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Alckmin não fala em rodízio e diz que Sabesp evitará usar 3º volume morto

Leandro Prazeres

Do UOL, em Brasília

30/01/2015 18h42

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), evitou, durante entrevista coletiva realizada após reunião com a presidente Dilma Rousseff (PT), nesta sexta-feira (30), falar sobre a data em que um provável sistema de rodízio no abastecimento de água será implantado no Estado. “Não tenho um número”, afirmou o governador, ao ser questionado sobre quanto o nível do sistema Cantareira precisa cair para que a medida seja adotada.

Técnicos da Sabesp (Campanhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) indicam que a saída mais provável para se estabelecer um sistema de rodízio de água seria uma escala de quatro por dois (quatro dias sem água e dois com). Oficialmente, a Sabesp nega os planos.  “Temos 5,1% [nível do sistema Cantareira], num quadro de estabilidade e temos a terceira reserva técnica [do volume morto] e que evitaremos utilizá-la. A Sabesp está fazendo todos os estudos”, afirmou o governador.

Alckmin elogiou a parceria entre o governo federal e o do Estado de São Paulo para a realização da obra de transposição do rio Paraíba do Sul, licitada nesta sexta, e incluída no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). A obra, com duração prevista de 18 meses, receberá financiamento federal e vai ligar as represas do Jaguari à do Atibainha.

As estimativas são de que se não houver a implantação de rodízio ou racionamento e se não houver alteração significativa no regime de chuvas, as reservas do sistema Cantareira se esgotariam em meados de abril. O sistema Cantareira, que abastece 6,2 milhões de pessoas, tinha, na última quinta-feira (29), 5,1% de sua capacidade. Esse percentual já contabiliza as duas cotas do chamado volume morto.

Ambiente

O ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, que acompanhou Alckmin durante a entrevista coletiva, assim como a ministra de Meio Ambiente, Izabela Teixeira, descartou que as obras terão impacto negativo ao rio Paraíba do Sul.

“Nesse momento, a discussão de usar o volume morto [da represa do Jaguari] para o Cantareira não está posta, porque essa obra só vai amadurecer em um ano e oito meses”, afirmou o ministro.

Mercadante disse que até a obra for concluída, os níveis do reservatório do Jaguari estarão recuperados.

Alckmin é o terceiro governador a se reunir com Dilma Rousseff nest semana para tratar da crise hídrica que atinge o Sudeste.

Os primeiros a se reunir com Dilma nesta semana foram os governadores de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT) e do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB). Aos dois, Dilma prometeu apoio e recursos para obras emergenciais e estruturais para combater os efeitos da estiagem prolongada.

Nesta sexta, o governo de São Paulo lançou edital para a construção. Por ter sido incluída no PAC, a obra poderá ser contratada por meio do RDC (Regime Diferenciado de Contratação), um tipo de processo mais rápido que as licitações convencionais.

No último dia 16 de janeiro, a ANA (Agência Nacional de Águas) autorizou as obras de transposição do rio Paraíba do Sul, que permitirá a captação de água na represa Jaguari  e a transferência para a represa Atibainha, no sistema Cantareira.

Além de Alckmin e Dilma, participaram da reunião a ministra de Meio Ambiente, Izabela Teixeira, do Planejamento e da Casa Civil, Nelson Barbosa e Aloizio Mercadante, os presidentes da Sabesp, Jerson Kelman, da ANA, Vicente Andreu Guilo, e o secretário estadual de Saneamento, Benedito Braga.
 

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