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SP ganha prêmio por ciclovias e faixas de ônibus; RJ e BH também vencem

Faixas exclusivas para ônibus ajudaram São Paulo a ganhar prêmio - Renato S. Cerqueira/Futura Press
Faixas exclusivas para ônibus ajudaram São Paulo a ganhar prêmio Imagem: Renato S. Cerqueira/Futura Press

Wellington Ramalhoso

Do UOL, em São Paulo

15/01/2015 13h43

Três das maiores capitais brasileiras conquistaram nesta semana um prêmio internacional de transporte sustentável, o Sustainable Transport Award. As cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte foram as escolhidas e se tornam as primeiras cidades do país a obter a premiação.

O prêmio é organizado pelo ITDP, sigla em inglês do Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento, que tem sede em Nova York e escritórios em outros seis países, incluindo o Brasil. O comitê que define os ganhadores é formado por organizações internacionais que trabalham com transportes.

A intenção é reconhecer iniciativas que melhorem a mobilidade de pedestres, ciclistas e usuários do transporte público; e que reduzam a emissão de gases do efeito estufa.

Realizado há dez anos, o prêmio foi concedido pela primeira vez para três cidades ao mesmo tempo. Representantes das três prefeituras receberam a premiação em Washington (EUA) na noite de terça-feira (13).

São Paulo, Rio e Belo Horizonte se juntam, na galeria de vencedoras, a cidades como Buenos Aires – premiada em 2014 --, Bogotá, Medellín, San Francisco, Nova York, Paris, Londres e Seul.

São Paulo recebeu o prêmio por implantar 150 quilômetros de ciclovias e 460 quilômetros de faixas de ônibus nos últimos dois anos e também por aprovar, no novo Plano Diretor, propostas como a de acabar com a exigência de garagens em construções novas.

A premiação para o Rio de Janeiro faz referência ao investimento em transporte de alta capacidade, em especial o BRT Transcarioca, corredor rápido de ônibus com 39 quilômetros e que atende, em média, 270 mil passageiros por dia.

Belo Horizonte foi lembrada por implantar dois novos corredores rápidos de ônibus, que somam 23 quilômetros, e por promover mudanças no Centro, que incluem 27 quilômetros de ciclovias e proibição de tráfego de veículos em determinadas ruas.

Muito a melhorar

"Estamos vivendo uma crise de mobilidade, e o prêmio reconhece as cidades que tiveram coragem política para tentar mudar esse quadro. Isso não quer dizer que Rio de Janeiro, Belo Horizonte e São Paulo são modelos de cidade. Elas ainda têm muito que progredir", afirmou Clarisse Linke, diretora executiva do ITDP no Brasil.

Para Maurício Broinizi, coordenador executivo da organização Rede Nossa São Paulo, a premiação é um marco e serve de referência para todas as cidades brasileiras que enfrentam problemas de mobilidade.

Em sua opinião, as iniciativas adotadas na capital paulista estão em “consonância com as soluções mundiais”, e era esperado que “mais cedo ou mais tarde houvesse o reconhecimento para esse esforço”.

Ele disse, porém, que ciclovias e faixas de ônibus devem funcionar como complementos de um sistema de alta capacidade e que prefeitura e governo estadual precisam aumentar os investimentos em metrô e corredores de ônibus.

Projetos de corredores -- faixas fisicamente separadas para o fluxo de coletivos -- foram barrados pelo TCM (Tribunal de Contas do Município). “A prefeitura precisa se acertar com Tribunal de Contas, se enquadrar. Para os recursos federais serem liberados precisa ter a aprovação dos projetos”, afirmou Broinizi.

O representante da Rede Nossa São Paulo também chamou a atenção para a necessidade de se criar a Autoridade Metropolitana, que teria a responsabilidade de fazer o planejamento integrado do transporte na Grande São Paulo. Cabe ao governo paulista, disse Broinizi, liderar o processo de criação da Autoridade. “O governo estadual precisa se mexer”.

Cotidiano