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Beltrame diz que "nação de criminosos" é responsável por balas perdidas

Do UOL, no Rio

26/01/2015 11h30Atualizada em 26/01/2015 13h24

O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, afirmou nesta segunda-feira (26) que o Estado possui uma "nação de criminosos", o que seria a causa do grande número de pessoas atingidas por balas perdidas nos últimos dias.

"Essas balas perdidas elas foram, na maioria das vezes, provocadas por traficantes. Não foi em confronto a polícia, com exceção desse caso agora da Rocinha. Isso é da natureza dessa verdadeira nação de criminosos que se criou no Rio de Janeiro", disse ele, em entrevista à "GloboNews". "Digo uma nação porque são pessoas que tem uma ideologia de facção, pessoas que têm um desapego e uma irresponsabilidade total pela vida humana."

Beltrame foi questionado sobre os últimos casos de vítimas de balas perdidas na região metropolitana do Rio. Desde o dia 17 de janeiro, foram 13 casos, sendo 11 na capital fluminense, um em Niterói e outro em São Gonçalo. Quatro vítimas morreram.. O caso mais recente ocorreu na última madrugada: a dona de casa Sandra Costa dos Santos, 58, foi atingida por uma bala perdida na cabeça em Bangu, na zona oeste. Segundo informações da polícia, ela foi ferida enquanto dormia, em casa, por volta das 3h.

O secretário declarou ainda que as ações policiais de combate à criminalidade são insuficientes para resolver o problema, pois, para ele, "segurança pública não se faz apenas com polícia". "Se a polícia tivesse sido responsável por essas balas perdidas, a população já teria ido para a rua queimar ônibus", disse ele, argumentando que, no interior das comunidades, moradores não protestam contra ações de traficantes de drogas por temerem represálias. "Nós temos que ocupar essas áreas, mas isso não é feito de uma hora para outra", disse.

Ainda de acordo com Beltrame, o "Estado precisa concorrer com o tráfico" em questões que vão além da segurança pública, como a inserção de jovens no mercado de trabalho, para evitar que crianças e adolescentes moradores das favelas da capital fluminense sejam recrutados pelo crime organizado. "Nós [Estado] temos responsabilidade. Mas o bandido, ele não tem responsabilidade", afirmou o secretário.

Beltrame disse também que, no momento, o Estado do Rio de Janeiro "não tem condições" de promover novas ocupações de comunidades dominadas pelo tráfico, o que representa uma pausa no projeto das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora). O chefe da pasta da segurança pública fluminense declarou, por outro lado, que as ocupações "temporárias" vão continuar, como tem ocorrido, desde o dia 19 de janeiro, no morro do Juramento, na zona norte da cidade, onde há uma guerra entre facções criminosas.

Por fim, o secretário divulgou números atualizados a respeito do trabalho da Polícia Militar no período entre o dia 7 de novembro e 25 de janeiro. Segundo Beltrame, nas comunidades controladas pelo tráfico, os policiais efetuaram 4.410 prisões e apreenderam 65 fuzis, 578 pistolas, 539 revólveres e 54 granadas. "Nós, como Estado, não queremos produzir bala perdida e não queremos matar inocentes. Temos que agir e vamos agir, mas dentro de uma racionalidade", finalizou.

Violência no Rio de Janeiro em 2015
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