 2013, a reportagem do UOL foi autorizada a entrar nas obras do pavilhão e viu vigas de sustentação do pavilhão-museu inteiramente comidas por cupins. A situação estava tão grave que a reabertura do Pavilhão Japonês atrasou em pelo menos sete meses, devido a obras adicionais.

Há quase 3.00 espécies diferentes de cupins no mundo, e uma em cada dez se alimenta de madeira, celulose e outros materiais orgânicos. No entanto, os cupins não podem ser considerados apenas vilões. Eles têm um imenso papel como decompositores. Embora possam ser confundidos com uns formigões bicolores, são parentes mais próximos das baratas do que das formigas.

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